Imóvel comercial apresenta maior retorno

O investimento em imóveis pode não repetir o desempenho excepcional de quatro anos atrás, mas ainda é uma aposta com poucos concorrentes tão positivos e, mais do que tudo, seguros.

Nos últimos quatro anos a valorização foi de 150%, em média, nas grandes cidades brasileiras. Este ano deve chegar a 5% acima da inflação porque a demanda continua aquecida. Imóveis comerciais, que têm retorno do aluguel melhor do que o residencial, na proporção de 0,7% a 1% do valor do imóvel comparados a 0,5% do residencial, estão no foco dos investidores. Unidades menores têm rendimento melhor, mas a tendência, de acordo com especialistas, é de um crescimento da curva de valorização dos escritórios maiores.

Imóvel não é uma opção para pequenos investidores, mas até o acesso ao mercado se tornou mais democrático por causa da expansão do crédito imobiliário. A aposta em fundos imobiliários performados é uma alternativa para quem quer aplicar dinheiro no setor, mas não tem o suficiente para comprar um apartamento ou escritórios. "O investidor com dinheiro na mão tem agora uma grande oportunidade. Como tem muito prédio sendo produzido e as construtoras precisam se capitalizar é possível negociar um preço menor e garantir maior rentabilidade. Quem comprar ativo com preço mais baixo terá um ganho maior quando o prédio estiver pronto e o ritmo da vacância talvez em declínio", diz Edson Ferrari, diretor de investimento da CBRE, a maior empresa de consultoria imobiliária do mundo com 425 escritórios em 58 países.

"Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte já estão num patamar alto, mas ainda existem nichos com potencial de valorização. É o caso do Espírito Santo e de Curitiba, onde ainda se encontra imóvel barato", afirma Leonardo Schneider, vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi-RJ).

No Rio, regiões antes esquecidas voltaram a atrair investimentos. Só na zona norte foram lançadas até outubro 4.632 unidades em 15 bairros. Em Campo Grande, na zona oeste, o metro quadrado teve alta de 127% entre 2009 e 2013. Em São Paulo, bairros como Itaquera começam a atrair investimentos porque são as novas fronteiras de crescimento da cidade. É o que acontece também em Brasília. A descentralização administrativa do Governo do Distrito Federal valoriza a região de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia.

Nos últimos anos houve uma evolução grande de projetos também nos imóveis comerciais. Quem comprou na planta há dois, três anos, agora começa a ter retorno com a disputa de espaço entre as empresas. Para o investidor em pequenos conjuntos de escritório o momento é de realizar lucros. A hora, dizem os especialistas, é de apostar nos escritórios corporativos maiores, em lajes acima de 500 metros quadrados. Hoje, a taxa de vacância neste segmento chega a 10%, em São Paulo, e a 8%, no Rio. "O investidor que entrar neste mercado agora vai ter mais facilidade de preços e boa chance de liquidez no futuro. Este ano deveremos bater o recorde em absorção bruta, que é a quantidade de movimentação de locação dos inquilinos, e superar o volume de 750 mil metros quadrados de área locável do ano passado", diz Ferrari.

Investidores que querem entrar neste mercado têm que estar atentos a um detalhe importante: o ciclo de investimento no mercado imobiliário é longo. "Investimento em imóvel é mais seguro, mais conservador e mais a longo prazo. Tem menor liquidez a curto prazo por causa das despesas com a compra, mas depois tem valorização", diz Leonardo Schneider, do Secovi-RJ.

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