Uma tendência que vem se consolidando nos últimos anos, e que ganhou ainda mais força desde a pandemia de Covid-19, é a valorização do design biofílico. Trata-se da criação de ambientes que favorecem a conexão dos usuários com a natureza por meio de elementos naturais, orgânicos ou mesmo urbanos, desde que atóxicos.
A biofilia surge como resposta ao distanciamento excessivo entre o ser humano e a natureza provocado pela urbanização. O conceito se baseia na reintrodução de elementos naturais nos espaços construídos, entendendo que tal integração é crucial para a saúde e o bem-estar das pessoas, tanto em ambientes de trabalho, quanto em residências.
O que é biofilia?
A biofilia começou a se popularizar nos anos 1980, a partir das pesquisas do norte-americano Edward O. Wilson, professor da Universidade de Harvard. Em seus estudos, Wilson destacou a afinidade biológica dos seres humanos com a natureza e os espaços verdes.
O design biofílico é a aplicação prática desse conceito na arquitetura e nos interiores. Ele integra elementos naturais aos ambientes construídos, promovendo saúde, bem-estar e produtividade. O design biofílico vai além da simples inserção de plantas: envolve luz natural, ventilação, água, materiais orgânicos e formas inspiradas na natureza.
Quais são os benefícios da biofilia nos espaços construídos?
Ao aproximar as pessoas da natureza, a biofilia gera impactos positivos em diferentes dimensões:
- Saúde e bem-estar — A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que espaços verdes e azuis (como jardins e fontes de água) reduzem o estresse e melhoram a saúde mental.
- Produtividade — Ambientes biofílicos reduzem o absenteísmo e aumentam a concentração, a criatividade e o desempenho cognitivo. O relatório Human Spaces: O Impacto Global de Design Biofílico no Local de Trabalho mostrou que colaboradores em ambientes com elementos naturais têm níveis de bem-estar até 15% superiores. Estudos da CBRE, por sua vez, indicam maior retenção de talentos e engajamento em empresas que adotam esse tipo de design.
- Recuperação física — O tempo de recuperação dos pacientes é abreviado em hospitais com vistas para jardins ou presença de natureza.
- Conexão emocional — Espaços que remetem à natureza geram sensação de pertencimento e acolhimento.
- Sustentabilidade — Práticas como telhados verdes e aproveitamento da iluminação natural contribuem para a eficiência e a preservação ambiental.
- Valorização imobiliária — Edifícios que aplicam biofilia são mais atraentes para usuários e investidores.
Como aplicar biofilia nos espaços construídos?
Além da vegetação, o design biofílico pressupõe a preferência por materiais naturais em revestimentos (madeiras, rochas, fibras), o uso de cores suaves, a valorização de formas orgânicas substituindo padrões quadrados com arestas ou cantos, e a oferta de vistas amplas para a natureza.
Quando a preocupação é seguir os princípios da biofilia, dois aspectos devem ser trabalhados cuidadosamente: o aproveitamento da luz natural e a garantia de ar limpo para os usuários. Além disso, é fundamental permitir que as pessoas tenham noção das condições climáticas externas, reforçando a conexão com a natureza. Uma prática recomendada, especialmente em escritórios de alto desempenho, é a utilização de sistemas de iluminação circadiana que mudam ao longo do dia, refletindo o movimento natural do sol. O objetivo é alinhar a iluminação ao ritmo circadiano das pessoas, reduzindo a fadiga e melhorando a qualidade do sono.
Em residências, algumas estratégias para conectar o design à natureza são a construção de fachadas verdes, jardins internos, uso de madeira aparente, além de grandes aberturas para a entrada de luz solar e de ventilação natural.
Cuidados necessários ao implementar biofilia
A gestão de facilidades tem papel decisivo na garantia do sucesso de projetos de design biofílico. Alguns desafios a serem superados na rotina de operação dos edifícios são a necessidade de compatibilizar o aproveitamento da luz natural com as questões de eficiência energética, especialmente em países tropicais, e de assegurar ótima qualidade de ar interno. Para isso, uma recomendação é se valer de tecnologias para monitoramento dos níveis de poluentes internos e dióxido de carbono (CO₂).
A introdução de jardins verticais e outras ações para levar vegetação para dentro dos ambientes também impacta a operação. Uma prática salutar, pensando tanto na redução com custo de manutenção, quanto na sustentabilidade, é privilegiar espécies de fácil adaptação, que demandem pouca irrigação.
Biofilia e certificações sustentáveis
Ao promover ambientes que colaboram para a saúde e o bem-estar dos ocupantes, o design biofílico é valorizado por certificações ambientais internacionais como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), WELL e Fitwel. Embora não apareça como crédito isolado, a biofilia permeia diversas categorias avaliadas para a conquista desses selos. Entre elas, qualidade ambiental interna, eficiência energética e inovação.
Líder em consultoria de sustentabilidade, o CTE possui, em seu portfólio, diversos cases de empreendimentos certificados que incorporaram os princípios biofílicos. Entre eles, podemos citar:
- Edifício Bioma (São Paulo) — Certificado com o selo GBC Condomínio, o empreendimento da Nortis Incorporadora conta com elementos que remetem à materialidade da natureza, como brises de madeira e floreiras com espécies nativas.
- Sede do CTE (São Paulo) — Projetado pelos arquitetos do escritório Superlimão, o escritório incorpora princípios biofílicos, sendo certificado com o LEED Gold (Interiores) e o LEED Platinum (Operação & Manutenção). O design de interiores foi inspirado nos quatro elementos da natureza (água, terra, ar e fogo), utilizando os materiais em sua forma mais natural.
- Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (São Paulo) — Vencedor de vários prêmios de arquitetura e certificado com o LEED (BD+C), o edifício levou a natureza para os interiores por meio de um átrio que garante farta entrada de luz natural e de um bosque com espécies da Mata Atlântica.
O CTE desenvolve estratégias inovadoras para aprimorar o conforto ambiental das edificações, aplicando soluções de arquitetura bioclimática e de sistemas prediais baseadas em análises paramétricas e simulações avançadas. Nosso objetivo é garantir ambientes mais saudáveis, produtivos e eficientes, agregando valor real a cada projeto. Fale conosco e descubra como podemos transformar projetos com inteligência e sustentabilidade!
Autor
Juliana Nakamura
Jornalista formada pela PUC-SP, com pós-graduação em Mídias Digitais. Com mais de vinte anos de experiência, atuou em diversos veículos de comunicação, como O Estado de S. Paulo, UOL, Editora Pini e Casa Vogue. Especializada na cobertura de temas ligados à construção civil, mercado imobiliário, arquitetura e urbanismo, também desenvolve conteúdo para entidades setoriais e empresas. Desde 2020, colabora com CTE.


