Hipersensibilidade auditiva: entenda a hiperacusia, a misofonia e o papel do conforto acústico

Em síntese:
  • A hiperacusia é a percepção dolorosa ou exagerada de sons comuns do dia a dia devido a alterações no sistema auditivo; já a misofonia é uma resposta emocional extrema desencadeada por sons específicos e repetitivos, como mastigação ou cliques.
  • Ambas as condições afetam profundamente o bem-estar mental e social, sendo tratadas por abordagens terapêuticas e mitigadas por projetos com desempenho acústico adequado.

Problemas relacionados à acústica estão entre as principais causas de insatisfação dos usuários de ambientes construídos — cenário que se torna ainda mais crítico diante de pessoas com hipersensibilidade auditiva.

Essa realidade coloca em evidência a importância de os projetos de arquitetura e de interiores estarem alinhados às normas técnicas, em especial à ABNT NBR 15575, e incluírem materiais e equipamentos que colaborem para a obtenção de conforto acústico.

No contexto residencial, ruídos indesejados — vindos do exterior ou de unidades vizinhas — frequentemente geram atritos entre vizinhos e afetam o bem-estar diário. Em ambientes corporativos e comerciais, por sua vez, a ausência de um isolamento adequado compromete o foco, expõe conversas confidenciais e desencadeia sintomas como fadiga mental, estresse e dores de cabeça. 

O que é a hiperacusia?

Há condições que fazem com que as pessoas percebam o som de forma mais intensa, causando reações, muitas vezes, debilitantes. Estamos falando da hiperacusia e da misofonia, distúrbios que envolvem a hipersensibilidade auditiva.

A arquiteta Andrea Destefani, consultora de acústica no CTE, explica que a hiperacusia é caracterizada por uma sensibilidade exagerada aos sons do dia a dia, percebidos como extremamente altos e desconfortáveis, mesmo quando estão em volumes considerados normais para a maioria das pessoas. 

Sons como o ruído do trânsito, conversas ou até barulhos domésticos, como o bater de talheres ou portas fechando, podem se tornar intoleráveis para quem sofre de hiperacusia.

Essa condição está frequentemente associada a danos no sistema auditivo, como perda auditiva, trauma sonoro ou problemas neurológicos. “Pessoas com hiperacusia muitas vezes experimentam dor, desconforto ou sensação de pressão nos ouvidos ao ouvir certos sons. O impacto na qualidade de vida pode ser significativo, levando ao isolamento social, ao estresse e até à depressão”, explica Destefani.

O tratamento da hiperacusia pode incluir terapia de dessensibilização sonora, na qual o paciente é gradualmente exposto a sons em níveis controlados para tentar reeducar a resposta auditiva. Em alguns casos, a terapia cognitivo-comportamental também é utilizada para ajudar a pessoa a lidar com o impacto emocional provocado por sua condição.

O que é a misofonia?

A misofonia, por outro lado, não envolve necessariamente uma questão de volume, mas uma resposta emocional a sons específicos. Indivíduos com misofonia apresentam reações intensas e negativas a sons repetitivos e previsíveis, como o ruído gerado por alguém mastigando, clicando uma caneta ou batendo o pé. Esses sons geram uma resposta emocional extrema, como raiva, ansiedade ou repulsa, que podem desencadear reações físicas ou psicológicas, como irritação intensa.

Andrea Destefani conta que a misofonia ainda não é completamente compreendida pela comunidade médica, mas acredita-se que tenha uma base neurológica, relacionada à maneira como o cérebro processa certos sons e associa-os a respostas emocionais exageradas. 

A terapia cognitivo-comportamental e o manejo da ansiedade são frequentemente utilizados no tratamento da misofonia, ajudando os pacientes a controlar suas reações emocionais e a reduzir o impacto desses sons no cotidiano.

Embora a hiperacusia e a misofonia compartilhem características de hipersensibilidade auditiva, elas são condições distintas, com diferentes gatilhos e implicações. Ambas, no entanto, podem afetar profundamente a qualidade de vida, tornando o tratamento e o manejo dessas condições essenciais para a saúde mental e emocional dos pacientes.

Como o projeto de arquitetura pode proporcionar mais conforto para pessoas com hipersensibilidade auditiva?

No projeto arquitetônico e no design de interiores, a gestão do ambiente sonoro é fundamental para garantir o bem-estar e a neurodiversidade nos espaços. 

Para pessoas com hiperacusia, misofonia ou sobrecarga sensorial, o conforto acústico não depende apenas de isolar o som externo, mas também de tratar a acústica interna para evitar a amplificação do ruído e criar zonas de descompressão.

Algumas estratégias comuns em projetos adequados para quem tem hipersensibilidade auditiva são:

  • Controle de reverberação: Uso de painéis absorventes, carpetes e forros acústicos para evitar a amplificação do som ambiente.
  • Atenuação de ruídos externos e de impacto: Aplicação de janelas termoacústicas, drywall com isolamento e mantas sob o piso.
  • Setorização do espaço: Criação de zonas de transição e ambientes calmos com iluminação e acústica controladas para descompressão sensorial.

Como a consultoria em acústica do CTE pode transformar ambientes?

Líder em consultoria de sustentabilidade para a construção civil, o CTE atua na avaliação e na proposição de estratégias para melhoria do desempenho acústico das mais diversas tipologias de edificações. Entre os serviços realizados, destacam-se consultoria e projeto de acústica, além de simulações para atendimento à Norma de Desempenho (NBR 15575). 

Saiba mais sobre esse trabalho e entre em contato para falarmos mais a respeito!

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Perguntas frequentes sobre hipersensibilidade auditiva

Qual é a diferença entre hiperacusia, misofonia e fonofobia?

  • Hiperacusia: Percepção de que sons de volume normal (como água caindo ou louça batendo) estão extremamente altos ou causam dor física.
  • Misofonia: Reação emocional intensa (raiva, ansiedade) a sons específicos e repetitivos (ex.: mastigação, respiração, digitação).
  • Fonofobia: Medo ou aversão antecipada a sons altos ou específicos.

O som alto causa dor física no ouvido?

Sim. Pessoas com hiperacusia frequentemente relatam sensação de pressão, agulhadas, queimação ou dor profunda no ouvido em resposta a barulhos comuns.

É verdade que lâmpadas e aparelhos de ar-condicionado podem incomodar pessoas com hipersensibilidade auditiva?

Sim. Pessoas com hiperacusia ou neurodivergência frequentemente percebem sons de alta frequência ou zumbidos contínuos emitidos por reatores LED de baixa qualidade, dimmers, tubulações hidráulicas e motores de ar-condicionado. Em projetos focados em conforto acústico, é fundamental especificar equipamentos silenciosos, utilizar atenuadores de ruído em dutos e garantir instalações elétricas com componentes de alta performance.

O que são zonas de descompressão e qual a sua importância na arquitetura inclusiva?

São espaços projetados especificamente para a regulação sensorial. Trata-se de ambientes calmos (conhecidos como quiet rooms ou salas de descompressão) onde a pessoa com sobrecarga auditiva pode se retirar para descansar o sistema nervoso. Nesses locais, combina-se isolamento e absorção acústica com iluminação indireta/dimerizável e ausência de ruídos mecânicos, sendo uma estratégia indispensável em escritórios corporativos, escolas e espaços públicos.

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