CTE e Cyrela são parceiros na qualificação socioambiental de fornecedores

Programa identifica pontos críticos e riscos nos aspectos ambientais e sociais dos fornecedores da cadeia de fornecimento

Um dos grandes desafios para as empresas do setor da construção em relação à questão da sustentabilidade tem sido ampliar a visão puramente econômica e incluir em suas estratégias também as dimensões ambientais e sociais. A incorporação dessas dimensões nas práticas das organizações não é tarefa fácil, na medida em que o ciclo de vida dos empreendimentos é bastante longo e não são poucos os seus intervenientes.

 

Algumas empresas do setor, no entanto, caminham para absorver em seus processos uma série de atividades para a mitigação de riscos de impactos no meio ambiente e na sociedade em geral, e têm se dedicado a envolver também os fornecedores de materiais e serviços neste caminho. Este é o caso da Cyrela, que decidiu investir no conhecimento mais apurado de seus fornecedores.

 

Condomínio Thera Berrini, empreendimento Cyrela (São Paulo/SP)

 

“Nos últimos tempos, temos visto várias reportagens na mídia tratando de condições precárias de fornecedores de grandes marcas e empresas, inclusive do setor da construção, agindo em plena informalidade ou sendo autuadas por trabalho análogo ao escravo. Isto nos alertou com relação à cadeia produtiva da construção, que é muito ampla, e decidimos identificar pontos críticos tanto nos aspectos ambientais como sociais dos fornecedores para atuarmos na prevenção de riscos e com plena segurança”, explica Alexandre Amado Britez, diretor do departamento de Qualidade e Desenvolvimento Tecnológico da Cyrela.

Para que esta demanda fosse prontamente atendida, o CTE desenvolveu o Programa de Qualificação Socioambiental de Fornecedores da Construção. “Como não havia programa do gênero no setor da construção, partimos dos vários conceitos da sustentabilidade e dos vários intervenientes na cadeia de fornecedores de serviços e materiais para podermos estruturar esse trabalho. O princípio do programa é manter uma relação transparente com fornecedores, que terão a oportunidade de demonstrar tanto os seus processos como as suas práticas, rotinas e estratégias relacionadas a questões socioambientais, e desta forma poderá se garantir parcerias duradouras”, comenta Marcia Menezes, diretora da área de Inovação & Tecnologia do CTE.

Os objetivos principais do programa são desenvolver a cadeia de fornecimento com foco na sustentabilidade, identificar situações de risco para o contratante, reduzir o passivo jurídico, difundir as políticas da empresa em relação à sustentabilidade e implementar uma sistemática contínua de monitoramento dos fornecedores.  Assim, o sistema de seleção de fornecedores inclui a etapa “Qualificação socioambiental de fornecedores”, cujo objetivo é avaliar o comprometimento dos contratados em relação aos conceitos de sustentabilidade.  

A partir de um questionário elaborado de forma alinhada com as políticas de sustentabilidade da empresa, o CTE realiza as avaliações dos fornecedores em sua sede administrativa, na fábrica e na obra. Os critérios são padronizados e sua aplicabilidade é definida em função da natureza do fornecimento e do risco do negócio. Com as verificações realizadas pela equipe do CTE, a empresa adquire um conhecimento mais preciso da situação das obras e de seus fornecedores e tem a oportunidade de desenvolver um trabalho para a melhoria das empresas parceiras.

 

Edifício Wave, empreendimento Cyrela (Santos/SP)

 

Na Cyrela, o programa de qualificação socioambiental de fornecedores se ampliou e chegou à avaliação dos alojamentos disponibilizados pelos subempreiteiros para os funcionários que vinham de outras localidades. “Não é prática de a Cyrela manter alojamentos em canteiros obras, mas existem fornecedores que não conseguem dispor de mão de obra especializada em regiões fora de grandes centros e podem ter que recorrer a alojamentos próximos aos canteiros. Sendo assim, decidimos que esses alojamentos deveriam ser também avaliados e verificadas todas as condições de instalações, o que está ocorrendo em várias cidades e segundo as normas vigentes”, afirma Britez.

A Cyrela está neste momento em uma fase de conhecimento das condições dos seus fornecedores. Alguns documentos, como carta convite, contrato de fornecimento e controles de gestão na obra já estão sendo adaptados, conforme os resultados das auditorias do CTE. “Temos uma parceira de longa data com o CTE, uma empresa de consultoria voltado ao nosso setor, sempre aberta para construir junto um projeto e com profissionais experientes. Estamos muito satisfeitos com esse programa, e a ideia é agora selecionarmos os melhores fornecedores e criar diretrizes para nos prevenirmos dos riscos”, finaliza Britez.

Incorporar os conceitos de sustentabilidade dentro da organização é o primeiro passo para que a empresa assuma suas responsabilidades com relação aos seus negócios, com o meio ambiente e a sociedade, mas não é suficiente. “A incorporação dos conceitos de sustentabilidade nas organizações, aliada a ferramentas para a gestão e controle das operações de forma transparente e ética, é certamente objetivo a ser alcançado pelas empresas preocupadas com sua atuação no médio e longo prazo. Neste sentido, é muito importante envolver os fornecedores de materiais e serviços, sem os quais a construção não se realiza”, finaliza Marcia Menezes.

 

 

Edifício Idylle, empreendimento Cyrela (Campinas/SP)