Avaliação de riscos climáticos: como identificar vulnerabilidades em ativos corporativos?

Em síntese:
  • A avaliação de riscos climáticos tem ganhado relevância nos processos de investimento, concessão de crédito e atendimento a requisitos de reporte e governança. 
  • O diagnóstico mensura tanto os danos materiais diretos às instalações e infraestruturas, quanto os impactos operacionais, financeiros e regulatórios decorrentes da migração para uma economia de baixo carbono.
  • Ao considerar ameaças, exposição e vulnerabilidades, a avaliação apoia a elaboração do Plano de Adaptação e Resiliência.

Diante dos crescentes impactos financeiros causados pelas mudanças no clima, o mercado exige cada vez mais rigor na avaliação de riscos climáticos. A consolidação de diretrizes globais como a norma IFRS S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB), colocou essa prática no centro da governança corporativa e da análise de crédito. Hoje, mensurar e divulgar a resiliência de projetos, instalações e negócios deixou de ser mero diferencial reputacional e tornou-se pré-requisito para atrair investimentos, viabilizar financiamentos e garantir a longevidade das operações. 

O que é avaliação de riscos climáticos?

Trata-se de um processo metodológico, técnico e sistemático para identificar, mensurar e priorizar ameaças climáticas e suas vulnerabilidades. O objetivo é respaldar decisões financeiras, estratégias de adaptação e intervenções de engenharia para mitigar perdas potenciais e garantir a continuidade operacional. 

Por que empresas estão realizando avaliações de riscos climáticos?

O diagnóstico de risco climático é impulsionado por diversos fatores estratégicos, tais como:

  • Proteção do valor patrimonial e continuidade dos negócios: Permite mapear vulnerabilidades georreferenciadas na infraestrutura para prevenir danos materiais, paralisações operacionais e perdas financeiras.
  • Conformidade regulatória e alinhamento a padrões de mercado: A identificação prévia de ameaças atende aos requisitos de divulgação financeira de riscos socioambientais, evitando sanções e prejuízos à governança.
  • Acesso e otimização do custo de capital: A avaliação pode apoiar processos de crédito e fornecer informações relevantes para investidores e financiadores. 
  • Mitigação do risco de ativos obsoletos: Orienta o planejamento de longo prazo, evitando a alocação ineficiente de CAPEX em instalações ou tecnologias vulneráveis a novas regulamentações de carbono ou a impactos ambientais severos.
  • Eficiência estratégica e vantagem competitiva: Revela oportunidades de inovação em eficiência hídrica e energética, uso de materiais de baixo carbono e desenvolvimento de produtos adaptados à nova realidade de mercado.
  • Gestão reputacional e proteção jurídica: Demonstra maturidade de governança aos stakeholders e reduz a exposição a litígios ou acusações de greenwashing, embasando decisões e metas corporativas em dados científicos. 

Quais são os tipos de riscos considerados em uma avaliação climática?

As metodologias globais de reporte, como o TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures) e a norma IFRS S2, dividem os riscos climáticos em dois grandes grupos:

  • Riscos físicos: São os impactos decorrentes do clima diretamente sobre os ativos reais. Podem ser agudos (eventos extremos e pontuais) ou crônicos (mudanças estruturais de longo prazo).
  • Riscos de transição: São os impactos financeiros, operacionais e regulatórios resultantes da transição para uma economia de baixo carbono. Neste artigo, detalhamos a diferença entre os dois tipos de riscos climáticos e como eles afetam os negócios.

Como funciona uma avaliação de riscos climáticos?

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e a norma ISO 14091 (Adaptation to climate change — Guidelines on vulnerability, impacts and risk assessment), o risco climático pode ser compreendido a partir da interação entre:

  • Ameaça: O evento climático ou alteração meteorológica em si (ex.: precipitação extrema ou onda de calor).
  • Exposição: A presença física de ativos, colaboradores, canteiros de obras ou cadeias de fornecimento na área afetada pela ameaça.
  • Vulnerabilidade: A propensão ou incapacidade intrínseca do sistema de suportar e se adaptar ao impacto (relação entre a sensibilidade da estrutura e sua capacidade adaptativa).

No caso dos riscos de transição, a quantificação exige a combinação de métricas de contabilidade ambiental com modelagem financeira e estatística.

Já quando falamos na avaliação de riscos físicos, o processo prevê uma série de etapas, entre as quais:

Definição de escopo e limites operacionais

Nesse momento inicial, é feita a delimitação dos ativos físicos prioritários, das unidades operacionais e da cadeia de suprimentos, estabelecendo marcos temporais (de curto, médio e longo prazos, como 2030, 2050 e 2080).

