Ver síntese:
- O ESG deixou de ser opcional na infraestrutura para se tornar um pilar crítico de sustentabilidade, sendo decisivo para o acesso a capital.
- Sua implementação enfrenta barreiras como a mensuração de impactos no ciclo de vida do ativo, o custo de construções resilientes frente a modelos financeiros tradicionais de curto prazo e a necessidade de engajamento das lideranças.
- Para evoluir, as empresas devem integrar o ESG à estratégia e utilizar certificações e/ou benchmarks globais para garantir transparência.
Composto por ativos de longo prazo e intensivos em capital, o setor de infraestrutura exerce um impacto físico profundo em comunidades e ecossistemas. Nesse cenário, debater o ESG em infraestrutura deixou de ser opcional para se tornar um pilar crítico para a sustentabilidade financeira, operacional e jurídica dos negócios. Estamos falando de um conjunto de padrões e boas práticas que definem se um ativo, operação ou empresa é socialmente responsável, comprometida com a preservação ambiental e corretamente gerenciada. Trata-se de uma forma de medir o desempenho de uma companhia, indo além da contabilização de lucro.
Por que ESG é importante para empresas de infraestrutura?

Há vários motivos que tornam o segmento tão aderente ao ESG (Environmental, Social and Governance). Entre eles:
- Acesso a capital: Grandes fundos e bancos de desenvolvimento adotam critérios socioambientais rigorosos para conceder crédito. Organizações desalinhadas simplesmente ficam fora do radar desses investidores. O alinhamento a essas diretrizes também é condição para a emissão de títulos verdes (green bonds) e para captar recursos a taxas de juros mais atraentes.
- Licença social: Projetos que dialogam com as comunidades de forma responsável evitam paralisações, conflitos e disputas judiciais que estouram orçamentos.
- Vantagem em licitações: Governos já consideram critérios de sustentabilidade e governança como pontuação de desempate em leilões e concessões públicas.
- Agravamento das mudanças climáticas: As infraestruturas urbanas estão entre os setores mais vulneráveis às alterações do clima, segundo o Relatório Síntese do IPCC.
Desafios para implementação
O setor de infraestrutura enfrenta barreiras únicas para consolidar sua maturidade ESG. Entre elas:
- Mensuração de impactos ao longo do ciclo de vida do ativo;
- Custo para construir ativos resilientes que, muitas vezes, esbarra em modelagens financeiras tradicionais que priorizam o capex baixo no curto prazo;
- Grande influência nas dinâmicas socioeconômicas locais, o que exige uma postura proativa de valor compartilhado;
- Incorporação dos riscos climáticos e socioambientais em sua gestão estratégica.
ESG em infraestrutura: como avançar nessa agenda?

Outro desafio comum a muitos negócios é fazer com que o ESG deixe o âmbito do discurso para se transformar em prática corporativa. Para vencer essa barreira, é fundamental contar com alto nível de comprometimento e engajamento, principalmente das lideranças, além de uma política pautada em objetivos, metas eindicadores claros.
Outras ações recomendadas são:
- Integrar o ESG à estratégia da corporação e às tomadas de decisões.
- Realizar uma avaliação das práticas atuais da empresa em relação ao ESG. Isso inclui identificar áreas de força e de fraqueza e determinar como as operações estão relacionadas às questões socioambientais e de governança.
- Mapear quem são as partes interessadas (stakeholders). Isso traz clareza sobre as influências e impactos que podem incidir direta ou indiretamente nas operações, nos objetivos ou nos resultados.
- Selecionar os temas ESG relevantes para os negócios da empresa e para as partes interessadas.
- Definir metas específicas relacionadas aos temas materiais que estejam alinhados com seu propósito e valores.
Práticas nos três pilares do ESG
Quando falamos em infraestrutura, no âmbito ambiental, a compreensão dos riscos ambientais é essencial para orientar políticas de adaptação, definir prioridades de investimento e estabelecer mecanismos de financiamento que garantam a resiliência de longo prazo.
Na esfera social, as empresas precisam estar atentas a aspectos como direitos humanos, relações de trabalho, diversidade e equidade, além de vínculos com a comunidade. Na dimensão da governança, devem ser trabalhados temas como ética, compliance, gestão de crises e planos de contingência, segurança e proteção de dados.
Uma comunicação transparente é chave em qualquer estratégia ESG. Comunicar claramente as iniciativas da empresa a investidores, clientes, funcionários e sociedade é fundamental para construir confiança e credibilidade.
As certificações ESG são uma excelente ferramenta para ajudar as companhias a evitar o greenwashing (maquiagem verde), mensurando com credibilidade e transparência o valor de suas ações. Destaca-se, nesse sentido, a certificação ON!ESG, desenvolvida pelo CTE, que se caracteriza por ser acessível a companhias com diferentes graus de maturidade na jornada ESG.
Avaliação de desempenho e benchmark
Outra prática salutar é participar de processos de benchmark ESG que demonstrem transparência, maturidade e preparo para atender às exigências de investidores que atuam em escala global. Essas ferramentas funcionam como uma régua padronizada e externa que retira a medição de ESG do campo da intenção e a transfere para o campo do desempenho mensurável.
Especificamente para o setor de infraestrutura e fundos de investimento, há o GRESB Infrastructure. Utilizado por investidores institucionais para avaliar o desempenho ESG de fundos e ativos reais, o GRESB valida e pontua a performance das empresas anualmente, permitindo que o mercado compare o nível de sustentabilidade e governança de diferentes projetos ao redor do mundo. Uma boa pontuação no GRESB é como um selo de qualidade que atrai capital global.
Além de melhorar a atratividade financeira, ao se submeter a um benchmark global, é possível ter visibilidade sobre gaps de desempenho em relação à concorrência e se preparar para legislações complexas antes que elas se tornem obrigatórias.
Conclusão
GRESB Partner e líder no Brasil em consultoria na área de sustentabilidade, o CTE trabalha com um conjunto de soluções para auxiliar as empresas em suas jornadas ESG. O vasto portfólio inclui a análise de riscos climáticos, sejam eles físicos ou de transição, e a elaboração de planos de adaptação climática com ações a serem executadas em curto, médio e longo prazo.
O CTE também apoia as empresas interessadas em fazer os reportes ao GRESB. Para isso, se apoia em processos consistentes e em tecnologia de ponta para garantir um processo eficiente e sem erros, da coleta de dados à análise dos resultados. Entre em contato para saber mais!


