A acústica aplicada à arquitetura é um componente essencial para o desempenho das edificações, responsável por controlar a propagação e o comportamento do som em diferentes tipos de espaços. Seja qual for a tipologia de construção, pensar na acústica não é apenas uma questão técnica: trata-se de projetar ambientes que ofereçam conforto, privacidade e qualidade de vida. Garantir um desempenho acústico adequado, nesse contexto, é um desafio que exige equilibrar estética, funcionalidade e atendimento às normas técnicas.
O que é acústica na arquitetura?
Andrea Destefani, consultora de acústica no CTE, explica que a acústica na arquitetura é uma área do conhecimento que estuda como o som se comporta em diferentes tipos de ambientes e como o design pode ser utilizado para controlar esse comportamento.
Ela é fundamental, por exemplo, em espaços comerciais, corporativos, culturais e educacionais, ao garantir a produtividade das equipes, assegurar a inteligibilidade da fala e prevenir problemas de concentração e de sobrecarga mental.
Já em edifícios residenciais, a acústica na arquitetura é essencial para assegurar privacidade e tranquilidade aos moradores durante momentos de descanso, além de evitar conflitos com vizinhos.
Impactos do ruído na saúde e produtividade
Embora a importância da acústica na arquitetura seja indiscutível, garantir ambientes com boa qualidade ainda é um desafio. Tanto é que o excesso de ruídos é uma das grandes causas de reclamações dos usuários de espaços edificados.
Vale lembrar que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS):
- Ruídos acima de 65 dB comprometem a comunicação e a concentração, afetando a produtividade.
- Níveis superiores a 85 dB são prejudiciais à saúde, podendo causar distúrbios do sono, redução do desempenho físico e mental, estresse, agressividade e desconforto geral.
Princípios fundamentais da acústica na arquitetura

A acústica na arquitetura se baseia em alguns princípios que precisam ser equilibrados quando o objetivo é oferecer experiências sonoras de qualidade. Entre eles, podemos destacar:
Isolamento acústico
Consiste no controle da transmissão do som entre diferentes ambientes para a entrada de ruídos externos e a transmissão entre áreas internas.
Para isolar acusticamente um ambiente, podem ser utilizadas paredes com sistemas mais densos como alvenarias, ou sistemas leves como o drywall.
“É fundamental que esses elementos sejam especificados e executados adequadamente. O drywall, por exemplo, possui diversas configurações, de acordo com os montantes metálicos, a quantidade de placas e os preenchimentos em lãs minerais que podem ser aplicados”, destaca Andrea Destefani.
Absorção sonora
Processo pelo qual materiais específicos capturam e reduzem a energia do som, em vez de refleti-la de volta para o ambiente.
A absorção é obtida com a especificação de materiais porosos e leves, como tecidos, espumas e painéis perfurados.
“Durante o projeto, cada ambiente deve passar por avaliação e simulação, a fim de determinar o tipo de material, a quantidade e o posicionamento desses elementos no ambiente, conforme o uso e o volume interno de cada espaço ocupado”, salienta a consultora do CTE.
Difusão sonora
Refere-se à dispersão das ondas sonoras, quebrando reflexões diretas. Com isso, cria-se um campo sonoro mais equilibrado, essencial em espaços como estúdios, auditórios, igrejas e salas de concerto.
A difusão sonora pode ser obtida por meio de soluções diversas, como os painéis com padrões irregulares que distribuem o som em várias direções.
Reflexão sonora
Acontece quando as ondas sonoras são refletidas por superfícies. Em ambientes de escuta sensível, como salas de concerto, uma reflexão controlada pode enriquecer a experiência auditiva, oferecendo maior alcance e envolvimento da plateia.
Geralmente, materiais com superfícies rígidas, lisas e densas favorecem a reflexão sonora, a exemplo do vidro e do concreto.
Principais tipos de ruídos nas edificações
A busca pela melhor solução acústica na arquitetura precisa estar alinhada às causas geradoras de ruídos. De modo geral, em edificações, essas fontes podem estar relacionadas a:
Ruídos aéreos externos
Mais comuns em construções instaladas em áreas urbanas densamente ocupadas. Costumam ser contornados com alterações no layout e com a construção de fachadas robustas, com vidros e esquadrias acústicas.
Ruídos aéreos internos
Acontecem quando um vizinho ouve conversas em corredores e em cômodos contíguos. A solução para esse inconveniente passa pelo uso de divisórias internas acústicas entre ambientes, pelo layout, bem como pelo uso de materiais adequados em forros, pisos e paredes.
Ruídos de equipamentos
São fruto da operação de máquinas como elevadores, geradores e exaustores. Sua mitigação requer ações múltiplas, desde a escolha de equipamentos mais eficientes, até a inserção de isolamentos pontuais.
Ruídos de impacto
São transmitidos entre pisos em edificações multipavimentos e podem ser atenuados com o uso de lajes mais espessas, contrapisos flutuantes e revestimentos capazes de atenuar o impacto.
Ruídos hidrossanitários
Consistem no barulho causado pela movimentação de fluidos em tubulações de água e esgoto. Para minimizá-los é necessário realizar um projeto que evite a passagem de condutores por cômodos mais silenciosos e preveja instalações com menos emendas, desvios abruptos e estrangulamentos, assim como tubulações especiais ou revestidas.
Norma de Desempenho e referências técnicas

Além da especificação de materiais e equipamentos que colaborem no atendimento de níveis aceitáveis de ruído, uma condição elementar para garantir boa performance acústica na arquitetura é contar com projetos que atendam às normas técnicas.
Uma referência importante, nesse sentido, é a ABNT NBR 10.152 Acústica — Níveis de pressão sonora em ambientes internos em edificações. O texto estabelece níveis sonoros compatíveis com o conforto acústico para diferentes tipos de ambientes.
Também merece destaque a ABNT NBR 15.575 Edificações habitacionais — Desempenho, que determina parâmetros e critérios a serem atendidos pelas edificações habitacionais.
Essa norma traz requisitos térmicos, lumínicos e acústicos fundamentais para garantir o desempenho ambiental nas edificações. Falamos mais sobre essas exigências neste artigo. Não deixe de ler!
Como garantir desempenho acústico desde o projeto?
Andrea Destefani, consultora de acústica no CTE, ressalta que os requisitos de desempenho térmico, lumínico e acústico não são independentes, mas inter-relacionados. “O projeto precisa, portanto, considerar esses três aspectos de forma integrada, buscando soluções que otimizem o desempenho em todas as áreas”, diz a especialista.
Ao lado de Erica Martins, consultora de conforto ambiental e eficiência energética no CTE, ela produziu o e-book “Norma de Desempenho: como atender aos requisitos de desempenho térmico, lumínico e acústico”. A publicação, com abordagem didática e objetiva, está disponível para download gratuito.
O CTE possui um portfólio de soluções completo que inclui a realização de simulações e de consultoria integrada para atendimento aos requisitos de desempenho térmico, lumínico e acústico segundo a Norma de Desempenho. Entre em contato para falarmos mais a respeito!
Autor
Juliana Nakamura
Jornalista formada pela PUC-SP, com pós-graduação em Mídias Digitais. Com mais de vinte anos de experiência, atuou em diversos veículos de comunicação, como O Estado de S. Paulo, UOL, Editora Pini e Casa Vogue. Especializada na cobertura de temas ligados à construção civil, mercado imobiliário, arquitetura e urbanismo, também desenvolve conteúdo para entidades setoriais e empresas. Desde 2020, colabora com CTE.



