A gestão de resíduos da construção civil tornou-se uma prioridade para empresas que desejam reduzir desperdícios, atender às exigências legais e fortalecer sua imagem corporativa. Além de ser uma obrigação ambiental, trata-se de uma estratégia inteligente para diminuir custos e aumentar a eficiência no canteiro de obras. Empresas que ignoram essa prática podem sofrer multas, embargos e até cassação de alvarás, além de comprometer sua reputação.
Benefícios de uma gestão eficiente de resíduos

Como mostramos a seguir, há uma série de motivos que justificam o investimento em uma gestão eficiente de resíduos da construção civil:
Redução de custos
- Menos desperdício de materiais: comprar apenas o necessário e reaproveitar sobras reduz gastos.
- Economia em transporte e destinação: resíduos segregados corretamente diminuem o volume enviado a aterros.
- Evita multas e embargos: estar conforme normas como a Resolução CONAMA n.º 307 previne penalidades financeiras.
Sustentabilidade ambiental
- Menor impacto ambiental: reduz a poluição do solo, da água e do ar.
- Reciclagem e reaproveitamento: concreto, madeira e metais podem ser reutilizados em novas obras.
- Menor extração de recursos naturais: diminui a necessidade de matéria-prima virgem.
Imagem corporativa e competitividade
- Valor de marca: a gestão de resíduos da construção civil valoriza a marca e pode ser um diferencial competitivo.
- Certificações: empresas com boas práticas de gestão de resíduos estão mais próximas da conquista de selos ambientais, como o TRUE, focado em gestão de resíduos, e o LEED.
Eficiência operacional
- Planejamento e diagnóstico: prever os tipos e quantidades de resíduos da construção civil melhora a logística da obra.
- Organização: a segregação e o armazenamento adequados facilitam o reaproveitamento e reduzem riscos de acidentes nos canteiros de obras.
Conformidade legal
- Cumprir normas ambientais evita embargos e garante credibilidade técnica.
- Atender legislações municipais e federais mantém a obra regularizada.
O que são os resíduos da construção civil?

Segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), os resíduos da construção civil incluem entulhos de obras, reformas, reparos e demolições, além de sobras de escavações.
Os materiais são classificados em função de sua composição, segundo o Conama, e de acordo com sua periculosidade. A classificação adequada é crucial para permitir que cada resíduo receba um destino adequado.
- Classe A: materiais que podem ser reciclados ou reutilizados como agregado em obras. Precisam ser dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura. Exemplos: Tijolos, telhas, revestimentos cerâmicos, blocos, tubos de concreto e argamassa.
- Classe B: Materiais que podem ser reciclados e ganhar outros destinos. Também devem ser dispostos para viabilizar a sua reciclagem. É o caso de vidro, gesso, madeira, plástico, papelão e outros.
- Classe C: Itens que não podem ser recuperados ou reciclados. Precisam ser armazenados, transportados e destinados de acordo com normas técnicas específicas. Nesse grupo estão as estopas, lixas, panos e pincéis que não foram contaminados com substância que os classifiquem como classe D.
- Classe D: Materiais compostos ou que tiveram contato com substâncias nocivas à saúde e que devem ser armazenados, transportados, reutilizados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas. Exemplos: solventes e tintas, telhas e materiais de amianto.
Gestão de resíduos da construção civil: desafios para as empresas
A gestão de resíduos na construção civil vai além da decisão sobre onde descartar cada material. Um trabalho consistente requer uma abordagem holística que leve em conta questões de projeto, a escolha de sistemas construtivos, o planejamento da obra e parcerias com cooperativas, transportadores e fornecedores.
Outra exigência é que os profissionais envolvidos tenham uma compreensão profunda de todo o conjunto de leis e normas que regulamentam a atividade. Isso inclui legislações ambientais e leis municipais e de licenciamento ambiental.
É preciso, também, lidar com a falta de pessoal capacitado para transportar os materiais descartados e de locais apropriados para a destinação final. O problema é ainda maior quando se tratam de resíduos sem valor comercial, como gesso, por exemplo, ou classe D, a exemplo de asfaltos e lamas bentoníticas. Nesses casos, a oferta de locais para destinação é bastante limitada.
