O que é o GRESB Infrastructure e por que ele importa para o setor de infraestrutura?

Em síntese:
  • O GRESB Infrastructure é o principal benchmark global de métricas ESG para o setor de infraestrutura. 
  • Ele padroniza dados socioambientais e de governança para facilitar a captação de capital verde, emitir green bonds e gerenciar riscos climáticos.

Em um cenário no qual a sustentabilidade se tornou pré-requisito para obter financiamento, o acesso ao capital de longo prazo para infraestrutura enfrenta exigências cada vez mais rigorosas. No centro dessa transformação está o GRESB Infrastructure, a principal referência global de métricas ESG, dedicada a converter dados socioambientais em indicadores padronizados e auditáveis. 

Longe de ser apenas um selo ou um relatório anual, a avaliação cria uma linguagem universal entre concessionárias, gestores de fundos e os maiores investidores institucionais do mundo, sendo essencial para demonstrar governança. Em 2025, mais de 800 ativos distribuídos por 80 países participaram do processo.

O que é o GRESB para infraestrutura?

Criado em 2009 por uma organização independente sem fins lucrativos sediada nos Países Baixos, o GRESB nasceu como um padrão de benchmarking para empresas imobiliárias listadas publicamente, fundos de propriedade privada, incorporadores e investidores. Neste artigo, explicamos melhor como funciona o sistema para fundos ESG. 

Em 2015, a entidade lançou uma avaliação específica para o setor de infraestrutura para avaliar o desempenho ambiental, social e de governança nos seguintes segmentos:

  • Energia: Parques eólicos, usinas solares e redes de transmissão e distribuição.
  • Transporte: Rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
  • Saneamento e meio ambiente: Tratamento de água, efluentes e gestão de resíduos.
  • Infraestrutura digital: Data centers e torres de telecomunicações, um dos segmentos de maior expansão.
  • Infraestrutura social: Hospitais, escolas e edifícios públicos concessionados.

No benchmarking global de 2025, energia renovável e saneamento lideraram tanto em volume de ativos quanto no ritmo de novas adesões, impulsionados pela forte ligação com metas globais de descarbonização e transição energética.

Por que o GRESB é tão valorizado?

Para concessionárias dos setores de energia, transporte, saneamento e infraestrutura digital, submeter suas operações ao GRESB vai muito além de uma simples prestação de contas. Trata-se de mapear com precisão a resiliência dos ativos frente aos riscos climáticos, padronizar indicadores operacionais e demonstrar maturidade de governança em um mercado altamente competitivo.

Em um ecossistema no qual investidores institucionais alocam recursos com base em comparações diretas de desempenho (peer review), seguir o padrão GRESB torna-se uma alavanca estratégica para a perpetuidade dos negócios. Ao adotar esse modelo, as empresas não apenas obtêm uma visão clara de sua performance socioambiental em relação aos concorrentes, mas também ganham um direcionamento prático do que precisa ser aprimorado.

Como funciona a avaliação do GRESB Infrastructure?

O GRESB trabalha com dois tipos de avaliação para infraestrutura: a avaliação de Fundos, que avalia a gestão, governança e estratégias ESG do fundo de investimento como um todo, e a avaliação de Ativos, que mede o desempenho prático, os dados operacionais (consumo de água, energia, emissões, segurança) e o impacto direto de uma infraestrutura específica.

O processo de submissão segue um ciclo anual rigoroso, exigindo coleta de dados operacionais, evidências de políticas corporativas e auditoria de terceiros.

  • Planejamento e diagnóstico — O processo começa com a empresa mapeando a estrutura do fundo ou ativo, identificando as lacunas (gap analysis) em relação às exigências e consolidando as fontes de dados primários de consumo de energia, água, resíduos, emissões e métricas sociais.
  • Abertura do portal e coleta — As equipes de sustentabilidade e operações inserem os dados qualitativos (políticas, governança) e quantitativos (médias operacionais e evidências documentais de verificação) na plataforma do GRESB. Durante o período de submissão, também são enviados documentos comprobatórios, como laudos ambientais e relatórios de auditoria.
  • Validação e análise de dados — Uma equipe terceirizada de analistas do GRESB revisa as evidências anexadas, aplica algoritmos de detecção de anomalias e valida a conformidade das informações submetidas.
  • Divulgação dos resultados — O relatório final é publicado. A empresa recebe sua pontuação de 0 a 100, a classificação em estrelas (1 a 5 GRESB Stars) e o relatório comparativo com seus pares diretos (Benchmark Report).

O que faz um ativo perder pontos no GRESB? 

Segundo Cristina Umetsu, gerente na unidade de ESG Corporativo no CTE, a perda de pontos na avaliação do GRESB Infrastructure não acontece, necessariamente, por um desempenho ruim do ativo, mas principalmente por ausência de evidências e falhas na documentação. 

Um problema comum é apresentar uma matriz de risco corporativa simples, sem simulação de cenários climáticos de longo prazo. Com o alinhamento do GRESB ao TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures), a avaliação de riscos físicos e de transição tornou-se mais exigente. Neste artigo, você fica sabendo mais sobre a diferença entre os riscos físicos e os de transição. 

Muito além do reporte: maximize seus resultados no GRESB com o CTE

Como GRESB Partner e líder no Brasil em consultoria na área de sustentabilidade, o CTE trabalha com um conjunto de soluções para auxiliar as empresas em suas jornadas ESG. O vasto portfólio inclui a análise de riscos climáticos, sejam eles físicos ou de transição, e a elaboração de planos de adaptação climática com ações a serem executadas em curto, médio e longo prazo.

O CTE também apoia as organizações que querem participar da avaliação GRESB. Para isso, se apoia em processos consistentes e em tecnologia de ponta para garantir um processo eficiente e sem erros, da coleta de dados à análise dos resultados.

“Atuamos como o departamento ESG dos nossos clientes. Nosso trabalho vai além da coleta de informações e da elaboração de relatórios. Usamos as informações para gerar impactos na operação diária e para subsidiar estratégias visando a maximização da eficiência e a melhoria contínua”, explica Cristina Umetsu. Fale com nossos especialistas e prepare seu ativo para o próximo ciclo. 

Jogo rápido: perguntas frequentes sobre o Gresb Infrastructure

O que é o GRESB Infrastructure?

É um benchmark global que avalia e compara o desempenho ESG de ativos reais e fundos de investimento em infraestrutura.

Qual é a diferença entre a Avaliação de Fundos e de Ativos?

  • Fund Assessment (fundo): Avalia a gestão, governança e estratégias ESG do fundo de investimento como um todo.
  • Asset Assessment (ativo): Avalia o desempenho prático, os dados operacionais (consumo de água, energia, emissões, segurança) e o impacto direto de uma infraestrutura específica.

Por que os gestores e empresas participam do GRESB?

Principalmente para atrair e reter capital institucional, já que grandes investidores utilizam a nota para decisões de alocação. Além disso, o relatório permite identificar riscos regulatórios, comparar o desempenho contra concorrentes do setor e demonstrar transparência ao mercado.

Como funciona o sistema de pontuação e classificação?

Os participantes recebem uma nota de 0 a 100  baseada nas evidências e dados submetidos. Com base nessa nota em relação ao seu grupo de pares (Peer Group), a entidade também recebe de 1 a 5 Estrelas (GRESB Rating), em que 5 estrelas representam os 20% melhores colocados.

Qual é o calendário do ciclo de reporte?

A plataforma abre para envio de dados em 1º de abril e fecha em 1º de julho de cada ano. Os dados reportados cobrem o ano-calendário anterior, e os resultados finais do benchmark são publicados em outubro.

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