Os canteiros de obras são locais de produção diretamente relacionados a diversos impactos ambientais. Entre eles é possível citar o intenso consumo de materiais, a produção de ruídos e poeira, a geração de resíduos perigosos, o desperdício de insumos e a contaminação do solo.
Muitos desses aspectos são regulamentados, mas nem todas as empresas se atentam a isso. O resultado são medidas remediativas, autuações, consumo de recursos não previstos, embargos legais e uma imagem negativa da empresa quanto à responsabilidade ambiental.
“Quem desperdiça e polui, gasta mais com a gestão do canteiro de obras. Além disso, a falta de controle socioambiental aumenta o grau de exposição ao risco e os danos para investidores, empresas e outras partes interessadas envolvidas na construção”, alerta Thais Silvério, coordenadora da equipe de obra e sistemas prediais na Unidade de Sustentabilidade do CTE.
Silvério ministra o curso “Gestão de Canteiros Sustentáveis”, disponível na UniCTE – Universidade Setorial da Construção. Com duração aproximada de quatro horas, o conteúdo é indicado a profissionais e empresas interessados em reduzir os impactos ambientais do canteiro de obras, economizar recursos naturais e fazer uma gestão assertiva dos resíduos. Inscreva-se aqui.
O que são os canteiros sustentáveis?
Os canteiros sustentáveis são aqueles que garantem condições salubres para todos os que trabalham no local. Eles também incorporam ações voltadas à garantia da qualidade do ar, a redução de ruídos e da emissão de poeira, além de mitigar qualquer desperdício de água e energia.
Uma característica intrínseca aos canteiros sustentáveis é contar com uma gestão adequada de resíduos. Uma gestão com foco em sustentabilidade permite obter índices como até 5% de resíduos destinados a aterros e 95% de resíduos reciclados.
Como reduzir a geração de resíduos e tornar o canteiro de obras mais sustentável?

A geração de resíduos de construção civil e demolição (RDC) representa aproximadamente 50% do volume total de resíduos gerados no país anualmente, com destino quase total a aterros sanitários. Os dados são do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil produzido pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe).
Faz todo o sentido, portanto, investir em uma gestão de resíduos adequada. Ainda mais sabendo que, em média, 95% do resíduo gerado nos canteiros é considerado classe A ou B, ou seja, é reutilizável ou reciclável.
Nesse sentido, algumas práticas recomendadas são:
- Planeje a obra com foco na redução de desperdícios. Uma prática eficaz é adotar os princípios do Lean na Construção.
- Projete o layout do canteiro de modo a maximizar a produtividade e evitar perdas na movimentação, transporte e armazenamento dos materiais.
- Privilegie o uso de sistemas construtivos industrializados. O volume de resíduos por metro quadrado de área construída pode ser reduzido em até 85% quando utilizadas soluções estruturais industrializadas, como o wood frame e o steel frame.
- Substitua equipamentos e sistemas descartáveis por alternativas de maior durabilidade. Esse princípio pode se aplicar, por exemplo, a tapumes de obras e escoramentos reaproveitados em mais de uma obra.
- Invista no treinamento das equipes para o manejo e a segregação de resíduos por classes e tipos.
- Implante baias bem sinalizadas para segregar e acondicionar materiais.
- Privilegie produtos com baixo impacto ambiental e com embalagens recicláveis.
- Busque constantemente o reúso e a reciclagem de recursos.
- Aproveite ao máximo a logística reversa de materiais.
- Selecione transportadores e destinatários devidamente licenciados para realizar o descarte dos resíduos que não puderem ser recuperados.
- Aproveite resíduos de escavação/demolição para estabilização dos acessos à obra, nivelamento de terreno, valas, etc.
- Faça a britagem dos resíduos no próprio canteiro para comercializá-los ou incorporá-los, sempre que houver espaço disponível.
- Mantenha relacionamento próximo com as cooperativas de reciclagem visando melhorias nos processos.
Outros exemplos de práticas sustentáveis em canteiros
Muitas das ações para tornar o canteiro mais sustentável têm implantação simples. Para diminuir danos à vizinhança, por exemplo, algumas práticas viáveis são a instalação de cercas filtrantes, trincheiras drenantes e lava-rodas para evitar carreamento de materiais para o corpo hídrico.
Já quando o objetivo é evitar a contaminação do solo e da água, medidas simples como o uso de bandejas de contenção oferecem bons resultados. Para reduzir o desperdício de água, uma ação simples é a instalação de hidrômetros em diferentes pontos do canteiro. Ao medir o consumo, esses equipamentos permitem identificar se há vazamentos em áreas de produção e de vivência.
Também é uma medida de fácil implantação a instalação de um sistema de aproveitamento de águas das chuvas em atividades como lava-rodas e aspersão de poeira.
Benefícios da implantação de canteiros sustentáveis
Canteiros sustentáveis trazem resultados para acionistas, colaboradores, meio ambiente, sociedade e gerações futuras. Para as construtoras, os benefícios começam com maior produtividade da obra, segurança no trabalho e qualidade final da edificação.
Além da redução de custos, decorrente da diminuição de desperdícios, os ganhos se refletem, também, em colaboradores mais satisfeitos e na valorização da imagem da empresa perante a sociedade.
Em um contexto no qual os princípios ESG (Environmental, Social and Governance) assumem maior protagonismo no mundo dos negócios, quem constrói não pode prescindir de ações que permitam uma atuação equilibrada nas esferas social, ambiental e econômica.
Como o CTE pode te ajudar na implantação de canteiros sustentáveis?
O CTE desenvolve consultoria para empreendimentos sustentáveis, incluindo aqueles que pleiteiam certificações ambientais, como o LEED (Leadership in Energy and Environment Design). Entre em contato para saber mais sobre esses serviços!
Para conferir um case real de obra conduzida em sinergia com os princípios da sustentabilidade, leia este artigo, que relata a construção do Lotus Tower, em Brasília. O empreendimento da construtora e incorporadora Lotus almeja o selo LEED BD+C, aplicável a novos projetos de construção. Não deixe de ler!
Autor
Juliana Nakamura
Jornalista formada pela PUC-SP, com pós-graduação em Mídias Digitais. Com mais de vinte anos de experiência, atuou em diversos veículos de comunicação, como O Estado de S. Paulo, UOL, Editora Pini e Casa Vogue. Especializada na cobertura de temas ligados à construção civil, mercado imobiliário, arquitetura e urbanismo, também desenvolve conteúdo para entidades setoriais e empresas. Desde 2020, colabora com CTE.


