Sistema de Construção a Seco da Saint-Gobain obtém o DATEC do Ministério das Cidades

Este é o primeiro documento de avaliação técnica nacional emitido para um sistema construtivo não baseado em concreto

 

O Sistema de Construção a Seco da Saint-Gobain (light steel frame) obteve o DATEC – Documento de Avaliação Técnica, nº 14, emitido pelo Ministério das Cidades por meio do SINAT – Sistema Nacional de Avaliação Técnica. Com esse documento, o sistema construtivo pode ser utilizado em obras financiadas pela Caixa Econômica Federal, principalmente as do Programa Minha Casa Minha Vida.

 

O sistema construtivo foi desenvolvido e adaptado à realidade brasileira durante três anos pela Saint-Gobain em parceria com a Universidade de Minas Gerais (UFMG) e assessorado pelo Centro de Tecnologia de Edificações (CTE).

Marcia Menezes, diretora da Unidade de Inovação e Tecnologia do CTE, conta que o acompanhamento do sistema construtivo foi feito desde o desenvolvimento dos projetos, passando pela implantação da obra piloto e até a obtenção do DATEC. “Montamos um sistema de gestão para garantir que os requisitos de desempenho sejam cumpridos em todas as obras”, explicou.

A estrutura da casa de aço leve é montada no canteiro utilizando mão de obra especializada e tem vedação externa em chapas cimentícias e interna em dry wall. O material empregado no acabamento é o mesmo utilizado em obras de alto padrão diferenciando assim o produto final de outras habitações populares do mercado.

“Trata-se de uma verdadeira industrialização da construção, utilizando placas cimentícias sem amianto, produtos para isolação térmica e acústica em lã de vidro, placas de drywall, argamassas e impermeabilizantes da Weber”, afirma o diretor de Projetos – Marketing Habitat da Saint-Gobain no Brasil, Paulo Perez.

São inúmeras as vantagens desse sistema construtivo, desde a própria construção até a manutenção do produto final. As casas são confortáveis, sustentáveis e de fácil manutenção, cada proprietário recebe um manual com orientações de uso e operação da casa e pode fazer um reparo hidráulico e elétrico de forma rápida e “limpa”.

A diretora do CTE destaca a produtividade como principal vantagem deste sistema que, além de garantir a rapidez na montagem das casas, também influencia no custo da obra. Assim o sistema fica mais competitivo em relação à construção convencional. O sistema a seco leva de 8 a 9 dias para chegar à fase de acabamento, enquanto o convencional leva cerca de 40 dias. Essa economia pode representar uma redução de 35% a 40% do tempo total da obra. Além das vantagens dos custos e da velociadade, está o controle total dos processos pela construtora, que pode atuar como uma 'montadora' ao utiizar sistemas industrializados.

“É bom destacar que a industrialização está alinhada também com o conceito de sustentabilidade. Por um lado, há redução de desperdícios e baixo consumo de água e de energia, por outro o rápido acesso à moradia a um custo viável, o que abrange as três dimensões da sustentabilidade”, explica Marcia.

Luiz Guilherme Zigmantas, Engenheiro da Caixa, GIDUR-SP, que acompanhou o desenvolvimento do sistema a seco da Saint-Gobain, compartilha da ideia de que a industrialização da construção deverá ser uma tendência na construção do país e que as soluções em estruturas leves contribuirão neste sentido. Segundo Sigmantas, "os sistemas aprovados no âmbito do SINAT atendem a todos os critérios de desempenho previstos na NBR 15.575, no que diz respeito aos componentes do sistema. Outras soluções em estruturas leves estão sendo analisadas pelo Ministério das Cidades (SINAT) e pela Caixa, constituindo marco importante para o aculturamento brasileiro à construção habitacional leve".

Marcia Menezes destaca a importância da criação de novas tecnologias e soluções para diminuir os custos e desenvolver o setor da construção, mas critica a demora nos processos de aprovação pelo SINAT. “Poucos empreendedores têm a coragem de enfrentar a maratona e chegar ao final com um DATEC. Entretanto, a mão de obra vai ficar cada vez mais cara e escassa e as oportunidades para a construção só tendem a aumentar. Para manter os custos num patamar viável, serão necessárias novas soluções”.

O Sistema de Construção a Seco Saint-Gobain foi aplicado pela primeira vez no Brasil em habitações populares em Ponta Grossa no Paraná, em um empreendimento do Minha Casa Minha Vida. Das 339 casas financiadas pela Caixa Econômica Federal, 40 foram construídas com o sistema.

 

Visão geral do sistema light stell frame da Saint-Gobain na construção de casas do MCMV em Ponta Grossa (PR)