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Resíduos perigosos na construção: verdade ou mito?

28 de abril de 2020

A indústria da construção civil é uma das atividades de maior importância para o desenvolvimento econômico e social da nossa sociedade. Porém, deve-se levar em conta a expressiva geração de resíduos, que se não destinados corretamente, geram impactos em nosso meio ambiente.

A gestão de resíduos deve fazer parte do planejamento de obra e entender quais são os tipos de resíduos que o canteiro de obra possui, é fundamental para se evitar muitos problemas, principalmente as multas ambientais.

As características dos resíduos perigosos

É muito comum nos depararmos com as seguintes colocações: “Mas nas obras de nossa construtora trabalhamos sempre corretamente e por isso não geramos resíduos perigosos” ou “Não adquirimos terrenos contaminados, por isso não geramos resíduos perigosos”.

Este realmente é um tema que traz muitas dúvidas em relação à quando considerar um resíduo como perigoso, mas infelizmente a geração destes materiais acontece mesmo quando as construtoras trabalham de forma exemplar.

Segundo a legislação brasileira e a estadual que abordam esta questão, são considerados resíduos perigosos: as tintas, solventes, óleos, resíduos oriundos de demolições que contenham material radiológico, telhas e demais materiais que contenham amianto ou outros produtos nocivos à saúde.

Seguindo esta definição e ampliando-a para realidade dos canteiros de obras, identificamos a geração de resíduos perigosos que exigem uma gestão detalhada em todas as etapas da construção:

  • Demolição de construções existentes no terreno adquirido: é comum encontrarmos telhas de amianto, caixas d´água e até divisórias e pisos deste material comumente utilizado até os anos 90. Lâmpadas fluorescentes de mercúrio também são frequentemente encontradas e consideradas resíduos perigosos.
  • Escavação e/ou movimentação de solo: quando não se trata de um terreno identificado previamente como área contaminada, raramente são encontrados materiais perigosos durante a escavação, mas pode acontecer, por exemplo de encontrar-se tambores de óleo, graxa ou materiais semelhantes, que nos anos 70 eram por prática comum enterrados em terrenos.

Mesmo quando não encontrados materiais pré-existentes, durante esta atividade há o abastecimento de caminhões e máquinas no local de uso, acondicionamento de combustíveis e lubrificantes, ou manutenções emergenciais que com frequência acarretam vazamentos no solo, pequenas limpezas realizadas com estopa, pedaços de tecido, lona plástica ou papelão para proteção. Importante destacar que, todos estes materiais ao entrarem em contato diretamente com hidrocarbonetos, se tornam resíduos perigosos.

  • Execução das obras: As atividades de concretagem apresentam as mesmas características dos maquinários de terraplanagem, com um potencializador que são as bombas de concreto. Estas, como ficam ligadas por longos períodos de tempo e devido ao tipo de motor que possuem, geram consequentemente vazamento de óleo durante as atividades, que também é considerado resíduo perigoso. Os corpos de prova moldados in loco utilizam lubrificantes oleosos, que podem vazar e atingir o solo, contaminando-o também.

A utilização de desmoldantes em geral, dependendo da forma de acondicionamento e disposição dos recipientes podem acarretar em vazamentos, onde o material utilizado deve ser recolhido como resíduo perigoso. Todas as atividades que utilizam tintas, verniz, adesivos, selantes, entre outros, quando realizada diretamente nas frentes de trabalho também pode ocasionar em vazamentos, gerando resíduos perigosos.

Frequentemente são utilizados também materiais para proteção de vigas com capa lubrificada, esta também é uma atividade geradora de grande quantidade de materiais contaminados. As atividades de impermeabilização com manta asfáltica e material betuminoso também gera grande quantidade de resíduos, todos esses, perigosos.

Durante todas as etapas das obras são utilizados inúmeros EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) e quando descartado é preciso primeiramente analisar quais as propriedades que o EPI possui e em quais tipos de atividade ele foi utilizado. Como é o caso das luvas de raspa, por exemplo, que possuem um banho de cromo, tornando-as em material perigoso.

A importância da conscientização e gerenciamento de resíduos

Infelizmente, grande parte das equipes de campo ainda não possui um olhar voltado à esses cuidados e conhecimento, porém, ao observarmos estas atividades em detalhes, e com outro viés, conscientes do conceito apresentado acima, identificamos que estes vazamentos, atividades e/ou materiais, mesmo que em pequenas quantidades geram resíduos perigosos.

Além do impacto à sustentabilidade, ter um plano de gerenciamento de resíduos, dando um destino correto a esses materiais, faz parte da legislação, a Política Nacional de Resíduos Sólidos e deve ser sempre levado em consideração no planejamento de obra realizado entre os líderes dentro das construtoras. Campanhas de conscientização, DDS (Diálogos Diários de Prevenção), também podem abordar esse tema, levando mais conhecimento a todas as equipes, evitando problemas futuros.

Continue acompanhando os nossos conteúdos e fique por dentro de temas importantes da construção civil!

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