Em síntese:
- Os Princípios para o Investimento Responsável (PRI) consistem em seis diretrizes voluntárias para integrar critérios ESG na análise e gestão de investimentos.
- Aderir aos PRI exige incorporar o ESG no processo decisório, exigir prestação de contas das empresas investidas, promover a cooperação no setor e cumprir um ciclo anual de reporte e prestação de contas.
O agravamento das mudanças climáticas e das desigualdades sociais tem impactado investidores em todo o mundo. Em vez do lucro a qualquer custo, ganhou mais protagonismo a ideia de que questões relacionadas ao ESG (Environmental, Social and Governance) afetam, direta ou indiretamente, o retorno e a segurança dos investimentos. Foi esse contexto que levou à criação dos Princípios para o Investimento Responsável (PRI) em 2006. Desde então, a iniciativa já conta com mais de 5 mil instituições financeiras signatárias em todo o mundo.
Princípios para o Investimento Responsável: o que são?
Os Princípios para o Investimento Responsável são um conjunto de diretrizes que oferecem uma gama de ações para incorporar fatores ambientais, sociais e de governança à prática de investimentos.
De adesão voluntária, eles foram criados por um grupo composto pelos maiores investidores institucionais globais, em conjunto com a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI).
Conheça os 6 Princípios do PRI
Ao aderirem ao PRI, os investidores devem levar em consideração seis princípios para investir com responsabilidade:
1- Incorporar temas ESG às análises de investimento e aos processos de tomada de decisão
Para atender a esse objetivo, as empresas devem abordar questões ESG nas declarações de política de investimento e apoiar o desenvolvimento de ferramentas, métricas e análises relacionadas à responsabilidade ambiental, social e à governança. Outras ações recomendadas são:
- Avaliar a capacidade dos gestores de investimentos externos de incorporar questões ESG;
- Solicitar aos prestadores de serviços de investimento que integrem fatores ESG em pesquisas e análises.
2- Ser proativo e incorporar temas ESG às políticas e práticas de propriedade de ativos
Isso significa que os investidores aderentes ao PRI precisam se engajar ativamente com as empresas nas quais investem, incentivando práticas empresariais sustentáveis e responsáveis, além de exercer seus direitos de voto de forma estratégica e fundamentada.
3- Fazer com que as entidades investidas divulguem suas ações relacionadas aos temas ESG
Aos investidores signatários do PRI, recomenda-se solicitar às empresas relatórios padronizados por meio de ferramentas como a Global Reporting Initiative (GRI).
4- Promover a aceitação e a implementação dos princípios no setor de investimento
Os signatários do PRI são incentivados a trabalhar com outras partes interessadas do setor financeiro para promover a adoção dos Princípios, ampliando seu impacto e influência. Outras práticas sugeridas pelo PRI para atender a esse item são:
- Incluir requisitos relacionados aos Princípios em solicitações de propostas;
- Reavaliar relacionamentos com prestadores de serviços que não atendem às expectativas ESG;
- Apoiar o desenvolvimento de ferramentas para benchmarking da integração ESG.
5- Trabalhar em conjunto para ampliar a eficácia na implementação dos Princípios
A colaboração entre investidores é fundamental para compartilhar as melhores práticas e desenvolver novas abordagens para integrar fatores ESG nos processos de investimento.
6- Divulgar relatórios sobre atividades e progresso da implementação dos Princípios
Os signatários devem ser transparentes sobre como estão implementando os Princípios, relatando suas atividades e progressos regularmente.
Por que as empresas devem se comprometer com investimentos responsáveis?
Ao se engajarem voluntariamente com os Princípios para o Investimento Responsável, as organizações assumem publicamente um compromisso com a incorporação de fatores ESG nas decisões e no exercício da propriedade ativa. Mas por que fazer isso?
Primeiro, porque incluir aspectos ESG na análise e nas decisões de investimento implica um melhor gerenciamento de riscos e a ampliação dos retornos.
Além disso, os clientes demandam cada vez mais transparência sobre como seu dinheiro é aplicado, seja por uma conscientização de que os fatores ESG influenciam o valor e a reputação da empresa, seja pela preocupação com os impactos ambientais e sociais de seus investimentos.
Há, ainda, uma questão regulatória, que aumentou significativamente após a crise financeira de 2008 e com a percepção dos órgãos reguladores de que o setor financeiro pode desempenhar um papel importante no enfrentamento de desafios globais, das mudanças climáticas à evasão fiscal.
Muitas empresas e gestoras de ativos imobiliários e fundos de investimento que atuam no Brasil já são signatárias do PRI. Entre elas, podemos citar Kinea, Brookfield, Bresco, Tellus, BTG e Pátria.