Seleção e modelagem de cenários climáticos

Na sequência, parte-se para a seleção de diferentes trajetórias de emissões/aquecimento, como SSP1-2.6 e SSP5-8.5, de acordo com os objetivos da análise e horizontes temporais relevantes. 

Análise de exposição e da vulnerabilidade do ativo

O estudo continua com o cruzamento das coordenadas geográficas das instalações com mapas de suscetibilidade ambiental, bem como a análise de características construtivas e operacionais, criticidade dos sistemas, histórico de ocorrências, redundâncias existentes, sensibilidade e capacidade adaptativa.

Quantificação e valoração do impacto financeiro, quando aplicável

A depender do escopo, da materialidade e da disponibilidade de dados, pode ser realizada uma projeção das perdas operacionais estimadas, da necessidade de CAPEX adicional para adaptação de engenharia e do cálculo do Value at Risk (VaR Climático).

Plano de Adaptação e Resiliência

A última etapa da avaliação consiste na elaboração da matriz de priorização de investimentos para redução dos riscos de maior severidade. O Plano de Adaptação deve contemplar medidas estruturais e não estruturais, prioridades, responsáveis, prazos, custos/viabilidade, eficácia esperada e, quando possível, risco residual após a implementação das medidas. 

O risco da inação versus o retorno da avaliação 

A inação diante das transformações do clima impõe custos invisíveis que se materializam em perdas operacionais e desvalorização patrimonial. A avaliação de riscos climáticos converte incertezas ambientais em dados mensuráveis e inteligência acionável, permitindo antecipar cenários e blindar o negócio em quatro pilares estratégicos:

PilarRisco da inação (manutenção do status quo)Benefício da avaliação de risco
OperacionalParalisações não planejadas e danos físicos graves a ativos e instalações. Mapeamento prévio de vulnerabilidades e plano de resiliência focado em engenharia e manutenção preventiva.
Financeiro e segurosAumento drástico em prêmios de seguro, franquias elevadas ou perda de cobertura por inadmissibilidade geográfica. Geração de informações técnicas que podem apoiar a gestão da segurabilidade dos ativos e o diálogo com seguradoras.
Acesso a capitalRestrição no acesso a linhas de crédito ESG e maior taxa de desconto em valuation corporativo. Disponibilização de informações estruturadas sobre exposição, vulnerabilidade, impactos potenciais e medidas de adaptação, apoiando processos de due diligence, financiamento e avaliação de riscos.
Conformidade e governançaNão conformidade com as exigências da CVM/IFRS S2 e exposição a litígios por omissão de risco. Relatório de divulgação financeira alinhado às exigências do mercado global e segurança jurídica.

Pronto para proteger seus ativos e operações contra os riscos climáticos?

Mapear vulnerabilidades com rigor técnico é a forma mais eficaz de proteger o patrimônio, assegurar a liquidez em financiamentos e manter a competitividade em um mercado cada vez mais exigente.

O CTE apoia sua empresa na identificação e gestão de riscos climáticos por meio de mapeamento especializado. A partir do diagnóstico de vulnerabilidades, desenvolvemos Planos de Adaptação e Resiliência Climática sob medida, estabelecendo metas claras, propondo ações concretas para reduzir fragilidades e fortalecendo a capacidade de resposta dos ativos diante de eventos extremos.

A abordagem considera referências reconhecidas para avaliação, gestão e divulgação de riscos climáticos, incluindo as recomendações originalmente desenvolvidas pela TCFD e os requisitos de divulgação relacionados ao clima da IFRS S2. 

 [Clique aqui e agende uma conversa com nossa equipe!]

Jogo rápido: perguntas frequentes sobre avaliação de risco climático

Qual é a diferença entre adaptação e mitigação climática?

A mitigação visa à redução de emissões de gases de efeito estufa. Já a adaptação foca em ajustar sistemas e estruturas para suportar os impactos climáticos inevitáveis.

Com que frequência a avaliação de riscos climáticos deve ser atualizada? 

Recomenda-se a revisão periódica a cada 1 a 3 anos, ou sempre que houver alteração significativa no portfólio de ativos ou nos cenários de modelagem do IPCC.

Qual é o ponto de partida para empresas que nunca realizaram um diagnóstico de risco climático?

O primeiro passo é o mapeamento georreferenciado e inventário dos ativos. A partir desse levantamento, aplicam-se a modelagem de dados climáticos e os cenários socioeconômicos do IPCC para projetar a vulnerabilidade de cada ativo ao longo do tempo. Esse diagnóstico inicial gera uma matriz de riscos, que embasa a criação do Plano de Adaptação e Resiliência Climática da empresa.

Receba nossa newsletter