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Sustentabilidade na Construção Civil: conceitos e tendências

26 de novembro de 2020

A busca por um modelo de construção mais sustentável é um desafio enorme para quem desenvolve, constrói e opera edificações. Responder à exigência da sociedade por edifícios que causem menos impactos ao ambiente requer de todos os profissionais da cadeia empenho, conhecimento e o uso de tecnologias.

Nos últimos anos, muito foi falado sobre a sustentabilidade na construção, algo mais do que justificado. Afinal, a atividade de construir é uma das que mais consomem recursos naturais, gera mudanças no solo e é intensa geradora de resíduos e de CO2. De acordo com o CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), o setor consome 75% dos recursos naturais, 20% da água nas cidades, e gera 80 milhões de toneladas/ano de resíduos.

O artigo de hoje pretende oferecer uma visão ampla e didática sobre esse tema tão importante, quanto fascinante. Continue conosco e tenha uma ótima leitura!

Sustentabilidade em diferentes etapas

Há muitas definições de sustentabilidade ambiental. Segundo a Agenda 21 (documento resultado da Conferência das Nações Unidas Rio-92), trata-se de uma relação entre padrões de consumo e produção de maneira que sejam reduzidos os impactos ambientais, o esgotamento dos recursos naturais e a poluição.

No caso da construção civil, esse conceito deve permear as diferentes etapas do desenvolvimento dos empreendimentos, desde sua concepção, passando pela construção, reciclagem ou demolição, considerando todo o longo período de uso e operação.

  • No desenvolvimento do projeto — A concepção do edifício deve almejar o conforto dos usuários gerando o mínimo impacto ambiental possível. Devem ser considerados aspectos como: características do terreno e do clima no qual a construção se insere, forma e orientação do edifício, insolação, altitude, paisagem natural e entorno construído, assim como os aspectos de eficiência operacional.
  • No canteiro de obras — As obras devem dispor de um plano de gestão sustentável que diminua os efeitos negativos provocados por suas atividades. O plano  precisa incorporar  soluções para reduzir a pressão sobre os aterros sanitários em função do descarte de resíduos. Nesse ponto, parece fazer muito sentido aderir a sistemas construtivos industrializados.
  • Na ocupação do edifício — A gestão de um edifício deve buscar sempre a eficiência energética, o uso racional da água e a reciclagem de resíduos. A introdução de sistemas para monitoramento do consumo de água, energia e gás é uma estratégia inteligente para municiar os gestores de informações para uma tomada de decisão ágil diante de comportamentos fora do padrão.

Os benefícios da construção sustentável

O conceito de construção sustentável está vinculado a várias vantagens, tanto para as construtoras, quanto para a sociedade. Entre elas, é possível destacar:

  • Qualidade ambiental dos espaços, com melhoria da saúde dos ocupantes, aumento de produtividade e redução de absenteísmo;
  • Menor consumo de energia (iluminação e climatização);
  • Redução do uso e de extração de matéria-prima;
  • Diminuição do volume de resíduos sólidos gerados e da pressão sobre os aterros;
  • Redução de emissões de gás carbônico;
  • Menos impacto ambiental da construção sobre o meio ambiente e sobre as comunidades vizinhas;
  • Desenvolvimento de empreendimentos e de cidades saudáveis para os seus usuários;
  • Maior retorno financeiro do investimento e redução de custos operacionais. A incorporação de práticas de sustentabilidade aumenta o valor do imóvel e o poder de revenda. Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) detectou que selo LEED, independente de outros fatores como localização e tamanho de laje, valoriza o metro quadrado no aluguel de 4% a 8%. Além disso, as construções certificadas registram taxa de vacância menor do que edificações similares não certificadas;
  • Ajuda a classificar o ativo imobiliário como ESG (Environmental, Social and Governance).

6 práticas recomendadas para edificações mais sustentáveis

  • Investimento nas etapas iniciais de concepção de projeto. Elas influenciam diretamente o impacto ambiental e o desempenho do edifício ao longo de toda sua vida útil;
  • Seleção criteriosa de fornecedores. O contratante deve verificar a formalidade da empresa fabricante e fornecedora, incluindo também questões sociais. A existência de um fornecedor na lista de empresas que utilizaram mão de obra infantil ou escrava, por exemplo, o desqualifica como fornecedor sustentável;
  • Preferência por materiais locais, com baixa toxicidade e baixa pegada ambiental;
  • Diminuição no consumo de combustível. Um bom planejamento de obra permite reduzir o transporte de materiais. Menos deslocamento significa menos consumo de combustível e menos emissões de poluentes.
  • Uso racional de água e energia. Nesse campo, há uma infinidade de estratégias que podem proporcionar bons resultados. Elas vão desde a redução da demanda desses recursos nos edifícios, à utilização de fontes alternativas (energia solar, coleta de água pluvial, por exemplo).
  • Implantação de tecnologias para otimizar a operação. Sensores, medidores e dispositivos inteligentes interligados por redes de comunicação robustas são capazes de adicionar uma camada de inteligência e transformar edifícios em smart buildings. Com isso, é possível poupar recursos e aumentar a rentabilidade, sem comprometer o conforto do usuário.

Certificações sustentáveis

Nos últimos anos, o setor avançou bastante no desenvolvimento de projetos, materiais, sistemas e tecnologias para atender aos conceitos e diretrizes da construção sustentável.

Nesse ciclo evolutivo, Roberto de Souza, CEO do CTE, cita as iniciativas de certificação no país, inicialmente voltadas para edifícios corporativos, mas que já se estendem para diversas outras tipologias.

“A temática da sustentabilidade nos empreendimentos se popularizou. Tanto é que hoje,  certificamos desde um pequeno espaço comercial, até um projeto de urbanização com milhões de metros quadrados, passando por conjuntos habitacionais populares”, acrescenta Rafael Lazzarini, diretor da Unidade de Sustentabilidade do CTE. Mais recentemente, esse movimento chegou aos empreendimentos residenciais, impulsionado pelo desenvolvimento de selos como o EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies).

Exemplos de sucesso

Já há no Brasil aproximadamente 1.800 empreendimentos sustentáveis, certificados ou em processos de certificação, considerando os dois principais modelos de certificação ambiental para empreendimentos em vigor no País: o LEED e o Processo AQUA.

Centro de Pesquisa & Inovação da L’Oréal Brasil.

Entre os empreendimentos que se sobressaem por incorporar estratégias de sustentabilidade estão o Centro de Pesquisa e Inovação da L’Oréal Brasil, que conquistou o LEED na tipologia Operações e Manutenção na categoria Platinum, e o Faria Lima 3500 que obteve o LEED EB O+M (Operação e Manutenção) Platinum em 2019.

Outros destaques, entre os mais de 300 projetos certificados com o suporte do CTE, são o Bosque da Serra (um dos primeiros empreendimentos certificados Edge no Brasil) e a Sede Administrativa da Piracanjuba, em Goiânia, um dos dez prédios com melhor avaliação no mundo na categoria LEED New Construction.           

A Unidade Sustentabilidade do CTE oferece consultoria para o desenvolvimento de empreendimentos sustentáveis de alta performance, com proposição das melhores soluções técnicas e introdução de inovações tecnológicas em projetos de pequeno, médio e grande porte. Entre em contato conosco para saber mais!

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