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Perfil | Eduardo Seiji Yamada

19 de maio de 2022

Desde menino, Eduardo Yamada demonstra aptidão para a engenharia. O desenho de uma casa com postes, fios, tubos e torneiras feito quando ele tinha pouco mais de oito anos, já indicava o fascínio dos temas que o acompanharia até os dias de hoje. 

Referência no mercado brasileiro quando o assunto são sistemas prediais, o gerente técnico da Unidade de Sustentabilidade compartilha conosco sua trajetória profissional, que começou como projetista e culminou na atuação como consultor e professor. Continue conosco e conheça mais um talento da equipe do CTE.

O que te levou à engenharia?

Sempre fui extremamente curioso em entender como as coisas funcionam. Eu adorava, por exemplo, desmontar brinquedos que enjoava e que quebravam “espontaneamente” para entender como funciona, para depois montar outros brinquedos que criava. Além disso, uma referência importante foi meu pai, Mário Yamada, que era tipo um “Professor Pardal” e sempre gostou de consertar e fazer tudo sozinho em casa. E quando era pequeno, eu era a “sombra” dele. Ele trabalhava na marcenaria do meu avô e, nas horas vagas, eu ficava por lá pegando tocos de madeira, martelando, cortando e produzindo brinquedos. Aquilo era o meu melhor playground. Todo esse contexto foi me conduzindo para a engenharia.

É verdade que o Eduardo menino já desenhava instalações?

Outro dia uma tia me mostrou um desenho que fiz quando tinha uns oito anos. Era a representação de uma casa com postes, com detalhes dos fios, instalações, torneiras, etc. Eu adorava desenhar coisas técnicas e em três dimensões. Era claro que eu seria engenheiro. Como eu também gostava muito de eletrônica, quando terminei o colégio prestei vestibular para engenharia elétrica e entrei na POLI-USP. E, ao final do terceiro ano, precisei decidir sobre qual área seguir na elétrica. Foi quando pedi transferência para a civil.

Depois disso, você continuou seus estudos na área de instalações prediais, certo?

Em 1997 o mercado não estava muito favorável. Ao mesmo tempo, instigado por alguns professores, me voltei para o mestrado em sistemas prediais, com ênfase na parte elétrica e de automação predial. No final das contas, consegui uma formação que juntava tudo o que eu gostava, combinando a engenharia civil com a parte de elétrica e eletrônica predial.

Você trabalha no CTE há mais de 14 anos. Como essa jornada começou?

Comecei minha carreira atuando com projetos de obras de engenharia. Passei cerca de oito anos trabalhando com projetos de sistemas prediais, de automação, elétricos e hidráulicos. Aprendi muito nessa fase da minha vida e sou grato a todos os colegas projetistas com quem trabalhei, que me ensinaram e orientaram sobre o desenvolvimento dos projetos. Em 2007, assisti uma palestra sobre o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) e fiquei encantado com a metodologia baseada numa métrica de avaliação integrada e sistêmica dos projetos de sistemas prediais e a arquitetura. Isso me levou a conversar com o CTE. Por ter essa experiência prévia com projetos, fui destacado para entender e traduzir os requisitos dos referenciais da certificação LEED e normas internacionais da ASHRAE com a equipe, principalmente nos temas relacionados a sistemas prediais, além de ajudar a orientar e capacitar a equipe e desenvolver as documentações de consultoria. Coordenei alguns projetos e, pouco depois, passei a apoiar mais a equipe, aplicando treinamentos, participando em reuniões com projetistas e clientes, acompanhando obras em serviços de comissionamento, além de atuar na gestão técnica de sistemas prediais da unidade. 

Agora, na posição de consultor, como é sua interação com os projetistas?

Participo em muitas reuniões com projetistas, consultores e clientes e é sempre muito bom compartilhar o meu conhecimento com as equipes, trazendo o conceito e justificativa técnica de modo a promover a eficiência e sustentabilidade nos projetos. Vejo muitos consultores no mercado que são meros aplicadores de checklists e desrespeitam os projetistas. Trabalho na contramão disso porque, como vivenciei o outro lado também, na minha visão, o consultor é alguém que vem para ajudar, orientar e agregar valor na informação técnica, e não somente apontar erros e desmerecer o trabalho dos outros. 

“O consultor é alguém que vem para ajudar, orientar e agregar valor na informação técnica”.

Como surgiu a oportunidade de ser professor?

Na minha vida, as coisas foram acontecendo sempre de forma muito natural e em função da minha trajetória profissional, sendo que nunca passou pela minha mente a intenção de ser professor. O fato de o CTE me oferecer a oportunidade de orientar e ensinar as pessoas, permitiu que eu desenvolvesse essa minha competência e habilidade de educador. Desde 2011 ministro aulas o atualmente coordeno um módulo do curso de “Geração Distribuída, Energias Renováveis e Eficiência Energética em Empreendimentos” no Programa de Educação Continuada da POLI (PECE-USP) e também ministro aulas em cursos de pós-graduação na FAAP e no Mackenzie na área de sustentabilidade em projetos.

O que mais te atrai em seu trabalho?

O que mais me motiva e gratifica é poder ter uma percepção de que o cliente, um colega projetista, alguém da equipe ou meu aluno, ficou satisfeito com o meu auxílio e conhecimento. Também é muito gratificante ter a interação nas obras com os instaladores e engenheiros de obra em busca da qualidade da execução e perfeito funcionamento dos sistemas. Sempre que recebo um agradecimento, tenho a sensação de missão cumprida. É isso que me fortalece e que me traz cada vez mais a felicidade profissional, me incentivando e guiando a continuar nesse meu caminho.

Você poderia dar algum conselho para os profissionais em início de carreira no setor da construção?

Falo em função da minha experiência própria e do que eu vivi. Toda pessoa possui uma habilidade, uma aptidão, algo com o qual se identifique. É importante esse autoconhecimento para encontrar uma carreira e trabalho que traga satisfação e propósito. Não adianta pensar somente em dinheiro e em construção de carreira. A base de tudo é estar realizado e feliz com o que se faz. O resto virá por consequência.

“Toda pessoa possui uma habilidade, uma aptidão, algo com o qual se identifique. É importante esse autoconhecimento para encontrar um trabalho que traga felicidade profissional”.

Qual é o propósito que te move?

Ele passa por ajudar a construir um setor melhor, mais produtivo, sustentável e seguro. A construção civil no Brasil infelizmente ainda é muito tradicional e atrasada em relação aos mercados mais desenvolvidos. O desejo de mudar essa realidade acabou me levando a trabalhar com sustentabilidade em projetos e obras, e também, com trabalhos voluntários em algumas associações, nas quais fui convidado por colegas a fazer parte. Há cinco anos sou membro da diretoria do capítulo brasileiro da Building Commissioning Association (BCA) e também integro o comitê executivo do Capítulo Brasil da ASHRAE, com o objetivo de divulgar eventos, metodologias de trabalho e referências técnicas para desenvolvimento de projetos e instalações com maior desempenho e sustentabilidade .

O que você gosta de fazer em seus momentos de lazer?

Eu gosto muito de ler sobre temas tecnológicos, eletrônicos, publicações sobre carros, instalações, equipamentos e novas tecnologias. Gosto de pesquisar, comprar e instalar coisas tecnológicas em casa. Também sou o “consertador oficial” das coisas na família. Sempre que algo quebra, sou convocado para tentar resolver ou consertar. É algo que faço e sempre fiz por prazer e distração.

Edu Yamada adaptando um “fogãozinho de brinquedo”, com LEDs e som para sua filha se divertir.

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