Riscos climáticos nas empresas: entenda a diferença entre riscos físicos e riscos de transição

Os riscos climáticos nas empresas já não são uma preocupação distante ou restrita a especialistas em meio ambiente. Eles afetam diretamente operações, finanças e reputação das organizações em praticamente todos os setores da economia. Ignorá-los significa perder competitividade, afastar investidores e reduzir valor de mercado. Em um cenário em que reguladores e consumidores exigem práticas cada vez mais sustentáveis e transparentes, a gestão desses riscos deixou de ser opcional: tornou-se condição para a sobrevivência e o crescimento responsável.

Quem considera os riscos climáticos em sua estratégia não apenas minimiza perdas, mas também conquista vantagem competitiva e fortalece sua imagem institucional. A questão que se coloca é: como transformar essa necessidade em ação concreta e consistente?

Por que as empresas estão cada vez mais preocupadas com os riscos climáticos?

Para compreender essa preocupação crescente, é preciso entender o que são os riscos climáticos e como eles afetam os negócios. Estamos nos referindo aos impactos negativos que as mudanças no clima — como eventos extremos, alterações graduais e pressões regulatórias — podem causar sobre empresas, sociedade e meio ambiente.

As organizações estão cada vez mais preocupadas porque esses riscos já figuram entre os maiores desafios globais, impactam diretamente operações e finanças, e passaram a ser exigidos em relatórios regulatórios e por investidores. Entre os principais motivos, destacam-se:

  • Pressão reguladora e de mercado — No Brasil, a Resolução CVM 193 obriga companhias de capital aberto a divulgar relatórios financeiros com informações sobre riscos climáticos alinhados às normas internacionais IFRS S1 e S2. Além disso, investidores e consumidores exigem transparência e práticas ESG, tornando a gestão climática um diferencial competitivo.
  • Crescente frequência de eventos extremos — O Global Risks Report 2026, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, aponta que riscos climáticos e tecnológicos lideram as preocupações empresariais para a próxima década. Eventos como enchentes, secas e ondas de calor já causam prejuízos bilionários em diversos setores.
  • Impacto financeiro e operacional — Danos à infraestrutura, interrupções na cadeia de suprimentos e aumento de custos operacionais são consequências diretas e cada vez mais comuns de riscos climáticos não dimensionados.
  • Reputação e sustentabilidade — Empresas que se posicionam de forma proativa com relação aos riscos climáticos fortalecem sua imagem e tendem a ter mais facilidade na captação e retenção de talentos.

Tipos de riscos climáticos e seus impactos

Os riscos climáticos nas empresas podem ser classificados em dois grandes grupos: físicos e de transição. Essa distinção é fundamental para que companhias possam estruturar estratégias adequadas de mitigação e adaptação.

Riscos climáticos físicos

São os impactos diretos das mudanças no clima e dos eventos extremos que afetam diretamente a infraestrutura e as operações empresariais. Eles se subdividem em:

  • Agudos: eventos extremos de curta duração, como enchentes e tempestades, ondas de calor, incêndios florestais e secas severas. 
  • Crônicos: mudanças graduais e persistentes, como aumento do nível do mar, desertificação, escassez de água, degradação de solos e mudança de padrões climáticos). 

Riscos climáticos de transição

São aqueles que surgem da necessidade de adaptação a novas políticas e tecnologias voltadas para a redução das emissões de carbono. Eles incluem:

  • Riscos regulatórios e políticos: introdução de impostos sobre carbono, restrições à exploração de combustíveis fósseis e exigência de relatórios de sustentabilidade obrigatórios.
  • Riscos tecnológicos: substituição ou obsolescência de tecnologias intensivas em carbono.
  • Riscos de mercado: queda na demanda por petróleo e carvão e o aumento da procura por produtos sustentáveis e recicláveis.
  • Riscos de reputação: perda de valor de marca pela não adoção de práticas ESG.

Como os riscos climáticos físicos afetam as empresas?

  • Danos a ativos físicos: fábricas, escritórios, estoques e equipamentos podem ser destruídos ou danificados.
  • Interrupção de operações: enchentes e secas afetam logística, transporte e fornecimento de matérias-primas.
  • Custos adicionais: seguros mais caros, necessidade de investimentos em infraestrutura resiliente.
  • Risco reputacional: empresas que não se adaptam podem perder credibilidade junto a clientes e investidores.
  • Impacto em cadeias de suprimento: fornecedores em regiões vulneráveis podem comprometer a continuidade dos negócios.

Como as empresas podem começar a avaliar riscos climáticos?

O primeiro passo é mapear as vulnerabilidades nas operações usando dados preditivos e integrando esses riscos às estratégias corporativas. É importante identificar eventos extremos e impactos financeiros potenciais, priorizando ações de adaptação e mitigação. Quer entender o passo a passo completo desse processo? Confira nosso guia de avaliação de riscos climáticos.

