Em síntese:
- O ESG avalia o desempenho das empresas com foco em sustentabilidade, responsabilidade social e transparência de gestão.
- Ele divide-se em 3 pilares: Ambiental, Social e Governança.
- Aplicável a empresas de qualquer porte, o ESG atrai investimentos, reduz custos e melhora a reputação.
- Sua implementação exige apoio da liderança, diagnósticos e metas claras.
ESG, sigla do inglês Environmental, Social and Governance, é o novo motor de transformação na construção civil, assim como no passado foram os sistemas de gestão de qualidade com as certificações ISO e, posteriormente, a busca por selos verdes de sustentabilidade. O movimento, que abrange as práticas ambientais, sociais e de governança das companhias, tornou-se condição para atrair investimentos, mitigar riscos operacionais e garantir a resiliência dos negócios a longo prazo.
Quer entender melhor como essa agenda modifica a forma de gerir empresas e de realizar negócios? Então, siga conosco:
O que é ESG?
O ESG é um conjunto de padrões e boas práticas usado para avaliar o desempenho de uma empresa além do lucro. Ele mede o comprometimento organizacional com a sustentabilidade ambiental, a responsabilidade social e a governança corporativa.
Ele se baseia no entendimento de que os negócios são economicamente mais eficientes e sustentáveis quando criam valor no longo prazo, não apenas para seus acionistas, como também para todas as partes interessadas (stakeholders).
Segundo pesquisa da Amcham, em parceria com a Humanizadas, cerca de 87% das empresas brasileiras já mantêm agendas ativas de sustentabilidade. Isso significa que o mercado brasileiro amadureceu do ciclo de “pico de intenção” de 2025 para uma fase de rigor de dados em 2026.
Como surgiu o conceito de ESG?
A sigla ESG foi utilizada pela primeira vez em 2004, em um grupo de trabalho do Principles for Responsible Investment (PRI), lançado oficialmente em 2006 sob a liderança da Iniciativa Financeira do Programa da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Meio Ambiente.
Ainda em 2004, o termo foi inserido em um relatório da ONU chamado Who Cares Wins. O documento é resultado de uma provocação do então secretário-geral da Organização, Kofi Annan, a 50 CEOs de grandes instituições financeiras do mundo. O seu objetivo era obter respostas dos bancos sobre como integrar os fatores ESG ao mercado de capitais.
Como o ESG vem evoluindo ao longo dos anos?
O trinômio responsabilidade social, responsabilidade ambiental e governança adquiriu mais protagonismo depois que grandes gestores de recursos e fundos de pensão colocaram o ESG no centro de suas decisões de investimento.
Alguns episódios são bastante emblemáticos e comprovam a movimentação do capital em torno do ESG:
- Em 2019, Larry Fink, presidente da BlackRock, escreveu um comunicado afirmando que “o propósito, acima de tudo, é o motor da lucratividade no longo prazo”. A BlackRock é a maior gestora de investimentos do mundo, com US$ 7,8 trilhões sob seu guarda-chuva.
- No mesmo ano, 181 CEOs de empresas americanas, entre elas Amazon, J.P.Morgan, Apple, Pepsico e Walmart, divulgaram um manifesto indicando que a era da supremacia dos acionistas estava chegando ao fim, dando lugar a um modo de fazer negócios que valoriza consumidores, funcionários, fornecedores e as comunidades onde estão inseridas.
- Em 2020-2021, a pandemia de COVID-19 funcionou como um teste de estresse em escala global. Ficou demonstrada a importância da resiliência das cadeias de suprimentos, do bem-estar dos colaboradores e da governança corporativa na manutenção do valor das companhias.
- Em 2023, o lançamento das Normas IFRS S1 e S2 pela International Sustainability Standards Board padronizou globalmente a divulgação de relatórios financeiros relacionados ao clima e sustentabilidade, alinhando a contabilidade financeira à climática.
Quais são os três pilares do ESG?
Amplas e diversas, as estratégias e ações ESG se organizam sobre três pilares:
Ambiental
Concentra as ações que visam reduzir os impactos da atividade econômica no meio ambiente, a mitigação das emissões de carbono, o controle da geração de resíduos, além de buscar soluções que garantam uso racional da água e de energia, uso de fontes de energia renovável, entre outros objetivos.
Social
Inclui aspectos como direitos humanos, relações de trabalho, diversidade e equidade, além de relações com a comunidade.
