Nos últimos anos, uma transformação silenciosa tem ocorrido no mercado de alto padrão. A ideia de luxo, tradicionalmente associada à ostentação de riqueza, vem sendo substituída pelo conceito de luxo invisível, que valoriza a experiência, a autenticidade, o propósito e o bem-estar como expressões máximas de sofisticação. Impulsionam essa mudança movimentos como o quiet luxury e o minimalismo, que priorizam a essência e a vivência, em detrimento da aparência.
No mercado imobiliário, isso se traduz em empreendimentos promotores de sensações de bem-estar, responsabilidade socioambiental, espaços humanizados e uma relação mais saudável com a cidade. Todas essas características estão diretamente relacionadas à adoção de práticas de responsabilidade ambiental, social e de governança (ESG), como você pode conferir a seguir:
Qual é a relevância do ESG no mercado imobiliário de alto padrão?
A adoção de práticas ESG no setor imobiliário tem se mostrado estratégica. Além de ajudar a atender exigências regulatórias, essas ações agregam valor ao imóvel e atraem investidores preocupados com impacto social e ambiental. Alguns dados corroboram isso:
- Uma pesquisa realizada em 2025 pela ADIT Brasil (Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil) e pela Brain mostrou que 50% dos desenvolvedores de empreendimentos imobiliários e turísticos obtiveram algum retorno financeiro com a adoção de iniciativas de sustentabilidade. O estudo também mostrou que, para 58% dos participantes, as ações ESG agregam valor ao metro quadrado de seus empreendimentos. A percepção sobre o impacto positivo do ESG se estende ao consumidor final: 53% das empresas acreditam que seus clientes estão dispostos a pagar mais por projetos que demonstrem compromisso com a sustentabilidade.
- Em 2022, 71% das incorporadoras já adotavam práticas ESG e 29% estavam em fase de implementação, segundo estudo da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) em parceria com o CTE.
- De acordo com um levantamento da Offerwise, 29% dos compradores nas principais capitais brasileiras estariam dispostos a pagar mais caro por imóveis sustentáveis.
Práticas socioambientais que geram valor no mercado de luxo
Construtores e incorporadores podem adotar uma série de estratégias para garantir que seus produtos imobiliários tenham um desempenho ambiental e social alinhado com as expectativas de seus clientes.
Essas ações podem se dar tanto na esfera do projeto/empreendimento, quanto no âmbito corporativo.
Estratégias ESG na esfera do empreendimento
Certificações ambientais — No mercado de alto padrão, as certificações ambientais de empreendimentos como LEED, AQUA-HQE e EDGE funcionam como um elemento de diferenciação em função da credibilidade conferida pela avaliação de terceira parte. Ao adotar critérios públicos pré-estabelecidos, esses selos agregam mais do que ganhos ambientais e redução da pegada de carbono. Eles também oferecem benefícios, como redução de custos operacionais, decorrente da maior eficiência energética e hídrica, e acesso a financiamento verde.
Em São Paulo, as torres residenciais do Parque Global, por exemplo, foram certificadas com o selo AQUA-HQE.
Promoção de saúde e bem-estar — Nessa mesma linha, há as certificações wellness, como Fitwel e WELL, voltadas à saúde e ao bem-estar dos usuários. Esses selos estabelecem padrões mínimos de qualidade dos espaços, compreendendo questões de saúde mental, qualidade do ar e da água, promoção de atividade física, além de conforto térmico, lumínico e acústico.
Os dois edifícios residenciais que compõem o All Resort, no litoral catarinense, foram certificados com o selo Fitwel. Para tanto, o empreendedor adotou uma série de ações, incluindo a realização de testes periódicos para verificação da qualidade do ar e da água e a manutenção de uma horta comunitária.
Descarbonização dos projetos — Reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida das edificações é essencial em um contexto ESG. Nesse sentido, tornam-se fundamentais estratégias como a especificação de materiais com baixo carbono e a adoção de ações visando maximizar a eficiência energética e hídrica.
