Ver síntese:
- A gestão de obras lida com um ambiente altamente dinâmico e é fundamental para que os projetos não sofram desvios com atrasos e estouros orçamentários.
- Ela abrange o planejamento operacional, gestão de pessoas, controle de prazos, custos, qualidade e conformidade ambiental.
- O sucesso da execução depende de um planejamento inicial rigoroso, uso de tecnologia, eliminação prévia de restrições, melhoria contínua e aplicação de metodologias como o lean construction.
Quem atua na cadeia da construção sabe que um gerenciamento de obras eficaz é chave para o sucesso de qualquer construtora. Estamos nos referindo a uma tarefa da mais alta complexidade, que envolve a administração de materiais, recursos e pessoas.
Mas como garantir uma gestão adequada às obras? Por que é tão difícil assegurar que a execução dos projetos aconteça dentro do prazo, sem estourar os custos e atendendo aos requisitos de qualidade e desempenho desejados?
Neste artigo, procuramos jogar luz sobre essas questões. Continue conosco para saber mais:
O que é gerenciamento de obras e qual a sua importância?
O gerenciamento de obras tem como meta assegurar que cada etapa tenha o melhor planejamento e execução possíveis.
Para isso, ele pode se valer de uma série de ações que visam, de modo geral:
- Antecipar e minimizar eventuais problemas, identificando soluções de modo rápido e assertivo;
- Garantir a qualidade do trabalho e a satisfação do cliente, evitando altos custos com chamados de assistência técnica e manutenção;
- Cumprir a previsão orçamentária, evitando que sejam necessários novos investimentos ou que haja desperdício de recursos;
- Reduzir desperdícios e ociosidade de equipamentos;
- Assegurar a produtividade e a segurança dos trabalhadores no canteiro no decorrer da obra;
- Atender às normas ambientais vigentes e as expectativas de clientes com relação ao ESG (responsabilidade ambiental, social e governança).
Por que fazer um gerenciamento de obras efetivo é tão desafiador?
Reduzir desperdícios e otimizar recursos são dores que atingem as construtoras em todo o país.
Para se ter uma ideia, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), cerca de 61% das obras realizadas no Brasil são entregues com atraso e 63% delas têm custo final acima do planejado.
Outro dado vem da Prevision (Softplan), segundo a qual, 90% das empresas não têm domínio sobre qual é o melhor cenário de evolução econômica da sua obra.
No livro “Planejamento e Controle de Obras” (Editora Pini), o engenheiro Aldo Dorea Mattos lembra que a construção civil envolve diversas atividades com grande quantidade de variáveis desenvolvendo-se em um ambiente dinâmico e mutável.
Isso explica porque a atribuição de gerenciar uma obra não é tarefa fácil. Uma prova disso é a quantidade de improvisação que ainda é vista nos canteiros.
Ainda segundo o autor, há dificuldade na definição e controle do escopo, grande número de interdependências entre as atividades, alteração de projetos no decorrer do processo executivo, necessidade de grande velocidade de resposta e as interfaces entre várias especialidades.
Tudo isso torna as obras desafiadoras, independentemente da metodologia de gestão utilizada.
Quais os benefícios diretos do gerenciamento de obras?
Um gerenciamento de obras assertivo reduz riscos no decorrer do ciclo de construção e funciona como um diferencial competitivo para garantir o sucesso e a perenidade da construtora no mercado.
Ele proporciona, ainda, outros benefícios, com destaque para:
- Maior controle de estoque — Isso é essencial, uma vez que a falta de determinado produto pode interromper o fluxo de produção e gerar atrasos;
- Auxílio no controle da qualidade;
- Antecipação de problemas, com impactos em prazos e custos;
- Maior produtividade;
- Ambiente de trabalho mais saudável;
- Redução de custos — Uma boa gestão evita custos decorrentes de atrasos, retrabalhos, contratações equivocadas, etc.
Quais são as etapas fundamentais do gerenciamento de obras?
Cada projeto possui um grau de complexidade que impacta a forma de gerenciar a obra. No entanto, de modo geral, um gerenciamento de obras eficiente envolve:
- Planejamento da produção;
- Planejamento operacional e logístico;
- Controle sistemático de prazos;
- Controle eficiente de custos;
- Gestão de pessoas;
- Gestão da qualidade;
- Segurança e meio ambiente.
Com esses processos bem definidos e aplicados adequadamente de acordo com diretrizes e metas preestabelecidas, é possível gerir, simultaneamente, os recursos, o cumprimento do cronograma e a previsão financeira.
Qual o papel do gestor de obras?
Em função de sua importância, o gerenciamento de obras precisa ser feito por um profissional legalmente habilitado, podendo ser engenheiro civil ou arquiteto.
Tecnólogos em construção de edifícios também podem atuar como gerenciadores, desde que sob supervisão e direção de um engenheiro ou de um arquiteto.
