Rio foi a cidade com maior queda do aluguel em 2017

O Rio foi a cidade onde os preços de aluguel residencial mais caíram em 2017. Segundo o Índice FipeZap, os imóveis residenciais cariocas para locação ficaram 8,49% mais baratos no ano passado. Ao lado de Niterói, onde a queda foi de 7,2%, o resultado regional influenciou a retração de 0,69% registrada na média das 15 cidades acompanhadas para o levantamento. Foi o terceiro recuo seguido do índice nacional. 

Com o resultado, a capital fluminense perdeu o posto de aluguel mais caro do país. O metro quadrado na região fechou o ano em R$ 31,87, atrás de São Paulo, onde os preços médios subiram 2,38%, para R$ 35,76. Em 2016, as posições das cidades estavam invertidas: Rio em primeiro, São Paulo em segundo. Seis das 15 cidades monitoradas registraram queda de preços, e só quatro viram os valores subirem mais que a inflação do período, de 2,95%, segundo o IPCA. 
 
Na avaliação da gerente de inteligência de mercado do grupo ZAP Viva Real, Cristiane Crisci, o alívio nos preços ocorreu por causa do descasamento entre oferta e demanda no setor. Enquanto os anúncios de imóveis para alugar continuaram a crescer, a procura diminuiu nos últimos anos. Entre 2015 e 2017, o indicador registrou queda de 7,1%, sem levar em conta a inflação. Considerando o IPCA, o recuo no ano passado chegou a 3,54%. 
 
“De 2009 a 2012, os preços do aluguel no Rio subiram acima de 10% ao ano. A busca por imóveis no Rio é significativa, é o segundo maior mercado. Mas ela ficou estável no ano passado, enquanto o número de ofertas cresceu. É uma situação de maior oferta e menor demanda”, destaca Cristiane. 
 
Ela destaca, no entanto, que esse movimento tem dado sinais de estabilização. Em dezembro, o preço médio do aluguel no país registrou leve alta de 0,09%, sem contar a inflação. Em novembro, o indicador havia recuado 0,14% e, em agosto, chegou a cair 0,33%. Embora a alta de dezembro não cubra a inflação de 0,44% do mês passado, Cristiane destaca uma estabilização da curva: 
 
“(Os preços) caíram muito em 2016 e no início de 2017. Agora a curva está mais estável. Para 2018, percebemos um aumento de demanda para locação. Esse segmento tem crescido. As pessoas que buscam locação pesquisam mais do que para venda. Isso é positivo quando se tem uma oferta grande”. 
 
No início do mês, a FipeZap já havia divulgado que Rio e Niterói também puxaram a queda nos preços dos imóveis à venda no país. O recuo chegou a 4,45% na capital fluminense. No Brasil, a retração foi de 0,53%. 
 

Por Marcello Corrêa
 
Fonte: O Globo, Economia, 16/01/2018