Áreas verdes e design biofílico — A inserção de verde nos empreendimentos já vinha se tornando requisito básico em empreendimentos de alto padrão. Mais recentemente, a essa tendência se juntou a biofilia, conceito que visa reconectar as pessoas com a natureza dentro dos ambientes construídos. O design biofílico explora o uso de materiais naturais, especialmente a madeira, as formas orgânicas e os tons que remetem aos elementos da natureza.
Projetos com impacto positivo no entorno urbano — Quando falamos em responsabilidade ambiental e social, não faz o menor sentido desenvolver um empreendimento dissociado da localidade onde ele se insere. Nesse ponto, uma prática recomendada é criar produtos imobiliários que tenham uma interação saudável com a cidade.
Outra ação positiva é a busca por certificações aplicáveis às áreas externas, comunidades, bairros e loteamentos, a exemplo do LEED for Cities & Communities, do Fitwel Community e do Sustainable Sites.
Com paisagismo exuberante, o complexo O Parque, em São Paulo, é um exemplo de empreendimento certificado com o selo Sustainable Sites. Neste artigo, falamos mais sobre isso.

Estratégias ESG no âmbito corporativo
Certificações ESG para empresas — Cada vez mais valorizadas por investidores, consumidores, parceiros e reguladores, as certificações ESG demonstram o compromisso das empresas com práticas sustentáveis, éticas e responsáveis. Acessível para companhias de diferentes portes e graus de maturidade na jornada ESG, a Certificação ON!ESG foi desenvolvida pelo CTE como um processo evolutivo, que reconhece o esforço das organizações que desenvolvem, de forma estruturada, ações ambientais, sociais e de governança. No mercado imobiliário, incorporadoras que atuam no segmento de luxo, a exemplo da Lindenberg, foram certificadas com esse selo.
Comunicação transparente — A produção de relatórios ESG é essencial para garantir transparência, credibilidade e progresso mensurável na jornada de sustentabilidade das organizações. Esses documentos funcionam como uma ponte entre as ações internas e a percepção externa, fortalecendo a confiança de investidores, clientes e reguladores.
Para as empresas que querem se diferenciar por suas práticas de responsabilidade ambiental, social e de governança, é altamente recomendada a elaboração de relatórios anuais de sustentabilidade e de ESG, bem como de relatórios de emissões de gases de efeito estufa.
ESG no mercado imobiliário de alto padrão: em síntese
Em um cenário onde o luxo se define pela autenticidade, bem-estar e impacto positivo, o ESG emerge como um vetor estratégico para o mercado imobiliário de alto padrão.
Mais do que atender às exigências regulatórias, as práticas de responsabilidade ambiental, social e de governança agregam valor tangível aos empreendimentos, fortalecem a reputação das empresas e respondem às expectativas de um consumidor cada vez mais consciente.
Ao incorporar soluções sustentáveis, certificações reconhecidas e ações de transparência, construtoras e incorporadoras não apenas se posicionam como líderes de mercado, mas também como agentes de transformação urbana e social.
O CTE é líder em consultoria em sustentabilidade para a construção civil, com mais de três décadas de atuação e um vasto portfólio de soluções, incluindo certificações green buildings. O CTE também oferece consultoria, auditoria e capacitação de empresas para implementação de estratégias ESG. Para se ter uma ideia, mais de 140 empresas já iniciaram a implantação do sistema ESG com o apoio da consultoria do CTE. Clique aqui e saiba mais!
Autor
Juliana Nakamura
Jornalista formada pela PUC-SP, com pós-graduação em Mídias Digitais. Com mais de vinte anos de experiência, atuou em diversos veículos de comunicação, como O Estado de S. Paulo, UOL, Editora Pini e Casa Vogue. Especializada na cobertura de temas ligados à construção civil, mercado imobiliário, arquitetura e urbanismo, também desenvolve conteúdo para entidades setoriais e empresas. Desde 2020, colabora com CTE.


