
Os desenvolvedores de grandes empreendimentos turísticos enfrentam hoje um duplo desafio: otimizar operações e abraçar a sustentabilidade. Longe de serem caminhos divergentes, essas duas frentes se uniram. Assim, a incorporação de práticas ESG transcendeu o dever ético, tornando-se uma ferramenta estratégica para viabilizar uma gestão mais eficiente e garantir resiliência e a perenidade do negócio.
Esse alinhamento entre eficiência operacional e responsabilidade socioambiental ecoou em algumas falas do 14º ADIT Share, o maior seminário de propriedade compartilhada da América Latina. Organizado pela ADIT Brasil (Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil) em Campos do Jordão -SP, o evento reuniu, em maio, quase 400 líderes, investidores e especialistas do setor, consolidando-se como um espaço para o debate estratégico, troca de experiências e prospecção de novos negócios.
Sustentabilidade lucrativa: o que os dados financeiros revelam?
Em muitos segmentos da economia a aplicação dos conceitos ESG (Environmental, Social, and Governance) já é um pilar de rentabilidade. “Isso também se aplica ao turismo, setor fortemente dependente da oferta de recursos naturais e cujos empreendimentos muitas vezes estão instalados em áreas vulneráveis a eventos climáticos extremos”, comenta Myriam Tschiptschin, Diretora de Smart Cities no CTE e Coordenadora da Comissão ESG da ADIT Brasil.
Em 2025, uma pesquisa realizada pela ADIT Brasil, em parceria com a Brain, reforçou essa tese. O estudo mostrou que a implantação de práticas ESG contribui significativamente para o aumento da receita de empreendimentos turísticos. Além disso, para a grande parte das empresas entrevistadas (83%), os clientes de hotelaria parecem mais dispostos a pagar mais por instalações sustentáveis. Esses indicadores constam no Manual de Melhores Práticas em ESG, desenvolvido pela Comissão ESG da ADIT e apresentado durante o ADIT Share.
A redução de custos operacionais, por meio de estratégias como uso racional de água, eficiência energética, gestão de resíduos e escolha de materiais sustentáveis, é um dos motivos que explicam a atenção dos desenvolvedores turísticos com a agenda ESG. Mas não é o único. Há, também, o acesso a capital em condições mais vantajosas. Alguns bancos já possuem carteiras específicas com taxas de juros reduzidas e prazos de carência estendidos para empreendimentos que comprovem eficiência ambiental e impacto social positivo. Além disso, quando incorporam tais princípios, e sobretudo quando contam com certificações internacionais de sustentabilidade, os empreendimentos se habilitam para acessar green bonds (títulos verdes).
“Boas práticas ESG podem sim agregar alguma redução de taxa em financiamentos”, afirmou Gabriel Parente, Head de Originação Imobiliária na XP Asset. No painel sobre como viabilizar e financiar empreendimentos de multipropriedade e timeshare no ADIT Share, ele explicou que os investidores estão atentos a esses aspectos e revelou que a XP desenvolveu uma metodologia interna de avaliação ESG para ativos imobiliários que buscam acesso a crédito.
A bola da vez: riscos climáticos
Entre os múltiplos riscos a serem monitorados, os climáticos — entendidos como os impactos negativos que eventos extremos, mudanças graduais e pressões regulatórias causam no mercado — entraram definitivamente no radar.
Dão tração a esse movimento iniciativas como o Plano Clima 2024-2035 do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que prevê metas setoriais rígidas de mitigação e a consolidação da regulamentação do mercado de carbono. Outra ação de destaque é o Programa de Adaptação Climática para o Turismo, detalhado em março de 2026 em portaria do Ministério do Turismo. A iniciativa estabelece 24 metas com prazo de execução até 2027.
Como avançar com o ESG no turismo?
No Brasil, o setor de turismo e de hospitalidade atravessa um momento de forte aquecimento econômico, impulsionado tanto pela recuperação consolidada do turismo doméstico, quanto por recordes sucessivos no fluxo de visitantes internacionais. “Ainda assim, para capturar os ganhos econômicos associados à sustentabilidade — seja no fortalecimento da marca, na atração de investidores ou na geração de valor para o cliente final —, os princípios ESG precisam estar presentes desde a sua concepção, na formulação do produto turístico, preferencialmente apoiados por certificações internacionais de sustentabilidade”, avalia Myriam.
Nesse processo de desenvolvimento, os empreendedores têm à disposição múltiplas opções, como LEED, Green Key, Fitwel, Sustainable Sites, e STOKE. Além de fornecer indicadores, métricas e metas para tangibilizar os ganhos de desempenho, os selos ambientais atuam como uma chancela de terceira parte, essencial para garantir credibilidade e evitar a maquiagem verde (greenwashing).
Essa também é uma solução para assegurar que os empreendimentos turísticos estejam mais alinhados às expectativas de seus clientes. Dados globais de plataformas de reserva, a exemplo da Booking.com, apontam que mais de 70% dos viajantes globais preferem se hospedar em acomodações sustentáveis.
Com uma atuação marcada por liderança, inovação e rigor técnico, o CTE oferece assessoria a empreendedores imobiliários e turísticos no desenvolvimento de projetos alinhados com o ESG, na obtenção de certificações ambientais e na gestão eficiente e inteligente de seus ativos. O CTE também apoia as empresas em suas jornadas de transformação corporativa com foco em responsabilidade ambiental, social e governança. Entre em contato para saber mais e explore nosso vasto portfólio.


