Empresas reclamam do acesso ao crédito

Pesquisa mostra que a obtenção de recursos no ano passado foi mais restrita que no período de 2010 a 2012, principalmente para investimentos

Apenas o bom volume de recursos para financiamento imobiliário não é suficiente para fortalecer a cadeia da construção, dizem os empresários. Sondagens da Construção da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram insatisfação quando o tema é acesso ao crédito, entre eles recursos para investimento e capital de giro. "O acesso ao crédito em 2013 foi considerado mais difícil do que entre 2010 e 2012. O indicador médio do ano foi de 43,2 pontos, substancialmente abaixo do observado desde o início da pesquisa: 50,4 em 2010, 47,7 em 2011 e 47,6 em 2012", informa a pesquisa da entidade. Quanto mais abaixo de 50 pontos, maior é a insatisfação, e quanto menor a empresa mais aumenta o grau de preocupação com essa barreira.

Dificuldade de acesso a linhas de crédito não representa necessariamente menos recursos disponíveis, além taxas e prazos não condizentes com a capacidade de pagamento das companhias. Parte significativa das empresas menores tem problemas na organização de seus dados financeiros e de adequação às exigências legais e ambientais, não consegue comprovar receitas e nem mesmo experiência em seus mercados de atuação, dizem os executivos. Mas para o ministro - chefe da Secretaria de Micro e Pequena Empresa da Presidência da República, Guilherme Afif Domingos, há mais crédito no mercado para bens de consumo do que para investimento e produção; e um dos problemas seria a falta de garantias e aval, bastante características nessa parcela empresarial. Por isso, sua Secretaria começa a investigar quais são as principais barreiras enfrentadas pelas empresas menores em elação aos financiamentos e também estuda a criação de um fundo garantidor para ampliar o acesso ao crédito.

"Criamos um grupo de estudos com técnicos do Banco do Brasil (BB), da Caixa Econômica Federal, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para avaliar esse cenário de empréstimos às empresas menores e os fundos de aval já existentes. Se tiver necessidade, criaremos outro com capital das próprias instituições", diz o ministro, que se inspira no fundo do Sebrae, do qual é presidente do Conselho, que foi criado com capital de R$ 25 milhões e hoje já computa R$ 520 milhões em patrimônio, segundo afirma.

O estoque total dos recursos destinados para as empresas menores é difícil de mensurar, mas as instituições financeiras informam que se esforçam também para oferecer mais crédito e a custos menores em outras linhas destinadas às pessoas jurídicas de menor porte, como as de capital de giro e voltadas a investimento, mcluindo as da cadeia da construção. O Banco do Brasil tem se destacado nesse cenário. O banco finalizou 2013 com saldo R$ 99,9 bilhões na carteira de micro e pequenas empresas (MPE), alta de 12,37.. sobre o ano anterior, sendo que o financiamento de invéstimentos cresceu 25,2%, para R$ 32,41 bilhões. Já o saldo das operações de capital de giro atingiu R$ 65,34 bilhões, alta de 7,1%.

Com cerca de 2,3 milhões de clientes desse porte, o que corresponde a mais de 96% do total das companhias clientes do banco, a intenção do Banco do Brasil é se manter como maior parceiro das MPE, diz Asclepius Ramatiz Lopes Soares, gerente-executivo de MPE do banco. Para tanto, tem investido em produtos, taxas e serviços para esse público. Em 2012, iniciou projeto de atendimento especializado, com a inauguração de uma agência direcionada às MPE. No ano passado, abriu mais duas e projeta mais três para este ano, afirma o executivo.

''O Banco do Brasil fechou 2013 com saldo deR$ 99,9 bilhões na carteira de micro e pequenas, alta de 12,3% sobre 2012; o financiamento de investimentos chegou a R,41 bilhões''

Fonte: Brasil Econômico, 19/03/14