A COP 30 (Conferência das Partes), realizada em novembro em Belém (PA), chegou ao fim com impactos que devem se estender por muito tempo. O fórum internacional, que reuniu os Estados-membros das Nações Unidas para negociar acordos climáticos, consolidou a construção civil como um dos setores mais estratégicos para a transição verde e o enfrentamento ao aquecimento global.
Responsável por cerca de 40% das emissões de CO₂ e por mais de um terço do consumo de energia, a construção civil foi amplamente citada em documentos técnicos e em declarações políticas que surgiram ao longo das duas semanas da conferência.
Descarbonização na habitação
A COP 30 expôs desafios relevantes, como a ausência de um acordo global vinculante para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Persistem, também, a falta de padronização de indicadores, a dificuldade em medir resultados de adaptação e a necessidade de ampliar o financiamento climático.
Mas houve avanços. Entre eles, a apresentação de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) mais ambiciosas por diversos países e o reconhecimento da industrialização de baixo carbono como prioridade global na Declaração de Ação da COP 30.
O Brasil tem a meta de reduzir suas emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, em comparação a 2005, e alcançar a neutralidade climática até 2050. Para apoiar esse compromisso, foram anunciadas iniciativas como a Coalizão pela Habitação Net Zero 2050, liderada pela Caixa Econômica Federal. A ideia é descarbonizar toda a cadeia habitacional brasileira até 2050.
Outra iniciativa setorial foi a criação da Rede Nacional de Inovação para a Habitação Sustentável, fruto de uma cooperação técnica entre o Ministério das Cidades com 17 entidades do setor de construção e instituições de pesquisa. A Rede vai articular laboratórios, empresas e centros técnicos para promover inovação em todo o ciclo produtivo, da fabricação de materiais à execução das obras. Ela também vai integrar as Jornadas Setoriais de Baixo Carbono, que orientam a medição e a redução das emissões. O objetivo é acelerar a descarbonização do setor, estimulando o desenvolvimento de tecnologias e materiais mais sustentáveis.
Adaptação climática
A resolução final da COP 30 aprovou 29 decisões por consenso, incluindo o compromisso de triplicar o financiamento para adaptação climática até 2035. Também foi concluído um conjunto de 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso da Meta Global de Adaptação.
“Além dos debates sobre a mitigação das emissões, a adaptação climática ocupou papel central nas discussões em Belém”, afirma Adriana Hansen, diretora técnica de Sustentabilidade no CTE. Ela ressalta a relevância do tema para a construção civil: “Projetamos hoje edificações que permanecerão em operação por 50, 60, 70 anos. Se não implantarmos soluções de adaptação agora, estaremos criando ativos vulneráveis, com alto risco de deterioração e perda de desempenho em um horizonte relativamente curto”, alerta Hansen.
Um relatório do Institute and Faculty of Actuaries (IFoA) alerta que a crise climática pode reduzir o PIB global em cerca de 50% até 2090. Em contrapartida, segundo a WRI, cada dólar investido em adaptação climática pode gerar até dez vezes mais benefícios, como redução de danos, preservação de vidas e manutenção da infraestrutura. Isso demonstra que a adaptação, além de essencial, é um investimento estratégico.
Neste artigo, falamos mais sobre os impactos da COP 30 na construção civil, abordando temas como a taxonomia sustentável brasileira e os financiamentos climáticos. Não deixe de ler!
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Autor
Juliana Nakamura
Jornalista formada pela PUC-SP, com pós-graduação em Mídias Digitais. Com mais de vinte anos de experiência, atuou em diversos veículos de comunicação, como O Estado de S. Paulo, UOL, Editora Pini e Casa Vogue. Especializada na cobertura de temas ligados à construção civil, mercado imobiliário, arquitetura e urbanismo, também desenvolve conteúdo para entidades setoriais e empresas. Desde 2020, colabora com CTE.