Segundo Nathalia Rodrigues, consultora ESG no CTE, o mapeamento pode contemplar tanto riscos físicos quanto de transição. Essa análise pode ser feita sob diferentes cenários de aquecimento global, como o mais moderado (RCP4.5) e o mais pessimista (RCP8.5), considerando projeções para 2030, 2050 e 2100.

Na sequência deve-se partir para a análise de impacto financeiro. Nesse momento, é necessário:

  • Estimar custos de interrupções na cadeia de suprimentos.
  • Calcular perdas potenciais em ativos físicos e impactos em receitas.
  • Usar modelos de cenários climáticos para prever horizontes de curto, médio e longo prazo.

O trabalho continua com a integração dos estudos à estratégia corporativa, envolvendo:

  • Incorporar riscos climáticos na gestão de riscos empresariais.
  • Definir planos de resiliência e continuidade de negócios.
  • Alinhar com metas de sustentabilidade e relatórios ESG.

Algumas práticas recomendadas para quem está iniciando nessa jornada são:

  • Criar um comitê interno de riscos climáticos.
  • Adotar indicadores de resiliência (tempo de recuperação após eventos).
  • Estabelecer parcerias com consultorias e instituições de pesquisa.
  • Treinar equipes para resposta rápida a eventos extremos.

Perguntas frequentes sobre riscos climáticos nas empresas

O que são riscos climáticos nas empresas?

São os impactos negativos que as mudanças no clima, como eventos extremos, alterações graduais e pressões regulatórias, podem causar sobre empresas, sociedade e meio ambiente. Eles afetam diretamente as operações, as finanças e a reputação das organizações.

Qual é a diferença entre riscos físicos e riscos de transição?

Os riscos físicos são os impactos diretos das mudanças no clima e dos eventos extremos sobre a infraestrutura e as operações, e se dividem em agudos (enchentes, tempestades, ondas de calor, incêndios florestais e secas severas) e crônicos (aumento do nível do mar, desertificação, escassez de água e degradação de solos). Os riscos de transição surgem da adaptação a novas políticas e tecnologias de redução de emissões e incluem riscos regulatórios, tecnológicos, de mercado e de reputação.

Como os riscos climáticos físicos afetam as empresas?

Podem causar danos a ativos físicos, interrupção de operações, custos adicionais, como seguros mais caros e investimentos em infraestrutura resiliente, risco reputacional e impactos nas cadeias de suprimento, quando fornecedores estão em regiões vulneráveis.

Por que as empresas estão cada vez mais preocupadas com os riscos climáticos?

Porque esses riscos já figuram entre os maiores desafios globais e impactam diretamente operações e finanças. O Global Risks Report 2026, do Fórum Econômico Mundial, aponta que riscos climáticos e tecnológicos lideram as preocupações empresariais para a próxima década. Investidores e consumidores também exigem transparência e práticas ESG, e empresas que se posicionam de forma proativa fortalecem a imagem e tendem a ter mais facilidade na captação e retenção de talentos.

Como as empresas podem começar a avaliar riscos climáticos?

O primeiro passo é mapear as vulnerabilidades nas operações com dados preditivos, contemplando riscos físicos e de transição, em cenários de aquecimento como o RCP4.5 (moderado) e o RCP8.5 (pessimista), com projeções para 2030, 2050 e 2100. Em seguida vêm a análise de impacto financeiro e a integração à estratégia corporativa, com planos de resiliência e continuidade de negócios. Para quem está começando, são práticas recomendadas criar um comitê interno de riscos climáticos, adotar indicadores de resiliência, buscar parcerias com consultorias e instituições de pesquisa e treinar equipes para resposta rápida a eventos extremos.

A atuação do CTE com os riscos climáticos nas empresas

O CTE apoia seus clientes na identificação e na gestão de riscos climáticos por meio de mapeamento especializado. Também desenvolve planos de resiliência climática que, partindo de um diagnóstico de riscos e vulnerabilidades, estabelecem objetivos de adaptação, sugerem ações concretas para reduzir fragilidades e fortalecem a capacidade de resposta diante de eventos extremos. 

Essa atuação é estratégica porque conecta empresas às melhores práticas globais de sustentabilidade, alinhando-as às exigências de investidores, reguladores e consumidores. Ao mesmo tempo, contribui para que os negócios se tornem mais resilientes, competitivos e preparados para enfrentar os desafios de um futuro marcado por incertezas climáticas.

Quer estar mais preparado para os impactos do clima e alinhado às melhores práticas ESG? Fale com os especialistas do CTE e dê o próximo passo rumo a um futuro mais resiliente.

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