As mudanças climáticas nas empresas deixaram de ser apenas uma pauta ambiental, passando a ocupar espaço central nas estratégias corporativas. Esse movimento não acontece à toa. Enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos extremos afetam a competitividade das empresas e aumentam os gastos com seguros, manutenção de ativos e adaptação de operações em áreas vulneráveis.
Segundo dados do Relatório sobre Clima e Desenvolvimento para o Brasil (CCDR), publicado pelo Banco Mundial em 2023, o Brasil pode perder até 3% do PIB por ano até 2030 devido a eventos climáticos extremos. Nesse mesmo período, cerca de 3 milhões de pessoas podem ser empurradas para a pobreza extrema.
Por que mudanças climáticas nas empresas estão ganhando protagonismo?
Ao mesmo tempo, a questão climática vem ganhando contornos regulatórios. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou que, a partir de 2026, companhias listadas terão de publicar relatórios de sustentabilidade alinhados a padrões internacionais, incluindo riscos e oportunidades relacionados ao clima. Para essas empresas, o tema deixou de ser opcional e passou a ser exigência legal, com impacto direto na governança e na transparência corporativa.
O mercado financeiro também se movimenta. Fundos de investimento e acionistas priorizam empresas com estratégias claras de mitigação e adaptação, já que riscos climáticos podem reduzir o valor de mercado. Globalmente, os ativos ESG, que consideram fatores ambientais, sociais e de governança, crescem em ritmo acelerado, e companhias sem planos robustos podem perder acesso a capital.
A pressão não vem apenas de reguladores e investidores. Consumidores estão cada vez mais atentos às práticas sustentáveis das marcas que escolhem. No Brasil, quase 2 mil empresas, incluindo o CTE, já aderiram ao Pacto Global da ONU, formando a segunda maior rede local do mundo. O movimento mostra que o setor privado reconhece a urgência de alinhar negócios às metas de redução de emissões e transição energética.
Como as mudanças climáticas afetam as empresas na prática?

“Negócios resilientes não apenas sobrevivem em tempos difíceis, mas também encontram maneiras de inovar e crescer. Eles demandam um mapeamento estruturado de riscos e oportunidades”, explica Márcia Menezes, diretora de Inovação, Tecnologia e ESG no CTE.
Segundo ela, essa análise deve incluir a identificação de riscos de transição e riscos físicos, reconhecendo as principais vulnerabilidades do negócio.
Riscos climáticos físicos
São os impactos diretos das mudanças no clima e dos eventos extremos que afetam diretamente a infraestrutura. Eles podem ser agudos, como enchentes, inundações e incêndios florestais, ou crônicos, quando envolvem mudanças graduais, como a elevação do nível do mar e a desertificação.
Riscos climáticos de transição
Surgem da necessidade de adaptação a novas políticas e tecnologias voltadas para a redução das emissões de carbono e para a resiliência dos negócios e operações frente aos impactos das alterações climáticas. Eles podem ser: regulatórios e políticos, tecnológicos, de mercado e de reputação.
O lado estratégico das mudanças climáticas nas empresas
Se por um lado os riscos financeiros, jurídicos e reputacionais são evidentes, por outro surgem oportunidades estratégicas. Inovação em produtos de baixo carbono, eficiência operacional com redução de consumo de energia e água, acesso facilitado a capital e fortalecimento da reputação são alguns dos ganhos possíveis, como destacamos a seguir:
- Valorização de ativos sustentáveis — Imóveis com certificações verdes (LEED, AQUA, EDGE) podem valer até 15% mais do que construções convencionais, segundo pesquisa da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
- Eficiência energética e hídrica — Edifícios projetados para reduzir consumo de energia e água têm economia nas contas mensais, aumentando a atratividade para consumidores e empresas que buscam reduzir despesas.
- Acesso a capital ESG — Fundos de investimento e bancos estão priorizando projetos alinhados a metas climáticas.
- Inovação em materiais e processos — O setor da construção tem avançado em soluções como concreto de baixo carbono, sistemas de reaproveitamento de água e painéis solares. Essas tecnologias não apenas reduzem impactos ambientais, como também criam novos nichos de mercado.
- Reputação e competitividade — Consumidores e investidores cada vez mais valorizam empresas comprometidas com sustentabilidade. Incorporadoras que se posicionam como líderes em práticas climáticas fortalecem sua marca e conquistam fidelização.
- Resiliência urbana — Projetos que incorporam drenagem inteligente, áreas verdes e soluções contra enchentes tornam-se mais seguros e atraentes em cidades onde eventos extremos já afetam diretamente o cotidiano.
Gestão das mudanças climáticas nas empresas: primeiros passos
Para que as empresas iniciem suas jornadas rumo à sustentabilidade e à resiliência climática, é essencial compreender que os riscos ambientais já fazem parte da realidade dos negócios.
A seguir, apresentamos, de forma simplificada, cinco passos práticos para estruturar uma gestão climática eficaz dentro das organizações.
- Mapear riscos climáticos — Identificar vulnerabilidades da operação frente a eventos climáticos extremos. A avaliação deve se estender sobre cadeias de suprimento, infraestrutura e ativos físicos. Inclui a elaboração de inventário de emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa).
- Elaborar o plano de ação — Definir metas de redução de emissões e adaptação, com governança clara. Falamos mais sobre a elaboração de metas de redução de emissões neste artigo. Não deixe de ler!
- Aplicar o plano de ação climática — As ações são diversas e podem se voltar à eficiência energética, à aquisição de energia limpa, à busca por certificações ambientais, etc.
- Desenvolver relatórios e mecanismos de transparência — Inclui a preparação para atender às exigências de órgãos regulatórios.
- Realizar ações de engajamento com stakeholders — Contempla a comunicação com investidores, clientes e sociedade.
Conclusão
Impulsionando transformações positivas no mercado há mais de trinta anos, o CTE apoia seus clientes na identificação e na gestão de riscos climáticos nas empresas por meio de mapeamento especializado.
Além disso, desenvolve planos de resiliência climática que, partindo de um diagnóstico de riscos e vulnerabilidades, estabelecem objetivos de adaptação, sugerem ações concretas para reduzir fragilidades e fortalecem a capacidade de resposta diante de eventos extremos. Quer saber como o CTE pode te ajudar a enfrentar os desafios da crise climática e avançar rumo à descarbonização? Clique aqui e fale conosco.
Autor
Jornalista formada pela PUC-SP, com pós-graduação em Mídias Digitais. Com mais de vinte anos de experiência, atuou em diversos veículos de comunicação, como O Estado de S. Paulo, UOL, Editora Pini e Casa Vogue. Especializada na cobertura de temas ligados à construção civil, mercado imobiliário, arquitetura e urbanismo, também desenvolve conteúdo para entidades setoriais e empresas. Desde 2020, colabora com CTE.


