Mudanças climáticas na Construção Civil: como mitigar impactos e riscos?

Em síntese:
  • Eventos climáticos extremos, paralisações em canteiros e regulações ambientais mais rígidas tornam a adaptação climática uma prioridade estratégica para proteger margens e a reputação das empresas.
  • Medir as emissões corporativas é o primeiro passo para estabelecer planos de descarbonização e atender aos limites do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões.
  • Mapear a exposição a intempéries e a novas exigências de mercado orienta a adoção de métodos construtivos mais industrializados e de cronogramas de obra mais resilientes.
  • A implementação de estratégias baseadas em metas científicas transforma vulnerabilidades em diferenciais competitivos para atrair novos investimentos.

As mudanças climáticas estão no centro das preocupações globais, especialmente sob uma perspectiva de longo prazo. A 21ª edição do relatório de Riscos Globais (The Global Risks Report 2026), publicado pelo Fórum Econômico Mundial, confirma essa realidade. 

O estudo ouviu mais de 1.300 líderes e especialistas da academia, empresas, governos, organizações internacionais e sociedade civil para identificar quais são os riscos considerados mais urgentes. Entre os mais citados estão riscos ambientais, como eventos climáticos extremos, poluição, perda de biodiversidade e escassez de recursos naturais.

Essa percepção é reforçada pelo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), segundo o qual mais de 40% da população mundial já está em condição de vulnerabilidade climática.

Diante desse cenário, como as empresas da construção e do mercado imobiliário devem atuar para minimizar os riscos decorrentes das mudanças climáticas aos seus negócios e ao meio ambiente? 

O que são as mudanças climáticas e como elas afetam a construção civil? 

As mudanças climáticas referem-se a alterações significativas e persistentes nos padrões do clima globais ou regionais ao longo do tempo.

Por trás desse fenômeno, estão atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a agricultura intensiva, que aumentam a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, a exemplo do dióxido de carbono (CO₂) e do metano (CH₄). Esses gases retêm o calor do sol, resultando no aumento gradual da temperatura média da Terra.

As alterações no clima impõem desafios significativos para os negócios. Entre os mais relevantes, destacam-se: 

  • Eventos climáticos extremos: secas prolongadas, inundações, tempestades e incêndios florestais podem prejudicar cadeias de suprimentos, interromper operações e elevar os custos de seguros.
  • Instabilidade econômica: flutuações no preço de matérias-primas e energia podem impactar diretamente a rentabilidade.
  • Regulações mais rígidas: governos vêm implementando normas ambientais mais rigorosas, o que pode resultar em multas, elevação de impostos ou exigência de mudanças nos processos produtivos.
  • Mudança no comportamento do consumidor: a demanda por produtos e serviços sustentáveis está em crescimento contínuo. Empresas que não se adaptarem perderão competitividade.
  • Danos à reputação: negócios associados a práticas insustentáveis podem enfrentar boicotes, críticas intensas e dificuldades para atrair investidores e clientes.

Inventário de carbono na Construção Civil: como iniciar a descarbonização?

A Construção Civil é uma das indústrias de maior impacto ambiental, tanto pelo alto consumo de energia quanto pelas emissões de gases de efeito estufa. Por isso, é fundamental que esse setor assuma um papel ativo na descarbonização e na transição energética.

Nessa jornada, o primeiro passo para as organizações é medir e avaliar os impactos de suas operações por meio de inventários de carbono. Após essa análise, que deve seguir padrões e metodologias reconhecidas internacionalmente, torna-se possível estabelecer estratégias, planos e metas corporativas para a gestão consciente das emissões.

Além de demonstrar o compromisso da empresa com a sustentabilidade, o inventário de carbono confere transparência, possibilita atrair novos investimentos e viabiliza o planejamento de processos para aumentar a eficiência operacional.

Como deve ser o inventário de carbono?

Para garantir credibilidade técnica, o inventário de emissões de GEE precisa seguir padrões internacionais como o GHG Protocol. A metodologia categoriza os impactos climáticos em três níveis: 

  • Escopo 1 (emissões diretas): Decorrem de fontes sob controle direto da empresa, como operação de equipamentos, processos produtivos e remoção de vegetação para implantação de obras.
  • Escopo 2 (energia): Referem-se às emissões associadas à energia elétrica, calor ou vapor adquiridos para manter canteiros e escritórios em funcionamento.
  • Escopo 3 (cadeia de valor): Emissões indiretas que ocorrem antes e depois da operação da empresa, englobando a pegada de carbono dos materiais adquiridos, fretes de suprimentos e gestão de resíduos.

