SP: Construtora detalha como será o Parque Augusta

Em entrevista exclusiva, presidente da empresa responsável pela obra explica cronograma.

O imbróglio envolvendo o terreno de 23,7 mil metros quadrados na Rua Augusta, entre a Caio Prado e a Marquês de Paranaguá, é longo e complexo. O espaço histórico que abrigou, por décadas, o tradicional Colégio Des Oiseaux tem uma privilegiada área verde, que deve se tornar parque aberto ao público. O consenso para aí. Porque de um lado há os que defendem o direito de as construtoras - proprietárias do terreno - erguerem um empreendimento na outra parte do imóvel e, como contrapartida, permitirem que a população usufrua do parque, privado. Do outro, a luta é pela desapropriação de todo o terreo - como consequência, a população ganharia um parque completamente público, sem os edifícios previstos pelas construtoras.

Na última quarta, a reportagem do Estado foi recebida por representantes das duas construtoras proprietárias do imóvel - entre eles o diretor de Relações Institucionais da Cyrela, Jaime Flechtman, e o presidente da Setin, Antonio Setin. Este último concedeu uma longa entrevista expondo a posição da empresa nessa questão. Confira:

Como será o parque que vocês planejam entregar ao uso público?

O futuro parque terá iluminação, internet Wi-Fi, espaço restrito para cães, playground, todo um conjunto que atenda desde a uma pessoa de 90 anos de bengala até a uma criança que entra em um carrinho de bebê. A pessoa vai poder passear no parque e tomar um café - a casa que está dentro do bosque, onde funcionava a administração do antigo colégio, será restaurada e transformada em um espaço para café e livraria. O parque foi pensado para que tenha exatamente a cara que tem a região da Augusta. O empreendimento está concebido com usos para que fique vivo 24 horas por dia. Mas é claro que um conselho gestor, que deve ser formado para administrar a área verde, irá determinar o horário de funcionamento do parque. Haverá vigias e portões. Que irão abrir e fechar, conforme ficar acertado. Algo como das 6h às 22h.

É importante ressaltar que o bosque deverá se tornar de acesso público em consequência de um futuro emprendimento. Estamos falando de um terreno privado, com tombamento - tombamento que protege a área verde, a casa e o pórtico, que são remanescentes do colégio.

Como será o conjunto de prédios que vocês irão construir ali?

Serão quatro edifícios, com uso misto. É importante lembrar que todo o empreendimento será de fruição pública. Tanto o bosque, que será um parque, como os edifícios, que terão uma praça no térreo, de modo a criar uma permeabilidade visual e acessível. Caminhando pela Rua Augusta será possível ver o bosque ao fundo. Ou seja: tudo estará integrado com os vizinhos, com a rua, com os pedestres.

Ativistas defendem que o terreno seja desapropriado e ali criado um parque público. Em sua opinião, qual a vantagem de um parque privado?

O lado positivo é que a prefeitura não irá usar recurso público nenhum para viabilizar um parque. A administração pública é lenta, pelo próprio processo. Neste caso, iremos criar um parque praticamente de imediato e sem custo algum, nem de desapropriação, nem de implantação, nem de manutenção. Com um bônus ao município: continuaremos pagando o IPTU da totalidade do terreno.

Só estamos insistindo neste projeto porque realmente somos apaixonados pela região central da cidade e acreditamos que se trata de algo bom. Estamos há cinco anos tentando convencer o poder público de que vale a pena empreender ali e doar este parque para o uso da população. Seria muito mais fácil, como empresários, construir em outro local.

Depois de implantado, como o parque será mantido?

Pelo condomínio. Os futuros condôminos do empreendimento já saberão que um percentual do pagamento será, obrigatoriamente, revertido para a manutenção da área verde. Estimamos que com R$ 50 mil mensais o parque pode ser mantido de forma excelente.

De acordo com o tombamento, vocês são responsáveis pela preservação da área?

Sim, somos obrigados a preservá-lo. E aí, quando há uma invasão, como a que ocorre, esse patrimônio histórico acaba sendo depredado e nós podemos ser responsabilizados por não estarmos preservando.

Todas as árvores serão mantidas?

São 709 árvores. É importante lembrar que esse bosque não é um remanescente de Mata Atlântica, como muitos dizem. Era um jardim da mansão original, depois foi alterado pela escola. De modo que 19% das árvores realmente são de Mata Atlântica - e, destas, metade são pitangueiras. As demais são espécies exóticas. Independentemente disso, é um bosque e tem valor de área verde importante. Entendemos que valoriza o ambiente e vai ser mantido porque é tombado. Precisaremos remover algumas árvores pelo projeto, mas nos comprometemos a plantar 10 novas árvores para cada uma das que precisarem ser retiradas. Ou seja: o resultado final será um parque com mais árvores ainda.

Outro ponto importante é com relação à impermeabilização do solo, em razão dos edifícios a serem construídos. Como vocês defendem isso?

A área que será construída já está impermeabilizada hoje, pois ali foi feito um estacionamento. Do conjunto todo, de 23.733 metros quadrados, 50,8% será permeável. As pessoas precisam entender que o terreno é particular, tem dono. Vamos viabilizar um empreendimento seguindo o que a lei determina. Conservaremos o que o Conpresp tombou, desonerando totalmente o cofre público de desapropriação, implantação e manutenção.

Quando as obras devem ser iniciadas?

O projeto ainda tem um trâmite a percorrer dentro da administração municipal. Estimamos que as obras sejam iniciadas em 6 meses. De 12 a 18 meses o parque estará pronto - se não houver mais invasões, mais gente atrapalhando o dia a dia, em 2016 o parque estará aberto à população. Só então começaremos os alicerces do conjunto de prédios, que deve ser entregue em 2019 ou 2020.

Por Edison Veiga

Fonte: O Estado de S. Paulo, Blogs, 09/02/2015 - http://sao-paulo.estadao.com.br/blogs/edison-veiga/parque-augusta-construtora/