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Recursos hídricos: boas práticas de gestão para empreendimentos comerciais

24 de julho de 2020

A racionalização do uso da água potável adquiriu protagonismo nos últimos anos em resposta às frequentes crises de abastecimento e à necessidade de reduzir a pressão sobre os mananciais. Ações com foco na redução de desperdícios e no aproveitamento de fontes alternativas passaram a ser adotadas para atenuar a vulnerabilidade dos edifícios e reduzir custos de operação.

            Mas a eficiência dessas ações depende de um plano de gestão hídrica consistente, que compatibilize a redução da demanda, o controle de perdas e a utilização bem sucedida das diferentes fontes de água. Este é o tema do post de hoje. Continue conosco para saber mais:

Como reduzir a demanda por água nos edifícios?

            Independente da tipologia do empreendimento, um programa de gestão hídrica deve buscar, em primeiro lugar, diminuir a demanda de água, sem comprometer o conforto dos usuários e a manutenção das atividades cotidianas. Uma ação bastante difundida, nesse sentido, é a instalação de equipamentos eficientes, como torneiras de fechamento automático e bacias de duplo acionamento.

            Mas há mais a ser feito nesse campo. Muitas vezes negligenciado, o sistema de irrigação automatizado, quando bem configurado, pode oferecer boas oportunidades para reduzir a demanda de água. Wagner Oliveira, diretor da Unidade Operação Sustentável do CTE, explica que é bastante comum jardins com irrigação automatizada apresentarem consumo real superior ao projetado. Por isso, pode ser interessante investir na reconfiguração do sistema de acordo com as necessidades do paisagismo ao longo do ano.

Outra dica é observar os sistemas de ar condicionado, especialmente aqueles com torres de resfriamento. Este é um item com índices de consumo de água elevados, em torno de 30%, chegando a até 60% do consumo total do edifício. Daí a importância de ações de controle desde o momento da escolha da tecnologia, dando preferência às soluções que disponham de sistemas mais eficientes.

Para os edifícios já em operação, uma saída é trabalhar com controle de purga automatizado. Um sistema de automação com base em condutivímetro, por exemplo, pode reduzir substancialmente o consumo de água ao avaliar a qualidade da água e a quantidade de sais dissolvidos para liberar somente o volume necessário para a operação do equipamento.

Uma prática recomendada aos gestores é avaliar periodicamente o consumo de água da torre em relação ao ciclo de circulação. O objetivo, nesse caso, deve ser certificar-se de que os índices estão de acordo com o especificado em projeto.

Controle de perdas e redução de desperdícios

            Quando falamosem reduzir a demanda de água em uma edificação, inevitavelmente devemos abordar a redução de desperdícios. Esse trabalho começa com o controle de vazamentos desde os mais simples, como os que ocorrem em dispositivos sanitários, até os mais complexos, como os localizados em tubulações enterradas.

Uma gestão focada na racionalização da água não pode prescindir de um programa de manutenção consistente e contínuo, capaz de garantir que vazamentos não existam ou sejam minimizados.

Um método simples e bastante útil é o de avaliação do nível do reservatório. Em um horário sem consumo (à noite, por exemplo), suspende-se o abastecimento do reservatório. Na manhã seguinte, avalia-se com uma régua o quanto a lâmina de água desceu. Tomando como base a dimensão do reservatório e a eventual diferença de altura da lâmina de água é possível não apenas detectar se há perdas, como ter uma ideia do seu tamanho.

            Assim como a manutenção dos equipamentos, o comportamento dos usuários tem enorme impacto no consumo de água dos edifícios. Por isso, a administração dos recursos hídricos deve incluir um programa de comunicação e conscientização para que boas práticas sejam adotadas. “É importante que esse programa contemple os diferentes grupos de usuários, incluindo as equipes de manutenção e limpeza”, salienta o diretor do CTE.

