Parques e praças valorizam novos investimentos

 

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (SP), 6 de novembro de 2008 - Parques ecológicos e grandes praças têm se transformado em um dos grandes diferenciais para o mercado imobiliário de São José dos Campos (SP). Atualmente, cerca de 25% dos empreendimentos do setor estão sendo planejados e construídos nos entornos dessas áreas. Nos últimos três anos, a prefeitura local criou e repotencializou cerca de uma dezena de áreas destinadas ao lazer e à conservação ambiental, o que atraiu novos empreendimentos para as áreas vizinhas a esses espaços públicos.

O avanço na constituição dessas áreas já totaliza 1,7 milhão de metros quadrados somente em parques, distribuídos por todas as áreas da cidade. Um dos principais empreendimentos municipais por parte da prefeitura nos últimos dois anos foi a aquisição do complexo sanatorial do início do século passado e sua extensa área verde. Situado em meio ao centro urbano e em uma das regiões mais valorizadas, o parque se tornou o ponto preferido da classe média alta. Foram pagos cerca de R$ 25 milhões em negociação feita com a então proprietária, a Santa Casa de São Paulo, para adquirir em 2006 a área de 84,5 mil metros quadrados e suas 15 edificações em arquitetura hospitalar clássica e com forte tendência da arquitetura européia do século 19.

A área de bosque do Vicentina Aranha perfaz 44 mil metros quadrados e detém árvores raras e centenárias. Dotado de pistas de caminhadas iluminadas, palco para concertos de jazz, entre outros equipamentos, o local virou sinônimo de bom gosto e é freqüentado diariamente por mais de cinco mil pessoas. Rapidamente houve uma corrida por aquisição de áreas nas redondezas.

Morar nas regiões de parques e praças se tornou uma forte tendência, conforme avaliação da diretora da construtora Terra Simão, Giselle Simonetti. "O fenômeno de vendas próximo a parques e áreas ambientais está diretamente ligado à percepção visual das pessoas. Além disso, há uma busca por qualidade de vida, principalmente por quem habita áreas metropolitanas e grandes cidades", observou.

Atualmente, existem 140 empreendimentos imobiliários em construção na cidade, sendo que mais de 30% deles estão próximos a esses novos espaços de lazer. Para o presidente da Associação das Construtoras do Vale do Paraíba (Aconvap), João Dantas, a perspectiva é aumentar a demanda por imóveis nessas regiões recém-valorizadas.

"O surgimento de novos parques e das grandes praças é algo muito importante para o nosso setor, o entorno vem sendo adquirido pelo mercado imobiliário para empreendimentos que valorizam a localização. Os potenciais compradores apreciam muito esse tipo de espaço público", argumentou o dirigente da Aconvap.

As pesquisas feitas pelas entidades do setor mostram que essas habitações são destinadas geralmente ao segmento A e B. No perfil médio apresenta um consumidor que tem ou está constituindo família e procura por locais que preservem a qualidade de vida, ofereçam boas opções de lazer, acesso fácil e segurança. O boom imobiliário em São José dos Campos levou o setor, somente no primeiro semestre deste ano, a movimentar R$ 1,75 bilhão.

Perfil dos imóveis

Segundo levantamento feito pelas construtoras, a procura é focada em apartamentos maiores com 3 e 4 dormitórios, projetados para atender às necessidades de famílias e que traga ainda um alto valor agregado. Os empreendimentos oferecem opções de lazer e paisagismo que se integram às características da região em que estão localizados.

Próximo à praça Riugi Kojima, construída em comemoração ao centenário da imigração japonesas, e com mais de oito mil metros quadrados onde existe um imenso Torii e todo um cenário oriental, a construtora Gafisa lançou o Pátio Condomínio-Clube, empreendimento que marca sua entrada em São José dos Campos.

Localizado no residencial Jardim Aquários, a construtora inova ao criar um verdadeiro bairro no local, denominado Vila Nova São José. Segundo a companhia, isto traduz o conceito de novo urbanismo, tendência mundial na qual se atende todas as necessidades de lazer, serviços, e comércio da comunidade em um mesmo lugar, além de segurança e conforto aos seus moradores. O espaço terá desde sapataria até piscina climatizada coberta e cinema.

O residencial Pátio Condomínio-Clube terá cinco torres com 96 unidades em cada delas. As residências possuem entre 90 m a 125 m. Todos os apartamentos terão terraço gourmet com opção de living ampliado, 2 a 4 dormitórios, com 1 a 3 suítes, 1 ou 2 vagas de garagem. Ocupando uma área de 13.654 mil metros quadrados o condomínio está próximo a duas das maiores praças da região, a Ulisses Guimarães com 38 mil metros quadrados e do Jardim Japonês.

