Investimentos em infraestrutura no País ganharão mais fôlego em 2019

Os investimentos em infraestrutura no Brasil devem ter um fôlego maior a partir de 2019, após a definição dos novos governadores e do presidente da República. No entanto, especialistas avaliam que o cenário já está menos hostil com relação ao ano passado.

O economista da Pezco Economics, Hélcio Takeda, estima que os aportes na área tenham alcançado 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2017 (R$ 6,5 trilhões), redução de dez pontos percentuais com relação aos recursos investidos em 2016 (1,79%).

Takeda avalia que essa retração está relacionada com o receio dos investidores com relação às denúncias contra o presidente Michel Temer. ?O ano de 2017 foi marcado pela incerteza se haveria um segundo impeachment?, diz ele, ressaltando que o cenário para este ano é mais positivo.

Para Takeda, a manutenção da inflação e da taxa básica de juros (Selic) em patamares baixos, além de reduzir o custo do financiamento, devem contribuir para a consolidação da confiança dos empresários na economia. Soma-se a este cenário, a expectativa de que o PIB continue avançando.

As concessões do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), de âmbito federal, realizadas ao longo de 2017, também já começam a ajudar no crescimento dos aportes neste ano, porém Takeda lembra que o efeito dos investimentos será diluído durante os próximos anos.

Longo prazo

O sócio da GO Associados, Fernando Marcato, acrescenta que o mais recente rebaixamento do Brasil pela Standard & Poor?s, no dia 11 de janeiro, não deve prejudicar muito os investimentos em infraestrutura, pois esta já era uma possibilidade precificada. "Além disso, as pessoas que conhecem o setor de infraestrutura sabem que é um segmento de longo prazo", observa Marcato.

Para ele, as eleições de 2018 devem postergar as publicações de editais de novos projetos de âmbito federal e estaduais para o início de 2019. "A expectativa é que, passada as eleições presidencial e de governadores, os editais sejam divulgados", afirma Marcato.

"Este é um ano de preparo de projetos, quando nos referimos às esferas federal e estadual. Não significa que há uma paralisação, mas, sim, pessoas, investidores estudando, analisando projetos", completa.

Marcato ressalta que o governo do estado de São Paulo tem sido um dos entes mais ativos no processo de concessões. Na última sexta-feira, o consórcio Via Mobilidade, liderado pela CCR, arrematou a concessão das linhas 5-Lilás e 17-Ouro do metrô de São Paulo. O consórcio ofereceu R$ 553,880 milhões pela outorga fixa das linhas, um ágio de 185% em relação ao valor mínimo estipulado para a disputa, de R$ 194,343 milhões.

Segundo Marcato, a arrecadação do governo paulista com a outorga das linhas de metrô, do Trecho Norte do Rodoanel (arrematado pela EcoRodovias no dia 10 de janeiro deste ano) e da Rodovia dos Calçado (arrematada pelo Grupo Arteris no mês abril do ano passado) já supera R$ 2 bilhões.

Há ainda a expectativa de que as renegociações, já em andamento, dos contratos de concessões ferroviárias envolvendo a Vale, a Rumo, a VLI e a MRS tenham sucesso neste ano, avalia o sócio da GO. Ele ressalta também que os projetos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) de saneamento básico e resíduos sólidos terão um bom desenvolvimento nos governos municipais neste ano.

No final de 2017, o governo federal fez um balanço do desempenho do PPI, lançado em maio de 2016. Dos 145 empreendimentos do programa, 70 foram concluídos com investimentos estimados em R$ 142 bilhões. Desses 70 projetos, 52 são referentes ao setor de geração, distribuição e transmissão de energia (R$ 33 bilhões), 14 à área de transportes (R$ 8 bilhões) e quatro do setor de óleo e gás (R$ 101 bilhões).

Para 2018, há 75 projetos previstos em todo País, dos quais 55 estão em fase de elaboração de estudos, nove em fase de consulta pública e 11 em fase de análise prévia pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A previsão de investimentos é de R$ 132,7 bilhões e, dos 75 projetos, 55 referem-se ao segmento de transportes.

Por PAULA SALATI

Fonte: DCI, Economia, 22/01/2018