Conforto ambiental e eficiência energética em hospitais: estratégias para bem-estar e sustentabilidade

Instalações de saúde são organizações de alta complexidade que funcionam 24 horas por dia, concentram equipamentos sensíveis, equipes numerosas e usuários em condição de vulnerabilidade. Nesse contexto, conforto ambiental e eficiência energética deixam de ser apenas atributos de projeto e passam a ser fatores estratégicos de gestão, operação e mitigação de riscos.

O conforto ambiental está diretamente associado ao bem-estar dos usuários, reduzindo estresse e ansiedade. Já a eficiência energética relaciona-se à redução de custos operacionais, à sustentabilidade ambiental e à resiliência diante de crises energéticas.

O que é conforto ambiental?

O conforto ambiental pode ser definido como o estado de satisfação física e psicológica que uma pessoa sente em um espaço. Ele envolve três dimensões principais: térmica, lumínica e acústica

É importante compreender que os requisitos de desempenho térmico, lumínico e acústico não são independentes, mas inter-relacionados. “O projeto de uma instalação hospitalar deve considerar esses três aspectos de forma integrada, buscando soluções que otimizem o desempenho em todas as áreas”, explica Andrea Destefani, consultora de acústica do CTE.

Eficiência energética em hospitais

Os hospitais apresentam intenso consumo energético por conta de sistemas de climatização, iluminação, equipamentos médicos e operação contínua.

Por isso, a ausência de uma abordagem integrada de projeto e operação pode gerar uma série de efeitos colaterais, como:

  • Sistemas superdimensionados ou ineficientes;
  • Consumo de energia acima do previsto;
  • Aumento de custos operacionais ao longo do tempo;
  • Dificuldade em atingir metas ESG (Environmental, Social and Governance) e compromissos de sustentabilidade.

A eficiência energética em hospitais não é, portanto, apenas uma questão ambiental. Trata-se de uma decisão financeira e estratégica.

Segundo Andrea Destefani, uma abordagem integrada de conforto ambiental e eficiência energética em hospitais resulta em ganhos claros para a gestão da instalação, como:

  • Redução de custos operacionais e de manutenção;
  • Maior previsibilidade financeira;
  • Melhoria das condições de trabalho e da produtividade das equipes;
  • Melhor experiência para pacientes e acompanhantes;
  • Mitigação de riscos jurídicos e regulatórios;
  • Alinhamento com estratégias ESG e de sustentabilidade.

Os problemas mais frequentes em ambientes hospitalares

Apesar de toda evolução tecnológica na área da saúde, diversos estudos mostram que problemas de conforto ambiental ainda são recorrentes nessas instalações. A seguir, a consultora Andrea Destefani destaca os mais relevantes:

  • Ruído excessivo: níveis em UTIs e áreas assistenciais superam frequentemente os limites recomendados, chegando a valores acima de 60 dB(A). Tal índice de ruído está associado a estresse, privação de sono, falhas de comunicação e queda de desempenho cognitivo.
  • Desconforto térmico: climatização mal dimensionada gera zonas frias ou quentes, correntes de ar indesejadas e baixa adaptabilidade. O impacto desse problema recai diretamente sobre pacientes, acompanhantes e profissionais.
  • Iluminação inadequada: ausência de luz natural ou uso incorreto da iluminação artificial causa cansaço visual, desorientação temporal e aumento de erros operacionais. Ambientes sem controle de ofuscamento ou sem adequação ao ciclo circadiano afetam diretamente a recuperação dos pacientes.

Conforto ambiental e eficiência energética em hospitais: como melhorar?

Grande parte desses problemas pode ser evitada ou mitigada nas fases iniciais de projeto, com impacto positivo direto na operação.

Quando a intenção é garantir conforto térmico, três ações interessantes são: 

  • Definir zonas térmicas conforme uso e ocupação
  • Adotar envoltórias eficientes, sombreamento e controle de ganho de cargas térmicas.
  • Dimensionar adequadamente os sistemas de climatização com base em desempenho real.

Já visando melhorar o conforto lumínico, algumas práticas recomendadas por Destefani são:

  • Aproveitar a luz natural com controle de ofuscamento.
  • Adotar iluminação artificial ajustada às atividades e aos períodos do dia.
  • Instalar sistemas de controle e automação para redução de consumo energético.

Para prover melhores condições de conforto acústico, algumas sugestões da consultora do CTE são:

  • Setorização funcional com zonas de silêncio.
  • Uso de materiais e soluções construtivas com desempenho acústico adequado.
  • Tratamentos acústicos integrados à arquitetura, evitando soluções corretivas posteriores.

Consultoria especializada em conforto e eficiência

“Ambientes hospitalares não admitem decisões baseadas apenas em referências genéricas ou em soluções padrão. Cada hospital possui usos específicos, padrões operacionais próprios e perfis distintos de ocupação e equipamentos. Por isso, a consultoria especializada em conforto ambiental e eficiência energética, aliada às simulações computacionais de desempenho, é essencial”, comenta Andrea Destefani. Ela conta que essas simulações permitem:

  • Prever o comportamento real dos ambientes ao longo do ano;
  • Comparar alternativas de projeto antes da execução;
  • Otimizar o desempenho com menor custo global;
  • Reduzir riscos técnicos, jurídicos e operacionais;
  • Embasar decisões com dados e evidências técnicas.

Além disso, os estudos funcionam como documentação estratégica para auditorias, certificações e processos regulatórios. “Investir em consultoria especializada e em simulações de desempenho é investir em gestão de risco, eficiência operacional e decisões estratégicas baseadas em dados, desde o projeto até a fase de uso do edifício”, afirma Destefani.

Certificações ambientais aplicadas a hospitais

Certificações ambientais garantem credibilidade, evitam práticas de greenwashing e asseguram que critérios objetivos sejam cumpridos por meio de auditorias independentes. Além dos benefícios ambientais, elas trazem vantagens econômicas e sociais, como redução de custos operacionais, atração de investimentos e fortalecimento da reputação institucional.

Há várias certificações ambientais aplicáveis a hospitais. Entre elas:

  • LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) — Certificação mais utilizada no mundo. Avalia uso de água, energia, materiais, qualidade ambiental interna e inovação.
  • EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies) — Criada pelo IFC, é ágil e acessível, focada em energia, água e carbono incorporado.
  • WELL — Voltada a ambientes saudáveis, é aplicável a edificações novas e existentes. Exige documentação, auditoria presencial e testes de qualidade da água e do ar, com critérios obrigatórios.
  • AQUA-HQE — Prioriza uso racional de água e energia e conforto dos usuários, com auditorias presenciais durante projeto e obra.
  • Fitwel — Referência em saúde e bem-estar, reúne mais de 70 estratégias que somam pontos. Embora seja mais comum em ambientes corporativos e residenciais, o Fitwel também pode ser aplicado em hospitais e unidades de saúde.

Conclusão

Neste artigo, você pode perceber que conforto ambiental e eficiência energética em hospitais são pilares fundamentais para o bom funcionamento da operação, para a sustentabilidade financeira e para garantir a qualidade assistencial.O CTE presta consultoria para o desenvolvimento de empreendimentos sustentáveis de alto desempenho, propondo soluções técnicas e introduzindo inovações em projetos de diferentes portes. Entre em contato com os nossos especialistas e saiba mais sobre como melhorar o conforto ambiental e a eficiência energética em instalações de saúde.

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