O conforto acústico ocupa um papel central para garantir a qualidade do aprendizado em ambientes de ensino. Especialmente salas de aula, bibliotecas e auditórios precisam oferecer condições sonoras adequadas para garantir clareza na comunicação, concentração e o bem-estar de alunos e docentes.
O excesso de ruído ou a má distribuição do som não apenas prejudicam a compreensão das mensagens, mas também podem gerar fadiga, dispersão e queda no rendimento escolar. Discutir a importância do tratamento acústico, portanto, é refletir sobre como o espaço físico pode ser um aliado poderoso na construção de experiências educacionais mais eficazes e inclusivas.
Ruído excessivo: barreira para o aprendizado

“Ambientes ruidosos e com má qualidade acústica prejudicam a concentração das crianças e a clareza na percepção da fala. Em salas de aula, onde a comunicação verbal é uma das principais ferramentas de ensino, o nível de ruído pode interferir na capacidade dos estudantes de ouvir claramente o que está sendo dito, comprometendo diretamente o processo de aprendizado”, comenta Andrea Destefani, consultora de acústica no CTE.
Estudos, como o conduzido na Universidade Federal de Minas Gerais com estudantes de 7 a 10 anos, demonstram que o ruído excessivo pode levar à redução da compreensão auditiva, além de aumentar o estresse e a fadiga mental. Crianças expostas a altos níveis de ruído podem apresentar dificuldades de concentração, menor desempenho acadêmico e maiores taxas de erros em tarefas de leitura e escrita.
Para os professores, um ambiente com acústica ruim também pode induzir problemas de saúde, como fadiga vocal e estresse. “O esforço constante para projetar a voz em um ambiente sem acústica adequada pode causar problemas vocais crônicos, como rouquidão e perda de voz. Além disso, os ruídos indesejados podem causar estresse e cansaço, prejudicando a eficácia do ensino e o bem-estar dos educadores”, salienta Destefani.
Problemas acústicos em instituições de ensino
As principais falhas acústicas em ambientes de ensino podem estar relacionadas tanto ao ambiente físico quanto às fontes de ruído externas e internas. Entre as mais recorrentes, podemos citar:
- Ruído externo: trânsito, obras, aviões e atividades próximas à escola que invadem as salas de aula.
- Ruído interno: conversas em corredores, pátios, bem como de equipamentos (ventiladores, projetores, ar-condicionado).
- Reverberação excessiva: paredes e pisos rígidos sem tratamento acústico fazem o som “ecoar”, dificultando a clareza da fala.
- Má distribuição sonora: ausência de sistemas de amplificação ou arquitetura inadequada que prejudica a propagação uniforme da voz do professor.
- Superlotação: salas com muitos alunos aumentam o nível de ruído e dificultam a concentração.
Boas práticas para qualidade acústica em ambientes escolares
Segundo Andrea Destefani, para melhorar a acústica em ambientes escolares, é essencial considerar aspectos de isolamento e de condicionamento acústico na edificação. A seguir, a consultora de acústica destaca algumas diretrizes:
- Paredes e divisórias — O uso de materiais com alta capacidade de isolamento acústico reduz a transmissão de som entre ambientes de ensino e áreas ruidosas, como pátios ou ambientes externos.
- Janelas e portas — Instalar janelas e portas com isolamento acústico adequado é crucial para minimizar a entrada de ruído externo e a propagação de sons em áreas internas. É importante avaliar toda a envoltória da edificação, inclusive as coberturas.
- Pisos — Em edificações escolares com múltiplos pisos, é necessário implementar alternativas para redução do ruído de impacto entre pavimentos, como a instalação de mantas acústicas sob o contrapiso.
- Equipamentos — O tratamento acústico de equipamentos como ar-condicionado, geradores e bombas é recomendável para redução do ruído nos ambientes que exigem maior concentração e silêncio.
- Tratamento de superfícies — Aplicar revestimentos acústicos nas superfícies internas, como painéis de absorção sonora em paredes e forros, pode ajudar a controlar a reverberação e melhorar a inteligibilidade da palavra falada. É importante executar um estudo acústico específico em relação ao Tempo de Reverberação (T60) para cada ambiente conforme seu uso e volume (m³).
- Distribuição do mobiliário — Organizar o mobiliário para otimizar a distribuição das mesas deixando-as mais próximas do docente pode melhorar a qualidade acústica. Evitar a inserção de móveis grandes e reflexivos é uma estratégia para reduzir a reverberação e criar um ambiente mais equilibrado acusticamente.
- Acústica de ambientes comuns — Áreas como refeitórios, ginásios e corredores também devem ser tratadas para reduzir o ruído e melhorar a qualidade acústica. O uso de materiais absorventes em forro e paredes pode ajudar a controlar o nível de ruído nesses espaços.
O que determinam as normas técnicas sobre acústica em escolas?
“Um bom projeto acústico para ambientes escolares é chave para prover ambientes de aprendizado eficazes e saudáveis. Nesse contexto, seguir as diretrizes de isolamento e condicionamento acústico, conforme normas e guias de boas práticas, é fundamental”, diz Destefani.
Para isso, há um vasto conjunto de referências para orientar os projetos de acústica em ambientes escolares. Entre as principais:
- ABNT NBR 10152 – Estabelece critérios para níveis de pressão sonora em ambientes internos. Para salas de aula, a norma recomenda que o nível de pressão sonora equivalente não ultrapasse 35 dB(A).
- ABNT NBR 12179 – Aborda o tratamento acústico em recintos fechados. Estabelece que o tempo de reverberação deve ser obtido através do volume de cada ambiente e da área de absorção sonora equivalente conforme a distribuição dos materiais em superfícies.
- Manuais técnicos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) – Trazem parâmetros arquitetônicos para edificações escolares, incluindo critérios de ventilação, iluminação e acústica, visando conforto e habitabilidade.
- Normas internacionais e guias de boas práticas – Também podem ser utilizadas como referências para parâmetros de isolamento e condicionamento acústico em escolas.
CTE: Excelência em conforto ambiental e sustentabilidade
Líder em consultoria de sustentabilidade para a construção civil, o CTE atua na avaliação e na proposição de estratégias para melhoria do desempenho acústico das mais diversas tipologias de edificações, inclusive instalações de ensino.
Entre os serviços realizados, destacam-se consultoria e projeto de acústica, além de simulações para atendimento à Norma de Desempenho. Entre em contato para falarmos mais a respeito!
Autor
Andrea Destefani
Arquiteta Urbanista formada pela Unicamp, com mestrado em Tecnologia de Edificações pelo IPT e MBA em gestão de negócios pela USP. Com mais de 12 anos de experiência profissional contemplando atividades nas áreas técnica e comercial em conforto ambiental para o ambiente construído. Acredita na postura colaborativa e construtiva, trabalho engajado em equipe e está sempre em busca de conhecimento, assim como aprimoramento pessoal e profissional.


