Candidatos propõem ajudar construção

Na corrida pelos votos, os candidatos à Presidência prometeram mais crédito e investimentos sem precedentes ao setor de construção civil, um motor do Produto Interno Bruto (PIB) e do emprego. Eles concordaram que a concentração no setor financeiro é um fator que encarece o custo do crédito e reconheceram uma paralisia nos escalões técnicos do governo por receio de problemas com a Justiça, no chamado "apagão das canetas".

Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT) e Henrique Meirelles (MDB) foram ouvidos ontem no evento Coalizão para a Construção, que reuniu 26 entidades do setor. O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, não participou. Mas foi lembrado pelos concorrentes. Marina pediu aos empresários que não caiam no "conto do vigário" da "saída antidemocrática". Ciro disse que há candidatos fazendo "apologia da ignorância, porque isso dá uma certa afinidade com o nosso povo. Aí vou chamar o posto Ipiranga, vou resolver as coisas do País a bala."

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, prometeu destinar cerca de RS 3 bilhões para o setor de saneamento. O dinheiro seria resultado de um redirecionamento do Pasep e da Cofins hoje cobrados das companhias de saneamento. Com isso, os recursos do FGTS seriam prioritariamente dirigidos à habitação. O tucano disse que poderá equalizar as taxas de juros dos financiamentos ao setor.

Já o candidato do MDB, Henrique Meirelles, afirmou que colocará em andamento "o maior programa de investimentos em infraestrutura do Brasil e, talvez, do mundo". "Será o maior já imaginado nos sonhos mais otimistas." Ele prometeu acelerar o programa de concessões e direcionar R$ 80 bilhões para concluir mais de 7 mil obras que estão paralisadas. Os recursos viriam de "diversas fontes", entre elas a reforma da Previdência.

O candidato do PDT, Ciro Gomes, disse que a meta é criar 2 milhões de empregos com a aplicação de recursos do FGTS. Ao dizer que existe cartel de bancos, em que cinco instituições concentram 85% do crédito, ele prometeu usar o peso do Banco do Brasil e da Caixa para reduzir o custo dos empréstimos. "Vamos tirá-los do cartel e forçálos a competir." A fórmula defendida por Ciro já foi testada nos governos do PT. Na época, as taxas de juros apresentaram recuo. Porém, o crédito farto levou ao aumento da inadimplência. A fórmula foi abandonada no governo de Michel Temer.

A atuação dos bancos foi também atacada pelo candidato do Podemos, Alvaro Dias. Ele defendeu uma investigação para determinar se há privilégio aos 12 "dealers" que operam os títulos públicos brasileiros, dos quais nove são bancos. "A taxa de juros pode cair se administrarmos melhor a dívida pública e sua evolução", comentou.

Em comum, os cinco candidatos defenderam a entrada de novos agentes no mercado de crédito, como as cooperativas e as fintechs. "Precisamos de uma oferta de crédito mais diversificada", disse Marina. Ela acrescentou que o cadastro positivo (lista de bons pagadores) também ajudará a reduzir as taxas.

Os candidatos reconheceram ainda que os funcionários públicos convivem hoje com o temor de serem responsabilizados pessoalmente pela Justiça ou por órgãos de controle por decisões que tomam em nome do governo, no que os empresários chamam de "apagão das canetas". Para Marina, esse problema pode ser combatido com maior rigor na elaboração dos projetos. Ciro acrescentou que prefeitos receiam tomar providências porque um "garoto do Ministério Público" quer dizer a ele o que fazer, e como.

Por Lu Aiko Otta, Mariana Haubert e Renan Truffi

Fonte: O Estado de S. Paulo, Economia, 07/08/2018