Opinião: O custo dos imóveis verdes

Estamos em uma encruzilhada. Na economia, o conflito é entre o crescimento sustentável e o crescimento como um objetivo em si mesmo. O condomínio é um microcosmo da encruzilhada. O melhor custo-benefício incidirá sobre o empreendimento "comum" ou sobre aquele ecologicamente correto? Qual dos dois será o melhor negócio?

A reciclagem de lixo e óleo de cozinha, o reaproveitamento de águas pluviais, telhado verde, fornecimento de água individualizado, energia solar, compostagem e utilização de materiais certificados podem ser a receita de um negócio campeão de vendas. Mas não é tudo.

Muitos outros itens vão surgir à medida que essa tendência se torne consolidada. Estamos apenas no início de um longo aprendizado. Essa etapa de aprendizado se tornou necessária porque, aos poucos, fomos descobrindo que o meio ambiente tem um limite de uso de seus recursos.
Para ser um bom negócio, no entanto, esse empreendimento verde precisa da consciência de todos os envolvidos: desde o síndico até moradores, não excluindo o corpo de funcionários. A comunidade do condomínio precisa estar ciente de que, de forma ecologicamente correta, o imóvel é mais longevo e, no mercado imobiliário, longevidade representa dinheiro.

Um condomínio cujos moradores não estejam afinados com a postura ecológica vai encontrar dificuldade para se tornar realmente verde. Mesmo que o síndico e o corpo diretivo estejam engajados na nobre causa, a participação dos moradores, principais interessados, é fundamental.

O morador verde é um cidadão verde. Ele leva para o condomínio o procedimento que tem em sua vida social. Cuida da emissão de gases do seu automóvel, não buzina fora de hora, não liga o carro ainda na garagem para esquentar o motor. Vigia as torneiras, o chuveiro, os gastos desnecessários de energia elétrica. Evita o desperdício desses recursos na sua unidade autônoma e também nas áreas comuns. Ajuda a vigiar os funcionários do empreendimento e vigia seus próprios empregados domésticos.

Para uma correta coleta seletiva de lixo ou de óleo de cozinha, economia de água e energia elétrica, os funcionários não seguirão novas regras de aproveitamento se os patrões não ensinarem. Os patrões sabem do que se trata? Talvez o síndico deva ajudar colocando literatura verde em áreas comuns, para que todos leiam.

Sustentabilidade pode ser um bom negócio para todos no condomínio e para cada um em particular. Essa postura vai extrapolar como tendência e as construtoras e incorporadoras vão começar a prestar mais atenção nesse novo tipo de consumidor. Vai mexer com a publicidade nos lançamentos.

Itens sustentáveis tendem a ser parte importante dos anúncios. É o mesmo que acontece nos anúncios de outros produtos, que já começaram a colocar em destaque inovações que ajudam o meio ambiente, em lugar de exauri-lo.

Estamos na encruzilhada. Talvez a economia globalizada nunca tenha chegado ao impasse atual entre a antiga ideia de crescimento ilimitado e o respeito ao meio ambiente. Não sabemos ainda quem vai vencer. Mas se prevalecer a economia do crescimento ilimitado e a qualquer custo, seremos todos perdedores.

Por Hubert Gebara, vice-presidente Administração Imobiliária e Condomínios na Secovi-SP

Fonte: O Estado de S. Paulo, Artigo, 10/06/2108