O complexo All Resort, desenvolvido pela All Wert em uma área de 837 mil m² na Costa Esmeralda, em Porto Belo (SC), é uma referência na incorporação de práticas sustentáveis. O empreendimento, concebido para alinhar bem-estar, infraestrutura verde e responsabilidade socioambiental, foi pré-certificado com o Sustainable SITES, com consultoria do CTE. Administrado pelo Green Business Certification Inc. (GBCI), o selo é focado na promoção da biodiversidade, infraestrutura verde e qualidade ambiental. O condomínio-resort também foi o primeiro na América Latina a receber a certificação Fitwel Community.
Poucos empreendimentos no Brasil possuem tal grau de validação de suas práticas ambientais. Ao alcançar esse patamar, a All Wert acessou financiamento verde junto ao Banco Santander. A instituição, cuja carteira de negócios sustentáveis alcançou aproximadamente R$ 50 bilhões no fim de 2025, oferece condições diferenciadas de fluxo de caixa para projetos qualificados.
Sustentabilidade como aliada da estruturação financeira

A experiência da All Wert é um indicador da consolidação do crédito verde no Brasil, cenário no qual estratégias de descarbonização, adaptação climática e qualificação ambiental dos empreendimentos ganham relevância na avaliação da viabilidade financeira, na gestão de riscos e na valorização reputacional de grandes projetos.
“Embora ainda não seja possível mensurar exatamente o quanto isso impacta as condições financeiras da operação, a agenda de sustentabilidade é um diferencial relevante na análise de crédito”, afirma Douglas Lobo, gerente financeiro da All Wert. “Essa parceria com o Santander reforça que certificações e estratégias socioambientais podem gerar valor não apenas ambiental e reputacional, mas também financeiro e estratégico, contribuindo para a viabilidade dos empreendimentos”, comenta ele.
“As certificações, especialmente aquelas relacionadas à qualidade de vida e ao bem-estar, também qualificam o produto e agregam valor percebido, o que pode elevar o ticket de venda e, consequentemente, o VGV do empreendimento”, revela Gabriela Antunes, gerente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da All Wert. Segundo ela, as ações de sustentabilidade fortalecem a conformidade normativa e a previsibilidade do negócio. “Quando a sustentabilidade está incorporada desde a concepção do projeto, ela deixa de ser uma iniciativa isolada e passa a orientar decisões estratégicas, trazendo mais segurança, consistência e perenidade ao negócio”, explica.
O olhar do setor financeiro: do rigor técnico à gestão de riscos
Para as instituições financeiras, as certificações ambientais funcionam como mecanismos de comprovação de que as práticas de sustentabilidade incorporadas são efetivas, e não apenas um discurso.
“A certificação conferida por um órgão independente, idôneo e com metodologia validada nos dá esse embasamento”, diz Alex Zanardo Sciacio, head de Finanças Sustentáveis no Santander. Ele acrescenta que o incentivo ao desenvolvimento de empreendimentos sustentáveis faz parte de uma estratégia mais ampla do banco, voltada a apoiar os clientes em suas ambições de descarbonização e transição climática.
Um dos carros-chefe do portfólio do Santander é o Plano Empresário Sustentável, produto desenvolvido para atender incorporações residenciais e comerciais sob critérios rígidos de governança ambiental.
Entre os benefícios conferidos por essa linha destacam-se a possibilidade de financiar até 100% dos custos da obra, a liberação de recursos com evolução física entre 1% e 5% (frente à média de 10% do mercado) e a antecipação do repasse da carteira de clientes ao atingir 70% de conclusão das obras.
Andrea Shimizu, líder da área de Produtos de Crédito Imobiliário PJ do Santander, conta que o banco também possui linhas de crédito voltadas a loteamentos. Nesses casos, porém, as certificações são consideradas no processo de análise, embora não sejam pré-requisito.
“A oferta de crédito em condições especiais atrelada a certificações ambientais já é uma realidade consolidada em edificações, mas ainda incipiente no segmento de loteamentos. Por isso, o case da All Wert com o Santander é tão inovador”, destaca Myriam Tschiptschin, diretora de Smart Cities no CTE.
Ela explica que como o Sustainable SITES ainda é uma certificação pouco difundida no Brasil, o CTE atuou como ponte técnica entre as partes, esclarecendo exigências e fundamentando os critérios ambientais do projeto catarinense para o enquadramento no crédito sustentável.
Para Myriam, o crédito verde vai além de uma pauta corporativa: ele está diretamente conectado à gestão de riscos e à eficiência operacional. Em sua palestra durante o ADIT Invest, realizado em Vitória (ES), ela alertou para o custo econômico das mudanças climáticas: “35% dos ativos imobiliários comerciais no mundo já estão expostos a riscos climáticos severos. Além disso, o Climate Policy Initiative (CPI) calcula que o preço da inação climática corresponde à perda de 30% do PIB global até 2100, um impacto que afetará desproporcionalmente o Sul Global devido à sua infraestrutura mais frágil e alta dependência do capital natural”, destacou.
Soluções de ecoeficiência aplicadas no projeto
O que tornou o All Resort um empreendimento singular e apto a obter certificações ambientais internacionais é a forma como a sustentabilidade foi incorporada diretamente à sua engenharia e infraestrutura. Entre as medidas adotadas, destacam-se:
- Drenagem sustentável: Mais de 60% do sistema de drenagem utiliza biovaletas, escadas hidráulicas e jardins de chuva para promover a infiltração natural da água no solo.
- Preservação e paisagismo: Manutenção de 15 mil m² de remanescentes vegetais nativos e paisagismo focado na flora local, com plano de prevenção contra espécies invasoras.
- Mobilidade urbana e conforto: Inclusão de ciclovias, sistemas de traffic calming, integração ao transporte público local e sombreamento em 55% das calçadas para mitigar ilhas de calor e incentivar a caminhada.
- Ecoeficiência operacional: Uso de matrizes renováveis de energia, sistemas de reaproveitamento de água da chuva e tratamento de águas cinzas, além do uso de variedades de grama com baixa demanda hídrica no campo de golfe.