No Brasil, a instituição do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa tornou a realização de inventários ainda mais relevante. A regulamentação determina que empresas que emitam mais de 10 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano reportem suas emissões ao governo.

Já aquelas que ultrapassarem 25 mil toneladas anuais de dióxido de carbono equivalente receberão cotas de emissão, operando dentro de limites regulatórios pré-estabelecidos. Entenda o funcionamento do mercado de carbono no Brasil, suas novas regras e os impactos para as empresas

Mapeamento de riscos climáticos físicos e de transição no setor imobiliário

O atual cenário exige negócios resilientes, capazes de se adaptar e de prosperar diante de desafios, crises e mudanças inesperadas. 

“Negócios resilientes não apenas sobrevivem em tempos difíceis, mas também encontram maneiras de inovar e crescer. Eles demandam um mapeamento estruturado de riscos e oportunidades”, explica Márcia Menezes, diretora de Inovação, Tecnologia e ESG no CTE.

Segundo a especialista, essa análise deve incluir a identificação de riscos de transição e riscos físicos, reconhecendo as principais vulnerabilidades do negócio.

Para saber mais sobre os principais tipos de riscos climáticos e seus impactos, confira o nosso guia sobre as diferenças entre riscos climáticos físicos e riscos de transição.

“Os impactos das mudanças climáticas devem estar cada vez mais presentes no planejamento das obras. Eles podem levar a prazos mais estendidos para a execução de estruturas, devido à maior ocorrência de paralisações por chuvas intensas. Além disso, podem incentivar a adoção de sistemas construtivos mais industrializados, reduzindo a suscetibilidade da obra às intempéries”, exemplifica Márcia Menezes.

A diretora do CTE reforça que não há dúvidas sobre a ocorrência de eventos climáticos extremos. “O que não sabemos é quando e em qual proporção esses problemas irão ocorrer. Daí a importância de buscarmos a resiliência e a adaptação para os nossos negócios”, reforça. 

Fenômenos climáticos como Super El Niño adicionam uma camada extra de complexidade a essa realidade. Confira como proteger a rentabilidade e a governança de empreendimentos contra o Super El Niño.

Consultoria ESG e descarbonização: como o CTE apoia sua empresa?

Impulsionando transformações positivas no mercado há mais de trinta anos, o CTE desenvolveu uma ampla gama de serviços integrados para apoiar seus clientes na jornada rumo à neutralidade de emissões de carbono. 

As soluções se aplicam tanto às atividades empresariais quanto aos edifícios e projetos de escala urbana. Entre elas, destacam-se: a elaboração de inventários de emissões, o desenvolvimento de planos de descarbonização de ativos imobiliários, além da definição, aplicação e monitoramento de metas baseadas na ciência (SBTi – Science Based Targets).

Quer saber como o CTE pode ajudar sua empresa a enfrentar os desafios da crise climática? Entre em contato com nossos especialistas em consultoria ESG e descarbonização.

Jogo rápido: perguntas frequentes sobre mudanças climáticas

Qual é a responsabilidade da construção civil nas mudanças climáticas?

O setor é responsável por aproximadamente 37% das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂) associadas à energia e aos processos industriais. O impacto ocorre tanto na extração de recursos e fabricação de materiais quanto no consumo energético ao longo da vida útil dos edifícios.

De que forma as certificações ambientais podem ajudar a mitigar as mudanças climáticas?

Ao estabelecer metas rigorosas de desempenho sustentável, certificações como LEED, AQUA-HQE e EDGE transformam preceitos teóricos em métricas quantificáveis de redução de impacto ambiental e resiliência climática.

Como reduzir o carbono incorporado em novos projetos?

Tudo começa na fase conceitual do projeto por meio de ações como:

  • Especificação de insumos de menor pegada de carbono (cimentos de baixo clínquer, aço verde, madeira engenheirada).
  • Racionalização de estruturas para evitar sobredimensionamento e desperdício.
  • Priorização da economia circular, logística reversa e sistemas construtivos industrializados (off-site).

O que significa construir visando a resiliência climática? 

Estamos falando de projetar e executar edificações capazes de resistir, adaptar-se e recuperar-se de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, tempestades intensas, enchentes urbanas ou secas,  garantindo a segurança dos ocupantes e a integridade da infraestrutura.

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