Como gerenciar riscos climáticos na gestão de ativos imobiliários?

Os riscos climáticos estão no centro das preocupações globais, especialmente quando a perspectiva é de médio e longo prazo. Considerá-los no planejamento empresarial e dos negócios tornou-se essencial para garantir resiliência, competitividade e sustentabilidade. 

Segundo o Global Risks Report 2026, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, os desastres ambientais já são o terceiro maior risco imediato, atrás apenas de conflitos armados e de disputas econômicas. O estudo, que ouviu mais de 1300 especialistas em riscos globais, tomadores de decisão e líderes da indústria, concluiu que os eventos climáticos extremos, a perda de biodiversidade e o colapso de ecossistemas são os principais motivos de preocupação em um cenário de dez anos.

Quem está à frente da gestão de portfólios imobiliários não pode ignorar essa nova realidade. Os riscos climáticos reduzem o valor e a performance de ativos ao aumentar custos operacionais, diminuir a atratividade de certas localizações e gerar perdas patrimoniais.

O que são riscos climáticos?

Os riscos climáticos podem ser entendidos como os potenciais efeitos negativos da mudança climática sobre o meio ambiente, a economia e a sociedade. Eles englobam tanto os impactos diretos de eventos extremos, quanto os efeitos indiretos da transição para uma economia de baixo carbono. Os riscos relacionados ao clima podem ser lentos em seu início, como o aumento do nível do mar e as mudanças de temperatura, enquanto outros podem ocorrer mais repentinamente, como tempestades e inundações.

“Não há dúvidas sobre a ocorrência dos eventos climáticos extremos. O que não sabemos é quando e em qual proporção esses problemas irão ocorrer. Daí a importância de buscarmos resiliência e adaptação para os nossos negócios”, diz Márcia Menezes, diretora de Inovação, Tecnologia e ESG no CTE.

Quais tipos de riscos climáticos impactam os ativos imobiliários?

Os riscos climáticos se dividem principalmente em dois grandes grupos: riscos físicos e de transição. Ambos afetam diretamente comunidades, empresas e governos.

Riscos climáticos físicos

São os impactos diretos das mudanças no clima e dos eventos extremos que afetam diretamente a infraestrutura. Eles podem ser agudos, como no caso de enchentes e de inundações, ondas de calor e frio, tempestades e incêndios florestais. Eles também podem ser crônicos, quando envolvem mudanças graduais, como a elevação do nível do mar, a desertificação e as alterações nos padrões de chuva. Em especial no caso da gestão de ativos, os riscos físicos podem gerar danos diretos à infraestrutura, elevar custos operacionais, aumentar o risco de vacância e impactar CapEx e OpEx.

Riscos climáticos de transição

Surgem da necessidade de adaptação a novas políticas e tecnologias voltadas para a redução das emissões de carbono. Eles podem ser:

  • Regulatórios e políticos, como a introdução de impostos sobre carbono, restrições à exploração de combustíveis fósseis e a exigência de relatórios de sustentabilidade obrigatórios.
  • Tecnológicos, envolvendo a substituição ou a obsolescência de tecnologias intensivas em carbono.
  • De mercado, como a queda na demanda por petróleo e carvão e o aumento da procura por produtos sustentáveis e recicláveis.
  • De reputação, a exemplo da perda de valor de marca pela não adoção de práticas ESG.

Na gestão de ativos imobiliários, esses riscos podem se manifestar das seguintes formas:

  • Novas exigências sobre eficiência energética e redução de emissões podem desvalorizar os imóveis que não se adaptarem.
  • Obsolescência de ativos. Prédios antigos e ineficientes tornam-se menos competitivos frente a construções sustentáveis.
  • Pressão de investidores e consumidores, reduzindo liquidez de imóveis não sustentáveis.

Por que mapear os riscos climáticos na gestão de ativos imobiliários?

