Materiais sustentáveis: evolução e perspectivas do mercado

Com a evolução do mercado de materiais sustentáveis na construção, caberá aos fabricantes desenharem estratégias para se posicionarem de forma rápida e diferenciada

 

De acordo com o informativo da ABRAMAT (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção) publicado em Junho de 2017, o faturamento total da indústria de materiais acumulou queda de 6,6% em Maio de 2017, em relação ao mesmo período de 2016. Já para o período dos últimos 12 meses, a redução foi ainda maior, atingindo a marca de 8,9%. Esse resultado é consequência, principalmente, do alto nível de desemprego, das dificuldades com a obtenção de crédito e da crise política que afetam a confiança dos agentes econômicos, postergando o consumo e os investimentos no setor.

Apesar da variação negativa, Walter Cover, presidente da ABRAMAT, destaca que é possível enxergar um cenário positivo no futuro próximo, com projeções que apontam para uma estabilidade ainda neste ano.

Diante do cenário, não é difícil entender porque os fabricantes estão retraídos e com investimentos limitados em sustentabilidade e P&D. No entanto, é fundamental que a indústria faça deste momento uma oportunidade para desenvolver novos projetos, diferenciando seus produtos e processos com atributos ambientais aderentes as novas demandas do setor, visando, ainda, redução de custos e marketing para a marca.

Atualmente, os principais drives de atributos ambientais da indústria de materiais da construção civil brasileira são as certificações sustentáveis, com destaque para os selos LEED, AQUA-HQE e WELL.

Desde 2005 no Brasil, a certificação LEED introduziu premissas diferenciadas para a seleção e compra de produtos, tais como: conteúdo reciclado, regionalidade, uso de madeira certificada, materiais de demolição, produtos com baixa emissão de composto orgânico volátil, dentre outros.

Durante os últimos anos, foi visível a adequação do mercado frente ao requisito de baixa emissão de Compostos Orgânicos Voláteis (COV). Após o entendimento da importância sobre a divulgação de tal atributo, é possível constatar um crescimento contínuo de documentos comprovatórios sobre a emissão de COV em tintas, adesivos, revestimentos e selantes. O resultado dessa evolução é apresentado no gráfico abaixo, cujas informações foram obtidas no Banco de Dados de Materiais sustentáveis do CTE que conta com mais de 800 declarações.

 

Gráfico – Compilação dos documentos existentes no banco de dados de materiais sustentáveis do CTE

                                                                                                           

Observa-se, contudo, que em 2016 há uma queda no número de produtos entrantes no Banco de Dados do CTE. Esse comportamento é compatível com a crise político-econômica do país e a queda de investimentos no setor de construção, que impactaram diretamente a indústria de materiais. Em paralelo a essas questões, em outubro de 2016 foi publicada a versão LEED v4, onde os requisitos de materiais foram substancialmente modificados, passando a exigir estudos que evidenciem a transparência da informação quanto ao impacto socioambiental dos produtos. Dentre essas exigências, destacam-se: estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV); Declarações Ambientais de Produto (DAP ou EPDs) conforme ISO 14.025 e 14.040; Relatórios de Sustentabilidade Empresarial (RSE) com verificação de 3ª parte (GRI, Pacto Global e etc.); Health Product Declaration (HPD); certificação Cradle to Cradle Certified™, entre outros.

O fato é que a redução de gastos, por meio de processos de manufatura mais eficientes, e a necessidade de melhora da reputação da marca, diante dos escândalos envolvendo as grandes empresas brasileiras, potencializaram iniciativas sustentáveis. De acordo com o levantamento realizado pela Fundação Dom Cabral, do qual participaram mais de 450 executivos, 78% das empresas pesquisadas têm a sua agenda de sustentabilidade liderada pelos CEOs, havendo um aumento de 63% no número de empresas que envolvem o conselho administrativo na aprovação de programas dessa natureza. Esses resultados são expressivos e imprescindíveis para o entendimento deste novo mercado, uma vez que, em 2012, apenas 4% das organizações pesquisadas pela fundação possuíam tal agenda.

Entendendo este crescimento e as novas demandas das certificações sustentáveis, o CTE está desenvolvendo um trabalho extensivo de educação e coleta de informações do setor, a partir do qual é possível identificar um mercado com diversas possibilidades de atuação, investimentos e necessidade real de mudança de cultura.

A adaptação da indústria de materiais da construção civil ao LEED v4 e a sua diretriz de transparência ainda é pontual. Esta percepção aumenta quando constatado que nenhum dos 164 fabricantes de produtos enquadrados como adesivos, selantes, tintas e revestimentos, existentes do banco de dados, possuem documentos que avaliem as emissões gerais de VOC (“TVOC”), que é uma análise necessária para atendimento do crédito de “Materiais de baixa emissão” do novo referencial. Essa análise deve ser realizada de acordo com a metodologia da Norma v1.1–2010 da California Department of Public Health (CDPH), realizado apenas por laboratórios norte-americanos, com custo médio de 2.750 dólares por análise.

Outra informação interessante é sobre os relatórios de sustentabilidade das empresas fabricantes de materiais: das 147 empresas que o CTE entrou em contato, apenas 5,4% possuem a documentação que atenda a uma parte das demandas da certificação LEED. No site do GRI é possível verificar que diversas empresas elaboraram o relatório, porém com abertura moderada de informação ou sem certificação por terceira parte.

Dentre esses mesmos fabricantes com quem o CTE atuou em suas consultorias de sustentabilidade, apenas 2,04% (HPDs e Certificado Cradle to Cradle Certified™) entendem e possuem documentação sobre composição química dos produtos, enquanto 6,1% possuem DAP/EPD completa em algum dos seus produtos (valores levantados em setembro de 2017).

Esses resultados evidenciam que os fabricantes que se atualizarem para atender às certificações em vigor estarão passos à frente no mercado, que conta com mais de 1.000 empreendimentos em todo o país. O mesmo é válido para laboratórios que prestam serviço para essa indústria. A evolução do mercado de materiais sustentáveis na construção será natural, como ocorreu anteriormente, cabendo aos fabricantes desenharem a estratégia para se posicionarem de forma diferenciada e rápida, para não perderem a nova onda que impulsiona o Brasil em um novo patamar de sustentabilidade.

 

 

 

 

Para conhecer as consultorias para sustentabilidade de materiais e outros produtos na área de Sustentabilidade que o CTE oferece aos seus clientes, entre em contato com:
Rafael Lazzarini – Gerente Comercial e de Novos Negócios da Unidade de Sustentabilidade do CTE – rafael@cte.com.br - 11 2149-0300