Governança
Trabalha temas como estrutura de compliance, gestão de riscos, transparência e responsabilização. A ideia é garantir que os interesses dos acionistas e dos stakeholders estejam alinhados com a gestão da companhia.
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Por que a pauta ESG continua em alta?
Um dos principais impulsionadores do ESG é, sem dúvidas, o agravamento das mudanças climáticas. Segundo as Nações Unidas, para limitar o aquecimento global em 1,5 °C, quando comparado aos níveis pré-industriais, as emissões de carbono devem ser reduzidas em 45%, até 2030, e chegar a zero até 2050. Mais de 70 países, que representam aproximadamente 76% das emissões globais de carbono, já se comprometeram com metas de emissão zero de carbono.
O ESG também é uma forma de ajustar o mercado de trabalho para uma geração de profissionais orientada por valores e mais crítica à ideia de “lucro a qualquer custo”, caso da geração Z (nascidos entre os anos 1990 e 2009).
Além disso, o ESG já se tornou ponto determinante para investidores tomarem decisões sobre investir ou não em empresas. Para se ter uma ideia, a Pesquisa Global com Investidores 2025 da PwC mostrou que 62% dos investidores no Brasil (e 51% globalmente) defendem que as empresas nas quais investem devem aumentar significativamente o orçamento em adaptação climática para proteger a operação de riscos físicos e da cadeia de suprimentos. O mesmo estudo identificou que os investidores têm mais disposição para apoiar parcerias e aceitar retornos de médio/longo prazo, desde que haja clareza na prestação de contas, governança sólida e ausência de greenwashing.
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ESG nas empresas: quais são as vantagens?
A implantação bem-sucedida e genuína de estratégias ESG por parte das organizações pode agregar uma série de benefícios ao negócio. Entre eles:
- Reputação da empresa — Segundo o estudo Panorama da Sustentabilidade Corporativa 2025, 87% das empresas em estágio avançado de gestão ESG identificaram a melhoria da reputação e da imagem institucional como um dos principais impactos positivos para o negócio.
- Fidelização de clientes — Quando as empresas oferecem soluções similares, os clientes têm dado preferência para aquelas com melhores práticas envolvendo os funcionários, a comunidade ou a gestão ambiental.
- Redução de custos — Práticas sustentáveis, como eficiência energética, uso racional de água, compra baseada em critérios verdes e redução de resíduos, otimizam operações e reduzem despesas operacionais.
- Retenção de talentos e engajamento das equipes — De acordo com o estudo Panorama de Empregabilidade 2025, da Sólides, 74% dos profissionais brasileiros apontam o engajamento da empresa em ações ESG e o alinhamento com seus valores como fatores determinantes para permanecerem na companhia.
Como iniciar uma jornada ESG?
A implantação do ESG nas empresas exige uma abordagem holística que deve começar com o comprometimento e o engajamento da alta administração, consolidados em uma política de sustentabilidade corporativa desdobrada em objetivos, metas, indicadores, diretrizes estratégicas e requisitos a serem atendidos nas dimensões ambientais, sociais e de governança corporativa.
“A partir desse referencial, é possível estabelecer padrões e ferramentas de controle para a efetiva implementação, a identificação de não conformidades e a adoção de ações corretivas, preventivas e de melhoria”, explica Roberto de Souza, CEO do CTE.
Ele ressalta que o ESG precisa estar no DNA da empresa e alinhado à sua estratégia de negócio. O processo continua com a criação de um Comitê de Sustentabilidade Corporativa que promoverá diagnósticos para:
- Verificar quais medidas a empresa já adota no campo ambiental, social e de governança;
- Identificar gargalos em relação à política e aos requisitos estabelecidos pela alta direção;
- Definir planos de ação para implementar novas medidas.
“Trata-se de um processo que pode ser aplicado a empresas de diferentes portes. Aliás, ao contrário do que muitos pensam, o ESG não é privilégio de grandes companhias. Pequenas e médias também podem se beneficiar bastante dessas práticas”, informa Souza.
Márcia Menezes, diretora de Inovação, Tecnologia e ESG do CTE, concorda. Ela destaca que a adesão aos critérios ESG tem potencial para geração de valor para as empresas de todos os portes, além de promover maior desenvolvimento da capacidade de gestão e dos processos sociais e produtivos.