O atual cenário exige negócios resilientes, capazes de se adaptar e de prosperar diante de desafios, crises e mudanças inesperadas. Para isso, uma etapa fundamental é o mapeamento dos riscos climáticos. Só conhecendo essas ameaças, é possível atuar para mitigá-las ou preveni-las. 

Nathalia Rodrigues, consultora ESG no CTE, destaca que o mapeamento pode contemplar tanto riscos físicos quanto de transição. 

“No caso dos riscos físicos, cada ativo passa por uma análise em uma ferramenta computacional capaz de realizar modelagens complexas. Com base nesses resultados, os riscos são graduados em uma escala que varia de baixo a alto, refletindo diferentes níveis de severidade. Já em relação aos riscos de transição, o foco da avaliação está no nível de exposição da organização”, explica a especialista. 

No CTE, todos os riscos podem ser analisados sob perspectivas de aquecimento global mais moderada (RCP4.5) e mais pessimista (RCP8.5), considerando projeções para 2030, 2050 e 2100. Os RCPs (Representative Concentration Pathways) são cenários usados pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) para projetar possíveis futuros climáticos.

Mapear riscos climáticos permite às empresas proteger seus ativos, garantir continuidade operacional e aumentar a competitividade em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais severas. Além de reduzir perdas financeiras, esse trabalho abre oportunidades ligadas à transição para uma economia de baixo carbono.

“O mapeamento de risco climático ainda é visto como um diferencial de mercado. Mas cada vez mais ele será exigido, em um movimento semelhante ao que aconteceu com as certificações ambientais de edifícios”, continua Rodrigues. A consultora do CTE lembra que reguladores e investidores têm demandado cada vez mais transparência sobre as ações relacionadas ao clima. Empresas que se antecipam a esses movimentos ganham credibilidade e acesso facilitado ao capital.

Além de fortalecer a empresa frente às incertezas, o entendimento sobre as ameaças climáticas demonstra um comprometimento com a resiliência das operações, o que por consequência, pode ser converter em um diferencial competitivo. Em operações cuja continuidade é crítica, como data centers e centros de distribuição logística, a segurança é uma variável determinante nos processos de seleção de instalações e na renovação de contratos de locação.

A contratação de seguros é outro fator que reforça a importância do mapeamento dos riscos, seja para proporcionar às empresas melhores condições de negociação junto às seguradoras, seja para orientar de forma mais precisa a definição da cobertura mais adequada.

ESG como ferramenta estratégica: o papel dos relatórios para investidores

O mapeamento dos riscos climáticos cumpre uma função estratégica de transparência junto aos stakeholders, seja por meio de relatórios de sustentabilidade, seja por instrumentos como o GRESB, referência internacional de benchmarking voltada a empresas imobiliárias listadas, fundos privados, incorporadores e investidores.

Trata-se, também, de uma ferramenta essencial para companhias de capital aberto, que a partir de 2027 serão obrigadas a reportar informações sobre riscos climáticos conforme as normas IFRS S1 e S2, elaboradas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB). 

O IFRS S1 define requisitos gerais para a elaboração de relatórios de sustentabilidade, enquanto o IFRS S2 concentra-se especificamente em ameaças e oportunidades relacionadas ao clima. Em conjunto, esses padrões se consolidaram como referência global em práticas de reporte ESG. Não por acaso, bancos e fundos internacionais já exigem que os relatórios estejam alinhados ao IFRS S1/S2.

Como o CTE trabalha com os riscos climáticos?

O CTE apoia seus clientes na identificação e na gestão de riscos climáticos por meio de mapeamento especializado. Além disso, desenvolve planos de resiliência climática que, partindo de um diagnóstico de riscos e vulnerabilidades, estabelecem objetivos de adaptação, sugerem ações concretas para reduzir fragilidades e fortalecem a capacidade de resposta diante de eventos extremos. 

Quer tornar seus ativos imobiliários mais preparados para os impactos do clima e alinhados às melhores práticas ESG? Fale com os especialistas do CTE.

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