Uso de fontes alternativas

            Uma vez ajustada a demanda, as atenções podem se voltar para as fontes alternativas de água. Diversas tecnologias são exploradas em edifícios comerciais. As mais usuais são a captação de água pluvial e o tratamento de águas cinzas e negras.

            Há também fontes menos conhecidas, como as águas que são condensadas do sistema de refrigeração do ar. Esse é um volume de água que pode ser significativo, às vezes até superior ao obtido pela coleta de água das chuvas, com a vantagem extra de oferecer um líquido relativamente limpo, que dispensa tratamentos complexos para ser colocado em circulação. Sobretudo para irrigação, o aproveitamento da água condensada pode ser interessante por não exigir muitos investimentos para a construção de tubulações. Ainda assim, são necessários cuidados. Por ser praticamente destilada, essa água que provém do sistema de ar condicionado é pobre em sais. Sua aplicação no paisagismo, portanto, deve prever a combinação com outras fontes de água ou estratégias para compensar a baixa oferta de sais.

            Todo e qualquer projeto de reaproveitamento de água precisa estar em consonância com as normas e legislações vigentes, lembrando que o uso de fontes alternativas transforma o empreendimento em um produtor de água.

            Duas referências importantes são a ABNT NBR 16.782:2019 e a ABNT NBR 16.783:2019. A primeira trata da conservação de água em edificações, estabelece orientações, diretrizes, requisitos e procedimentos para a realização da conservação em edifícios, novos e existentes. Já a NBR 16.783 aborda o uso de fontes alternativas não potáveis em edificações, estabelecendo parâmetros que contemplam variáveis físicas, químicas e microbiológicas da água.

Gestão e controle dos recursos hídricos

            Tão importante quanto investir em ações para reduzir a demanda e o desperdício de água é dispor de um sistema de gestão eficaz, que ofereça uma visão geral do uso dos recursos hídricos e permita acompanhar os principais grupos consumidores.

Há uma série de soluções para apoiar um controle confiável e preciso. Alguns exemplos são a telemetria para coleta dos dados de água na entrada principal da concessionária e os sistemas inteligentes que identificam vazamentos assim que eles acontecem.

A telemetria também é extremamente importante para viabilizar a segmentação do consumo por locatário e, consequentemente, reduzir custos. Vale lembrar que, na maioria das vezes, os condomínios possuem um único hidrômetro e o rateio é feito por fração ideal, ou seja, divide-se o consumo global de água do edifício pelo total de área ocupada pelo condômino. Isso, obviamente, não estimula a racionalização.

Qualidade da água

            A gestão dos recursos hídricos não pode se dedicar apenas a controlar a quantidade, mas também deve cuidar da qualidade da água.

            Entre as diversas normas e regulamentações sanitárias a serem atendidas nesse processo destaca-se a recém-publicada ABNT NBR 16.824: Sistemas de distribuição de água em edificações – Prevenção de legionelose. Esse texto apresenta uma série de orientações, métodos e práticas de gerenciamento de riscos para a prevenção da legionella, bactéria que se espalha por meio de vapores como os produzidos por unidades de ar condicionado.

            A qualidade da água também desperta preocupações em função da recente pandemia de Covid-19. Com a desocupação dos edifícios comerciais por um longo período, é possível que a potabilidade da água armazenada nos reservatórios não atinja o  padrão exigido por norma. Isso por causa do menor teor de cloro, elemento que tende a volatilizar na água que permanece parada por muito tempo.

            Por isso, a retomada do funcionamento pleno dessas estruturas deve ser acompanhada da realização de testes para garantir a segurança dos usuários. Da mesma forma é importante eliminar a água que ficou retida dentro da tubulação, ainda mais nos edifícios que ainda utiliza condutores de ferro.

            A Unidade CTE Operação Sustentável implementa soluções integradas para otimizar a operação dos edifícios e desenvolve estratégias de gestão hídrica. Para saber mais, entre em contato conosco!

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