Boas práticas para gestão eficiente de resíduos da construção civil
Uma gestão de obra com foco em sustentabilidade permite obter índices de até 5% dos resíduos da obra destinados a aterros e 95% de resíduos reciclados. Tal desempenho é factível com ações de baixo investimento, como as práticas listadas a seguir, já adotadas pelas melhores construtoras do país:
Reduzir materiais destinados a aterros
- Planejar a obra com foco na redução de desperdícios. Uma ação salutar é adotar os princípios do Lean na Construção. Neste artigo, mostramos como aplicar o lean para reduzir desperdícios e aumentar a eficiência nas obras. Não deixe de ler!
- Realizar um projeto de canteiro de obras sustentável com foco em um layout que maximize a produtividade e evite perdas na movimentação, transporte e armazenamento dos materiais.
- Privilegiar o uso de sistemas construtivos industrializados. O volume de resíduos/m² de área construída pode ser reduzido em até 85% quando utilizadas soluções estruturais industrializadas.
- Substituir equipamentos e sistemas descartáveis por equivalente de maior durabilidade. Esse princípio pode se aplicar, por exemplo, a tapumes de obras e escoramentos, que podem ser reaproveitados em mais de uma obra. Também se estende a itens como copos descartáveis, substituíveis por garrafas individualizadas.
- Investir no treinamento das equipes com relação ao manejo e a segregação de resíduos por classes e tipos.
- Implantar baias bem sinalizadas para segregação dos materiais.
- Substituir o uso de papel toalha por soprador de mão.
- Privilegiar produtos com baixo impacto ambiental e com embalagens recicláveis.
- Buscar constantemente o reúso e a reciclagem de recursos.
Gestão de resíduos perigosos
- Aproveitar tambores para o armazenamento adequado de resíduos perigosos.
- Prever área para o armazenamento temporário de resíduos perigosos.
- Implantar um sistema fechado de lava-pincéis para diminuir a geração de efluentes perigosos.
- Prevenir a contaminação com a instalação de bandejas de contenção sob os possíveis focos de vazamento de óleo.
- Dar atenção extra para a locação correta e a verificação periódica de vazamentos em equipamentos como bombas de concreto e geradores de energia.
- Prever kits e equipes treinadas para atuar em casos de emergências ambientais.
Descarte seguro de materiais
- Aproveitar ao máximo a logística reversa de materiais. Alguns fornecedores de aço e drywall, por exemplo, já possuem programas para retirada de resíduos nos canteiros.
- Selecionar um transportador devidamente licenciado para realizar o descarte dos materiais que não puderem ser redirecionados, reciclados ou reutilizados.
- Ainda que sejam coletados por um terceiro, a construtora é responsável pelo descarte. Por isso, o serviço precisa ser rigorosamente controlado mediante o preenchimento do Controle de Transporte de Resíduo. Para reforçar a segurança nesse processo, algumas construtoras realizam visitas periódicas nos destinos previamente homologados para avaliar as condições dos locais e o processo de caracterização dos resíduos.
- Aproveitar resíduos de escavação para estabilização dos acessos à obra, nivelamento de terreno, valas, etc.
- Fazer a britagem dos resíduos no próprio canteiro para comercializá-los, sempre que houver espaço disponível.
- Manter relacionamento próximo com as cooperativas de reciclagem visando melhorias nos processos.
Resíduos da construção civil, em síntese
Processos mais eficientes evitam desperdícios e retrabalhos, aumentando a produtividade da equipe e otimizando o orçamento da obra. Investir em planos de gerenciamento consistentes e em práticas sustentáveis, portanto, contribui não apenas para a conformidade legal e a preservação ambiental, mas também para a competitividade e a saúde financeira das construtoras.O CTE atua na definição, planejamento e monitoramento de estratégias de sustentabilidade nos canteiros de obras, propondo inovações e melhorias de processo para redução do impacto ambiental. Entre os serviços prestados destaca-se o desenvolvimento de planos de gerenciamento de resíduos de construção e demolição. Entre em contato para falarmos mais a respeito!
Autor
Jornalista formada pela PUC-SP, com pós-graduação em Mídias Digitais. Com mais de vinte anos de experiência, atuou em diversos veículos de comunicação, como O Estado de S. Paulo, UOL, Editora Pini e Casa Vogue. Especializada na cobertura de temas ligados à construção civil, mercado imobiliário, arquitetura e urbanismo, também desenvolve conteúdo para entidades setoriais e empresas. Desde 2020, colabora com CTE.


