Produlote: CAIXA lança linha de crédito para produção de loteamentos urbanos

Voltada para empresas do ramo da construção civil, linha financia toda a infraestrutura do empreendimento, da limpeza do terreno à implantação das redes de água e esgoto.

A CAIXA lançou, ontem (8), a primeira linha de crédito do país destinada à produção de loteamentos urbanos. Voltado para empresas do ramo da construção civil com faturamento superior a R$ 15 milhões por ano, o Produlote financia toda a infraestrutura do empreendimento, da limpeza do terreno à implantação das redes de água, esgoto e distribuição elétrica. A linha já está disponível nas agências do banco.

Com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), a CAIXA vai disponibilizar R$ 1,5 bilhão para o Produlote até o fim de 2018. “Estamos lançando um produto inédito”, destaca Nelson Souza, vice-presidente de Habitação da CAIXA. “Não havia nenhum banco cumprindo esse papel de financiar a produção de lotes. Agora, construtoras e incorporadoras terão o apoio de um grande agente financeiro”.

A linha de crédito financia até 70% do custo da infraestrutura do loteamento, limitado a 50% do valor global de vendas.Não há tamanho mínimo ou máximo para os empreendimentos. “A contratação, inclusive, pode ser feita em módulos”, explica o vice-presidente. “A empresa pode ter um terreno muito grande e preferir não loteá-lo todo de uma vez”. O valor mínimo de financiamento é de R$ 2 milhões por empreendimento ou módulo. Não há valor máximo.

Como contratar. Para contratar o Produlote, a empresa interessada precisa comprovar a implantação de pelo menos um loteamento ou parcelamento de solo urbano, concluído com a emissão de termo de vistoria de obra emitido pelo poder público, além de autorizações municipais e/ou estaduais para a implantação do loteamento, licenças ambientais e declaração de viabilidade das concessionárias de serviços públicos. 

A construção deve ser realizada em até 24 meses, contados a partir da data de liberação da primeira parcela do financiamento. A amortização do financiamento é feita em até 48 meses. O crédito é liberado no decorrer da obra, conforme cronograma físico-financeiro contratado. “Após a conclusão da obra, há um período de carência de até seis meses, apenas com cobrança de juros e atualização monetária”, destaca Nelson Souza. 

Produlote era uma reivindicação do setor imobiliário e da construção civil

A criação de uma linha de crédito com as características do Produlote era uma reivindicação antiga do setor imobiliário e da construção civil. Especialistas da área acreditam que o produto vai permitir o lançamento de mais empreendimentos e com isso os preços tenderão a diminuir. Ganha o consumidor com a redução de preços e movimenta o mercado com a geração de emprego.

"O setor já busca alguma forma de financiar a sua produção desde há muito tempo", diz o vice-presidente de Desenvolvimento Urbano do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Caio Portugal. Ele acredita que as características do novo produto da CAIXA devem promover um alívio para o fluxo de caixa das empresas, possibilitando o crescimento da sua produção.

Para Portugal, a médio prazo, o Produlote poderá significar uma redução de preço e o maior beneficiado será o consumidor. "Possibilitando uma maior oferta de lotes, a médio prazo, acredito que o principal beneficiado será o consumidor, que poderá adquirir um lote com preços cada vez mais acessíveis". Segundo ele, quanto mais baixo for o custo do financiamento, maior será a redução do preço na oferta do produto.

A nova linha de crédito da CAIXA para o setor imobiliário financiará a urbanização interna e externa de lotes, como construção de quadras, sistema de esgotamento sanitário, iluminação e pavimentação. Podem participar empresas com mais de dez anos de mercado e faturamento fiscal superior a R$ 15 milhões anuais. 

As construtoras que comercializam lotes maiores podem financiar de forma modulada, adquirindo o empréstimo em partes. O crédito da CAIXA financiará o custo da infraestrutura de até 70% do loteamento, limitado a 50% do valor global de vendas. A contratação se dará do mesmo modo que ocorre com o financiamento de construções de casas e apartamentos. Não há tamanho mínimo nem máximo para os lotes.

Produlote vem em momento adequado. José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), também diz que sempre foi uma demanda do setor que se criasse uma linha, um produto que pudesse financiar o lote e a terra urbanizada. "O Produlote vem em um momento bem adequado. Perdemos mais de um milhão de trabalhadores nos últimos dois anos. Tudo que vier que agregue ou estimule investimentos é bem-vindo", completa.

Segundo o presidente da CBIC, hoje, a necessidade de capital de giro para as empresas que trabalham com o lote é muito grande. "A empresa tem que bancar a construção e ainda financiar por anos o lote; é preciso ser uma empresa muito capitalizada". Para ele, no instante em que há o financiamento, mais empresas entram no mercado aumentando a oferta. "E com a lei da oferta e da procura, naturalmente, o preço do lote deve cair", afirma. 

O presidente da CBIC acha que ao balizar o preço da terra urbanizada por um patamar menor, acaba impactando em muitos outros empreendimentos além do próprio loteamento que está sendo executado. "O insumo terreno é um insumo básico em uma incorporação imobiliária. Quando você consegue abaixar o preço do lote, baixa toda uma cadeia, toda uma sequência produtiva que pode ter benefícios para todos os consumidores".

Vídeo: Conheça o Produlote e os requisitos para contratação

Fonte: Caixa, Agência Caixa de Notícias, 08/08/2017