“Precisamos quebrar alguns paradigmas e entender que não há necessidade de grandes investimentos para trazer o ESG para a empresa. O mais importante é que a liderança entenda que os resultados dos negócios não se resumem exclusivamente ao lucro e podem ser expandidos para as questões sociais e ambientais”, explica Menezes.
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ESG aplicado às empresas da construção civil
Desde que o ESG adquiriu maior protagonismo no mundo dos negócios, a construção civil vem buscando se adequar às novas exigências do mercado global.
De modo geral, as empresas progrediram bastante nessa temática nos últimos anos, elaborando diagnósticos, buscando capacitação e assumindo compromissos públicos ambiciosos. Confira alguns exemplos reais em “O que as empresas da construção civil estão fazendo para evoluir no ESG?”
O CTE possui um conjunto robusto de soluções de consultoria para auxiliar as empresas em suas jornadas de adesão aos princípios ESG. Entre elas, destacam-se consultoria para definição e implementação de estratégias ESG alinhadas aos objetivos do negócio e a certificação ON!ESG by CTE, que avalia a maturidade das organizações nos pilares ambiental, social e de governança. Trata-se de uma forma tangível de demonstrar o compromisso da sua empresa em relação às questões ESG.
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Jogo rápido: perguntas frequentes sobre ESG
O que é ESG e qual é a diferença em relação à sustentabilidade tradicional?
ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança). Enquanto o conceito tradicional de sustentabilidade costuma focar em ações de preservação do meio ambiente, o ESG expande essa visão ao integrar o cuidado ambiental às relações humanas, à responsabilidade social e às boas práticas de gestão corporativa.
Por que a agenda ESG se tornou uma prioridade para empresas de todos os portes?
A adoção do ESG deixou de ser um diferencial voluntário e passou a ser uma exigência de sobrevivência e competitividade no mercado. Empresas com práticas socioambientais e de governança bem consolidadas obtêm benefícios diretos, tais como:
- Ganho de reputação e imagem institucional: fortalecimento da marca perante clientes, parceiros e a comunidade.
- Atração e retenção de talentos: preferência de profissionais por empresas com propósitos claros e ambientes inclusivos.
- Acesso facilitado ao capital: bancos, fundos de investimento e linhas de crédito concedem melhores condições e juros reduzidos para negócios com baixos riscos socioambientais.
- Mitigação de riscos organizacionais: prevenção contra penalidades regulatórias, acidentes ambientais, escândalos éticos e passivos trabalhistas.
Como o ESG se aplica na prática da construção civil e do setor imobiliário?
A agenda ESG atua na redução dos impactos ambientais do canteiro de obras e na valorização dos empreendimentos no mercado:
- E (Environmental): Descarbonização dos materiais, gestão e reciclagem de resíduos da construção civil, eficiência energética, uso racional da água, métodos construtivos industrializados/offsite e busca por certificações ambientais (como LEED, AQUA-HQE, EDGE e WELL).
- S (Social): Rigor na saúde e segurança dos trabalhadores no canteiro de obras, ergonomia, ações de inclusão de mão de obra, treinamento contínuo e mitigação dos impactos da obra na vizinhança e na comunidade do entorno.
- G (Governance): Conformidade com normas técnicas e regulamentadoras (como a ABNT NBR 15575, PBQP-H e ISOs), rastreabilidade da cadeia de fornecedores, combate à informalidade e governança transparente com investidores e compradores.
Como uma empresa pode começar a implementar práticas ESG em sua rotina?
A implementação deve ser gradual e alinhada à realidade do negócio. As etapas fundamentais incluem:
- Diagnóstico e Matriz de Materialidade: Identificar quais temas ESG são mais relevantes e causam maior impacto no setor da sua empresa.
- Engajamento da liderança: Garantir que a alta gestão esteja comprometida em transformar o ESG em cultura corporativa e não apenas em um discurso de marketing.
- Definição de metas e indicadores (KPIs): Estabelecer objetivos mensuráveis (ex.: reduzir o consumo de papel/energia em X%, aumentar a diversidade na liderança em Y%).
- Plano de ação e monitoramento: Criar rotinas de acompanhamento e envolver os colaboradores na execução das iniciativas.
- Transparência e comunicação: Divulgar periodicamente os resultados e os avanços em relatórios claros e checáveis, evitando o greenwashing.


