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Perfil | Myriam Tschiptschin

8 de março de 2021

Gerente da Unidade Smart Cities do CTE, Myriam Tschiptschin é arquiteta e urbanista, mestre em Planejamento Urbano e Regional pela FAU-USP e especialista em novas tecnologias aplicadas à Arquitetura e a Cidades pela Universidad de Alcalá, em Madri.  Dona de um currículo extenso e de uma personalidade forte, Myriam fala com muita paixão e autoridade sobre o seu trabalho e sobre a importância do desenvolvimento urbano sustentável para termos uma sociedade mais saudável. A seguir ela nos conta um pouco sobre carreira, cidades, viagens e surfe. Confira!

Conte-nos um pouco sobre você e sua trajetória. O que a levou para a arquitetura?

Eu sempre fui muito engajada com a transformação do mundo. Eu encontrei na arquitetura uma oportunidade de materializar sonhos. Durante a faculdade eu experimentei muitas áreas, da fotografia ao projeto de arquitetura. Atuei no movimento estudantil e no Lab Hab, o laboratório de habitação do grêmio estudantil. Esse espaço de extensão universitária nos permitia colocar conhecimentos em prática, em projetos para a sociedade civil organizada, carentes de projetos.

Quando surgiu o interesse por projetos de sustentabilidade?

Ainda na faculdade, fiz um intercâmbio em Florença, Itália. Lá eu  me voltei para o estudo de energias renováveis. Quando regressei ao Brasil, meu trabalho de conclusão de curso envolveu conceitos de sustentabilidade. Assim que me formei, comecei a trabalhar na Prefeitura de São Paulo, com o projeto de requalificação da Avenida Paulista. Isso foi em 2007. Na prefeitura eu atuei, também, em projetos de parques e praças, com paisagistas e agrônomos. Logo depois fui para a Espanha fazer um mestrado com foco em novas tecnologias aplicadas a projetos de arquitetura e a cidades. Foi uma oportunidade excelente de me aprofundar e, quando voltei, tudo o que eu queria era aplicar o que aprendi.

Como você conseguiu isso?

Fui trabalhar como coordenadora do núcleo de urbanismo da Associação Casa Azul, uma ONG que desenvolve projetos nas áreas de arquitetura, urbanismo, educação e cultura em Paraty e que realiza a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ali fizemos projetos interessantes, como a requalificação da Praça da Matriz. A verdade é que eu sempre gostei muito de trabalhar com espaço público e urbanismo, mas eu achava não ser possível me sustentar com essa atividade, que é tão dependente do poder público.

De que forma o CTE entrou na sua vida?

Ainda na Casa Azul fizemos um projeto que exigiu a contratação de uma consultoria de sustentabilidade. Foi quando eu percebi que esse poderia ser um campo de atuação ótimo. Até porque eu sempre me interessei mais pela parte de gestão do projeto do que pela criação. Entrei no CTE após enviar meu currículo. Passei por um processo seletivo com entrevistas individuais e em grupo. Eu fazia coordenação geral na Casa Azul e comecei no CTE como consultora júnior 1.

Como foi esse início?

O Diretor da área de Sustentabilidade, na época, disse que eu poderia crescer rápido se demonstrasse habilidade para coordenar projetos e se tivesse a acreditação  LEED AP. Ele mal acabou de falar e eu imediatamente comecei a estudar o guide do US Green Building Council. Em seis meses fiz a prova do LEED AP para poder me tornar coordenadora de projeto. Nesse período, percebi que os projetos que me despertavam mais interesse eram aqueles que tinham uma interface grande com a cidade e de caráter público. Coordenei dois projetos semi-públicos muito bacanas que foram os estádios do Mineirão e Beira Rio. Um ponto de inflexão veio em 2012, quando recebemos a demanda de consultoria de sustentabilidade urbana do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Para atender esse projeto, o CTE montou um comitê com dez consultores. Eu fiquei de fora pois era nova no CTE, mas pedi para participar como ouvinte. No meio do processo, quando percebi, já estava atuando na coordenação do projeto, apoiando outros dois colegas. Essa experiência foi tão estimulante que me levou a um mestrado cujo objeto de estudo foi a qualidade ambiental no Porto Maravilha. Ela também me induziu a desenvolver uma metodologia para o CTE que hoje se chama Compromisso com o Desenvolvimento de Smart Cities.

