Verba extra da Caixa para MCMV chega a R$ 227 milhões

A Caixa liberou R$ 227 milhões adicionais para a conclusão de obras do programa MCMV (Minha Casa Minha Vida) desde agosto de 2016, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação. Foi nesse mês em que o banco começou a contabilizar a destinação de verba extra do FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) para os empreendimentos. Se não tivesse sido usado de forma complementar, o montante poderia ser destinado a novas contratações. É o FAR que financia imóveis da faixa um, de baixa renda. 

O objetivo do governo é contratar cem mil unidades nessa categoria até o fim do ano. Após o anúncio de 54 mil imóveis na última segunda (6) pelo Ministério das Cidades, ainda restam cerca de 8 mil para a meta ser cumprida. Procurada, a Caixa não respondeu perguntas. Disse apenas que é necessário usar recursos do fundo quando o contrato com construtoras são rescindidos ou quando há imprevistos, que independem da empresa envolvida. 

Um dos motivos que levam à suplementação são danos causados em caso de invasão, afirma Ronaldo Cury, diretor da construtora homônima e vice-presidente do Sinduscon-SP (sindicato do setor). Mesmo com a suplementação do fundo, uma parte do prejuízo costuma ser pago pelas empresas, afirma Rodrigo Luna, vice-presidente do Secovi-SP e sócio-fundador da Plano & Plano. "É um problema que afeta a todos, e como é a Caixa que administra os recursos, quem também paga é o cidadão cadastrado no programa que precisa de habitação e sofre com os atrasos." 

Fonte: Folha de São Paulo, Mercado Aberto, 09/11/2017