Gerenciar uma obra requer administrar, simultaneamente, todas as etapas produtivas e burocráticas da construção. Isso significa que quem assume esse papel precisa entender muito bem de custos, contratos e prazos de entrega, assim como ser organizado e um bom gestor de pessoas.
Exemplos práticos de gerenciamento de obras bem-sucedidos
A competência das equipes de gerenciamento foi fundamental para que os melhores resultados fossem conquistados em duas obras de elevada complexidade, gerenciadas recentemente pelo CTE. A primeira delas é o Galpão G3, em Cabo de Santo Agostinho (PE).
Originado como um desenvolvimento especulativo composto por dois galpões paralelos, o ativo passou por uma virada estratégica ainda no canteiro de obras ao ser locado pelo Mercado Livre. A absorção das especificações técnicas exigidas pela multinacional demandou governança ágil e capacidade de resposta para contornar gargalos logísticos e prazos exíguos.
Outra obra que exigiu excelência técnica foi o Complexo Cidade Matarazzo, em São Paulo. A fase 2 do empreendimento de luxo envolveu a construção de lojas, restaurantes e de um teatro, contemplando aproximadamente 14 mil m² distribuídos em seis edificações preexistentes. O gerenciamento da obra exigiu a administração simultânea de 13 contratos principais e mais de 420 subcontratações, além de envolver intervenções em áreas protegidas pelo patrimônio histórico que adicionaram uma camada extra de complexidade à obra.
5 práticas fundamentais para realizar uma boa gestão de obras
- Invista tempo no planejamento — Uma obra bem-sucedida começa com um bom planejamento. É nessa etapa que os projetos são compatibilizados e que se define o layout do canteiro, incluindo fluxos logísticos de abastecimento de materiais e de equipamentos.
- Apoie-se em tecnologia — Já há diversos softwares de gestão de obras que permitem centralizar a comunicação e controlar as atividades de forma digital. Além disso, a modelagem da informação da construção (BIM) pode ajudar a dar mais assertividade tanto para os projetos, quanto para o planejamento e para o orçamento.
- Antecipe-se às restrições — Isso é essencial, porque esta é uma das principais causas de atrasos de obras e de estouros nos custos. O controle de restrições possui conexão direta com o planejamento físico da obra, visando a eliminação de problemas que possam comprometer o cumprimento da data de início dos serviços.
- Almeje sempre a melhoria contínua — Garanta que o conhecimento agregado em uma obra sirva de insumo para outros projetos, promovendo a melhoria contínua.
- Avalie a possibilidade de adotar o lean construction — Construtoras interessadas em adicionar melhorias contínuas em seus processos têm obtido resultados impactantes com o lean construction, em português, construção enxuta.
Evite atrasos e prejuízos: garanta prazos, custos e qualidade na sua obra
É muito clara a importância do bom gerenciamento de obras para o sucesso de uma construtora. Quando há falhas nessa gestão, as consequências se manifestam na forma de prazos não cumpridos, descolamento de custos em relação ao orçamento e comprometimento da qualidade da obra.
Por meio da Jornada Gestão, Qualidade, Prazo e Custos, o CTE vem apoiando construtoras e incorporadoras na gestão técnica de todo o processo de implantação de empreendimentos, desde a concepção de produtos, discussão de soluções técnicas, engenharia de custos, coordenação e compatibilização de projetos até o gerenciamento da obra.
Ao longo dos anos, o CTE gerenciou mais de 600 obras em todo o país, incluindo edifícios habitacionais, comerciais e institucionais. Fale agora com os especialistas do CTE e descubra como garantir eficiência, previsibilidade e resultados concretos.
Jogo rápido: perguntas frequentes sobre gerenciamento de obras
O que é o gerenciamento de obras?
É a coordenação integrada de pessoas, materiais e recursos financeiros para garantir que o empreendimento seja concluído dentro do prazo, orçamento e padrões de qualidade estabelecidos.
Qual a diferença entre planejamento e gerenciamento?
O planejamento estabelece as metas, a sequência de etapas e o orçamento preliminar antes ou no início do projeto. O gerenciamento executa esse plano no dia a dia, monitorando o progresso, ajustando desvios e liderando a rotina do canteiro.
Quais são as principais causas de atrasos e estouro de orçamento nas obras?
Os gargalos mais comuns incluem falhas no planejamento inicial, falta de antecipação de restrições operacionais, alterações recorrentes de escopo e a ausência de compatibilização prévia entre os projetos. Além disso, a dependência do improviso no canteiro e a falta de indicadores de desempenho em tempo real comprometem prazos e custos.
O que é Lean Construction e como essa metodologia ajuda no gerenciamento?
O Lean Construction (construção enxuta) é uma filosofia focada na eliminação contínua de desperdícios, seja de tempo, materiais, logística ou mão de obra. Ela melhora o gerenciamento ao otimizar o fluxo de trabalho no canteiro, reduzindo ociosidades e aumentando a previsibilidade de cada etapa.