Como foi a sua trajetória até a consolidação da Unidade de Smart Cities?

Montamos um núcleo de urbanismo na Unidade de Sustentabilidade. Mas veio a crise e, em 2016, todas as pessoas do meu núcleo acabaram se desligando do CTE, cada uma por um motivo diverso. Eu era responsável pelos projetos de urbanismo mas, naquele momento, estávamos sem nenhum projeto dessa natureza em andamento. Em 2017, fui chamada pelo Roberto de Souza, CEO do CTE, para ajudá-lo na estruturação do ecossistema de inovação no CTE, incluindo a criação de núcleos de competência e de um modelo de gestão focado no intraempreendedorismo. Em paralelo, fui estruturando o núcleo de Smart Cities, como uma Spin-Off da Unidade de Sustentabilidade. A gente trouxe a certificação Sites, dinamizou o LEED ND e começou a trabalhar com o Fitwell Community e o LEED for Communities.

Em seu dia a dia, quais são os maiores desafios?

A nossa área é muito dependente dos órgãos públicos, sejam prefeituras, governos estaduais ou concessionárias. Eu ouço muito “ainda não” dos clientes simplesmente porque eles dependem de aprovações que demoram muito. Aliás, a velocidade dos projetos de escala urbana é muito lenta. Tudo isso exige persistência, otimismo e empatia para entender as dificuldades e as necessidades dos nossos clientes.

“A nossa área é muito dependente dos órgãos públicos, sejam prefeituras, governos estaduais ou concessionárias. Eu ouço muito “ainda não” dos clientes simplesmente porque eles dependem de aprovações que demoram muito”.

Qual é a melhor parte de trabalhar com sustentabilidade?

O que me dá ânimo é ver o quanto a gente está transformando o mercado por meio da nossa consultoria. Nos últimos dez anos vimos uma mudança grande acontecendo, tanto na escala do edifício, quanto na escala urbana. Isso é maravilhoso. Se observarmos o que aconteceu neste período, com a ampliação do uso de tecnologias mais eficientes na construção e, em paralelo, com a valorização de cidades mais sustentáveis e saudáveis, vemos uma evolução gigante no Brasil. Saber que faço parte desse processo é muito motivador.

“Nos últimos dez anos vimos uma mudança grande acontecendo, tanto na escala do edifício, quanto na escala urbana. Isso é maravilhoso”.

A carreira acadêmica também te encanta?

Muito! Eu ministro aulas no curso de Smart Cities que idealizei para o IED. Também sou professora da disciplina de cidades sustentáveis em cursos de pós-graduação no Mackenzie e na FAAP. Dar aula é algo que eu quero fazer para sempre. É muito gratificante ver que aquilo que falamos agrega valor, levando inovação e sustentabilidade para a prática dos profissionais.

O que você gosta de fazer em seu tempo livre?

No momento, o meu hobby principal é o surfe. Sempre que não estou trabalhando, estou no mar. No ano passado fiz três Surf Trips revigorantes. Na primeira delas, na Austrália, eu passei 15 dias estudando os conceitos de urbanismo sustentável das cidades. Depois, aluguei uma van e fiz, sozinha, uma viagem pela Gold Coast e por Byron Bay. Em outubro eu estive em Florianópolis. Ali foi surfe na veia, acordando às seis da manhã, passando cinco horas no mar. Na virada do ano estive no Peru. Foi incrível, certamente o maior mar que já surfei.

Myriam surfando em Punta Hermosa – Peru – 2021

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