Os mesmos espaços públicos também são partilhados pelos empreendimentos da construtora local Terra Simão. Os prédios de alto padrão Grand Splendor e o Splendor Blu, que têm uma proposta de paisagismo e que se integra com as belezas naturais do futuro Parque do Banhado, são considerados o mais importante cartão postal do município.

O crescimento e o nível de exigência imposto hoje ao mercado imobiliário é um reflexo do desenvolvimento acelerado e do crescimento que a cidade teve nos últimos tempos. Isso gera a necessidade de novos padrões de empreendimentos, que visam mais qualidade de vida, oferecem boas opções de lazer, além de possibilidade de valorização. "Não podemos esquecer que existem muitos investidores adquirindo esses imóveis na planta para depois revendê-los ou mesmo locá-los, pois há uma alta demanda de imóveis para a locação em São José dos Campos. Isto porque somos uma cidade com grande rotatividade de profissionais e executivos que vêm para atuar nas multinacionais e trazem as famílias", observou Simonetti.

Valorização de novas áreas

A região norte, onde se encontra o bairro de Santana, é um bom exemplo. Uma das localidades mais antigas da cidade tem se transformado num novo e atraente espaço para os grandes investimentos imobiliários. A revalorização se deu, principalmente, pela ativação do Parque da Cidade Burle Marx, com 516 mil metros quadrados e um dos espaços públicos mais freqüentados em todo Vale do Paraíba.

A Cisa Construtora foi uma das pioneiras a observar o grande potencial do lugar. Bastou notar o comportamento do mercado. Um empreendimento construído em 2001 na região valia R$ 55 mil. Com a valorização da área devido às melhorias implementadas no parque, o mesmo imóvel chegou a R$ 100 mil.

A empresa, também sediada no município, tem focado seus lançamentos nas vizinhanças deste espaço, que mantém jardins de Burle Marx, construções de Rino Lévi, painéis de Rebolo e uma vasta estrutura para atividades físicas, grandes shows ao ar livre e eventos culturais. Neste ano a empresa lançou o edifício Solare. O prédio tem 15 andares com um total de 120 apartamentos e 4 elevadores.

Os apartamentos possuem três dormitórios com área total de 86 m, divididos em suíte, dois quartos, banheiro social, salas de estar e jantar, cozinha, área de serviço e sacada. Cada unidade possui também duas vagas na garagem. As obras têm previsão de término em dezembro de 2010. O valor do imóvel varia entre R$ 180 e R$ 300 mil.

A valorização da área, que há menos de uma década praticamente era descartada para empreendimentos de alto padrão, é apontada como um dos fatores responsáveis pelo número de apartamentos já vendidos. Segundo o coordenador de vendas da construtora Magno Mendes Ribeiro Marino, em 8 meses do lançamento mais de 70% das unidades já foram negociadas.

Feliz comprador

A aquisição do novo apartamento do jornalista Ricardo Santos foi pela localização. Adquirido no final de 2007 por R$ 115 mil, a decisão de estar a pouco mais de 200 metros do Parque da Cidade pesou no momento da assinatura do contrato. A valorização tem sido alta e ele percebeu que fez um ótimo investimento. "Na planta esse apartamento custava R$ 80 mil e agora gira na faixa de R$ 130 mil", comenta Santos.

Ele passou a morar no condomínio Parque das Palmeiras, da construtora Cisa, em março deste ano. Como é nascido na cidade e conhece bem a zona norte, pode estar atento ao crescimento do lugar. "Em oito anos foram construídos sete edifícios e outros três estão sendo erguidos somente na região em que comprei."

"O mote de venda foi o parque, inclusive colocaram o nome dos empreendimentos todos começando com a palavra 3parque3. Lá tem os condomínios Parque da Cidade, das Palmeiras, das Artes entre outros, com um detalhe, o apartamento com vista para o local era mais caro", revela animado com a expansão do comércio local com estabelecimentos compatíveis com os níveis de exigência dos novos moradores.

Ele gosta de morar na região e principalmente de ser vizinho do parque municipal mais agitado da cidade. "Eu passei a cuidar melhor da minha saúde, faço caminhadas no parque e também conto com toda infra-estrutura necessária para ter uma boa qualidade de vida." (Júlio Ottoboni - Gazeta Mercantil)