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Enchentes em SP evidenciam a importância das Smart Cities

O dia 10 de fevereiro de 2020 ficará marcado na história dos paulistanos como um dos piores dias do ano. A maior cidade do Brasil viveu na semana passada momentos difíceis por conta de alagamentos decorrentes das fortes chuvas. Segundo o Corpo de Bombeiros, antes das 8h da manhã, a cidade já tinha 78 pontos de alagamentos, bloqueando as principais vias da cidade.

Conversamos com a nossa Head da Unidade de Smart Cities e Infraestrutura Sustentável, Myriam Tschiptschin, para entender o quão complexa e ineficiente é a infraestrutura da nossa cidade e quais as possibilidades para minimizar o problema e nos direcionar para um modelo urbano mais sustentável.

PROCESSO DE URBANIZAÇÃO

A cidade de São Paulo foi construída em cima de uma poderosa rede hidrográfica, onde os dois grandes rios (Pinheiros e Tietê) se tornaram os eixos de desenvolvimento e adensamento urbano. Myriam destaca que essas áreas de várzea deveriam, na verdade, ser ocupadas por vastas “áreas verdes”, garantindo a preservação de suas funções ecossistêmicas.  No processo de crescimento urbano desenfreado, substituímos o solo saudável e a vegetação por cimento. Quando acontecem grandes tempestades, como foi o caso dessa semana, não há infraestrutura que suporte. São Paulo cresceu em cima de mais de 500 rios, e praticamente todos estão canalizados. “Infraestrutura cinza de drenagem é que nem sistema viário. Quanto mais constrói, mais congestiona!”

TERRA DA GAROA vs TERRA DAS ENCHENTES

Outro fator que agrava o problema é que, com a substituição das áreas vegetadas por superfícies impermeáveis na cidade, a temperatura das áreas urbanas tende a aumentar, ocasionando o que chamamos de efeito ilha de calor. Dessa forma, ao invés de uma umidade constante, que fez a cidade de São Paulo ser chamada de “terra da garoa”, desequilibramos o ciclo natural hidrológico e nos tornamos a “terra das enchentes”.

MACROCLIMA

Associado à nossa forma de urbanização, o contexto macroclimático também contribui para a formação de eventos extremos como as enchentes. Por conta do aquecimento global, alterações climáticas têm ocorrido no mundo todo, acarretando inclusive no aumento de chuvas em algumas regiões. Segundo o ICLEI – Conselho Internacional de Iniciativas Ambientais Locais, as regiões sul e sudeste do Brasil terão um aumento de chuva de 5 a 10% até 2040. 

SOLUÇÕES SMART CITIES

Quando olhamos para todo o impacto que já foi gerado, pode parecer uma missão impossível encontrar caminhos para mitigar os efeitos ou pelo menos diminuir os problemas das enchentes.  É necessário repensar o modelo de cidades que desejamos viver e, a partir disso, orientar a formulação de políticas públicas comprometidas com um desenvolvimento urbano mais sustentável.

A Quota Ambiental de São Paulo, um dos instrumentos da Lei de Zoneamento (que faz parte do novo Plano Diretor de 2014), já caminha nessa direção e tem como objetivo qualificar a área permeável na ocupação dos lotes. Trata-se de um conjunto de regras de ocupação que fazem com que cada lote na cidade contribua com a melhoria da qualidade ambiental, relacionados à drenagem, microclima e biodiversidade. O CTE participou do comitê técnico estruturado pela Prefeitura para formular a conceituação do índice.

O uso de tecnologias digitais pode ser um instrumento no controle e gestão de enchentes. Em São Paulo, está em modelo de teste o monitoramento inteligente de bueiros que, através de sensores, controlam o nível dos resíduos e alertam a Prefeitura quais os pontos da cidade nos quais a manutenção é mais urgente.

 “Outra questão importante é reconhecer a vegetação como infraestrutura urbana e não somente como paisagismo, como por exemplo, os jardins de chuva e as biovaletas, que são estratégias de drenagem bastante eficientes. Estes sistemas distribuídos de forma estratégica nas cidades recuperam o ciclo natural hidrológico, permitindo a infiltração da chuva e a recarga do lençol freático. Além disso, contribuem para filtrar a água do escoamento superficial, diminuindo a sobrecarga do sistema público de tratamento de águas. 

O modelo de Smart Cities vem justamente para responder a essas e novas demandas e melhorar a qualidade de vida nas cidades, buscando desenvolvimento econômico-socio-ambiental sustentável. Os jardins de chuva reforçam a ideia de que a promoção de Smart Cities não precisa utilizar apenas estratégias associadas ao uso de tecnologia digital e podem ocorrer através de estruturas low-tech e de baixo custo de implementação.


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