O CTE também faz parte deste grupo como um Service Provider. Embora não seja uma administradora de ativos diretamente, a empresa provedora de serviços atua junto a proprietários de ativos e/ou gestores de investimentos, influenciando como seus clientes lidam com as questões ESG. Acesse “Nosso compromisso ESG” para saber mais sobre as ações do CTE nas áreas de Sustentabilidade, Responsabilidade Social e Governança Corporativa.
Como implementar os Princípios para o Investimento Responsável?
Mais do que assinar um documento, aderir aos Princípios para o Investimento Responsável exige a implementação de estratégias, processos e práticas de gestão ESG, bem como o relato de informações ao PRI.
Esse compromisso envolve, inclusive, um calendário anual:
- Janeiro a março — Período de reporte das atividades de investimento responsável;
- Abril a junho — Análise dos dados reportados pelo PRI e elaboração de relatórios de assessment como feedback para cada um dos signatários;
- Julho — Publicação dos relatórios de assessment;
- Julho a novembro — Desenvolvimento, pelo PRI, de melhorias no framework para o ano seguinte, baseado nas respostas dos relatórios e no desenvolvimento do mercado;
- Dezembro — Divulgação do framework do relatório do ano seguinte.
Leia também: Avaliação de riscos climáticos: como identificar vulnerabilidades em ativos corporativos?
Principais Desafios na Implementação do PRI
Outra dificuldade comum é mensurar o impacto das práticas ESG nos resultados financeiros e sociais. De acordo com a pesquisa Global Corporate Reporting and Institutional Investor Survey, da EY (outubro de 2022), 99% dos investidores utilizam as divulgações ESG das empresas em suas decisões de investimento. No entanto, 73% avaliam que as organizações falharam em criar relatórios mais aprimorados, que reúnam divulgações financeiras e ESG, e 76% consideram que as empresas são altamente seletivas nas informações que fornecem, o que levanta preocupações com greenwashing.
Além disso, à medida que a demanda por investimentos responsáveis cresce, as normas regulatórias seguem evoluindo. Com isso, é necessário estar atento às mudanças para garantir conformidade e aproveitar novas oportunidades.
Apoio especializado para a gestão de investimentos sustentáveis
Com um vasto portfólio de soluções para fundos de investimento e gestores de recursos, o CTE oferece apoio às companhias interessadas em aderir aos Princípios para o Investimento Responsável. Também realizamos a gestão sustentável de portfólios imobiliários e desenvolvemos programas completos com estratégias ambientais, sociais e de governança. O foco está em maximizar o desempenho ambiental de todo o portfólio, permitindo a redução de custos operacionais, a melhoria da qualidade de vida das pessoas e a valorização dos ativos. Entre em contato para falarmos mais a respeito!
Jogo rápido: perguntas frequentes sobre PRI (Princípios para o Investimento Responsável)
Qual é a diferença entre investimento tradicional e investimento responsável, segundo o PRI?
- Investimento tradicional: Foca majoritariamente em métricas financeiras de curto e longo prazo (DRE, balanço patrimonial, fluxo de caixa) para avaliar o risco e o retorno.
- Investimento responsável (PRI): Não ignora a análise financeira, mas integra sistematicamente os fatores ESG na avaliação de riscos e oportunidades, reconhecendo que questões como mudanças climáticas, direitos trabalhistas e governança corporativa afetam o valor financeiro do ativo no longo prazo.
O PRI é um órgão regulador ou uma norma compulsória?
Não. O PRI não é um órgão regulador e a adesão é totalmente voluntária. Trata-se de uma estrutura de compromisso (framework) orientada por princípios gerais e boas práticas do setor financeiro global.
Quem pode se tornar um signatário do PRI?
- Proprietários de ativos (Asset Owners): Fundos de pensão, fundos soberanos, seguradoras, etc.
- Gestores de ativos (Asset Managers): Gestoras de recursos e fundos de investimento que administram capitais em nome de terceiros.
- Provedores de serviços (Service Providers): Consultorias, agências de classificação de risco, provedores de dados e auditorias que apoiam a indústria financeira.
Quais são as obrigações de uma instituição ao se tornar signatária do PRI?
- Demonstrar liderança e alinhamento do conselho/diretoria aos compromissos ESG;
- Implementar os princípios em processos de investimento e gestão;
- Preencher o Relatório Anual do PRI (Reporting & Assessment Framework) demonstrando publicamente o progresso das suas práticas ESG;
- Pagar uma anuidade proporcional ao volume de ativos sob gestão ou ao faturamento.
Como o PRI se conecta com outras agendas globais, como os ODS e o Acordo de Paris?
O PRI incentiva que os investidores utilizem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e os limites do Acordo de Paris para mapear e mensurar o impacto das suas carteiras, conectando a alocação de capital aos desafios globais da sustentabilidade.


