Setor Imobiliário: da expansão meteórica aos primeiros passos de uma lenta retomada

As regras para concessão de crédito endureceram, a taxa de juros subiu, e o financiamento encareceu e rareou.

Nos dez anos que antecederam a atual recessão, o mercado imobiliário experimentou uma expansão meteórica. Em 2005, acompanhando o vigor da economia do país, com o ganho de renda da população e o controle da inflação, as notícias davam conta de vendas instantâneas de projetos desenhados para a classe média. No Rio, foi assim com empreendimentos como o Cores da Lapa, na região central, por exemplo, com centenas de apartamentos comercializados em poucas horas.

Nos anos seguintes, o brasileiro encontrou as bases para realizar o sonho da casa própria. A demanda por moradia ganhou impulso para dar partida a uma onda de lançamentos imobiliários em todo o país. A oferta de crédito era crescente. Em 2013, o Brasil chegou a um pico em financiamentos imobiliários.

Foi a partir daí, contudo, que os ventos passaram a soprar em outra direção. A crise econômica, formalmente iniciada em 2014, freou o consumo no país. O mercado imobiliário vinha acelerado também a reboque da demanda gerada por Copa do Mundo e Olimpíada.

Em 2015, entre esses dois megaeventos, o tombo no número de lançamentos já era uma realidade. Com a crise, o consumidor botou o projeto da casa própria de volta na gaveta. E se ajustou em tempos de redução do orçamento doméstico, alta da inflação, incerteza política e fantasma do desemprego.

As regras para concessão de crédito endureceram, a taxa de juros subiu, e o financiamento encareceu e rareou. Para reduzir os estoques crescentes de unidades, muitas incorporadoras passaram a oferecer fortes descontos. O número de distratos explodiu, fragilizando o caixa de diversas empresas do setor. E uma sequência delas, como a Viver e a PDG, entrou em recuperação judicial.

Com o alto número de imóveis em estoque - o mercado vinha de uma expansão de lançamentos - e a retração na demanda, os preços das unidades à venda, que vinham subindo, começaram a cair. Em 2017, tiveram queda nominal pela primeira vez.

O golpe mais duro veio em maio de 2015, quando a Caixa Econômica Federal, principal fonte de recursos para financiamento imobiliário no país, restringiu o crédito. As condições ficaram mais duras e faltaram recursos. É justamente a retomada na oferta deste crédito pela Caixa neste início de 2018 que sinaliza a melhora do mercado imobiliário do país a partir deste ano. Em algumas regiões, como São Paulo, ela já é realidade. O Rio está atrasado nesse processo.

Empresários e especialistas do setor acreditam que, com oferta de crédito e a recuperação da economia, a demanda será reativada. Em ano de eleições, porém, os rumos da política serão decisivos para que a promessa de retomada se cumpra. 

Por Glauce Cavalcanti

Fonte: O Globo, Economia, 10/01/2018