Casas de plástico que não são de brinquedo

Já pensou em morar numa casa inteirinha feita de plástico? Pois é, sim, possível. Na verdade, o material utilizado é o PVC que vem em perfis pré-fabricados montados como um lego gigante e preenchidos com concreto. Atualmente, o sistema é usado especialmente em casas térreas e sobrados e também em construções públicas como creches, escolas e postos de saúde. Mas a indústria já vem estudando formas de levar a técnica para a construção de casas de classe média. 

Até por isso, a Üraskem, fabricante de resinas termoplásticas, real ou, em parceria com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), um concurso de arquitetura para escolher o projeto de uma casa modelo sustentável feita inteiramente de PVC. O vencedor foi o arquiteto André Fomari, de Florianópolis, que desenhou um projeto que. além do sistema concreto-PVC, usou a resina numa cobertura de brises. O elemento é estético, mas também funcional, já que cria um sombreamento em toda a área íntima da casa. E não à toa. Afinal, o projeto será construído, no início do ano que vem, na fábrica mantida pela empresa em Alagoas. Com dois quartos, sendo uma suíte, cozinha e sala integradas, além da área externa, a casa seria para uma família de quatro pessoas. O modelo será aberto à visitação. 

- Maceió tem sol a pino o ano inteiro. Essa cobertura protege a área dos quartos (o bloco verde) do calor e ainda se abre, nos fundos da casa, para um jardim e um lago que existem no terreno - conta Fornari. 
Material tem qualidades térmicas

Antes de resolver participar do concurso, o arquiteto não conhecia o novo sistema. Mas ficou tão surpreso com as possibilidades do material que já pensa em oferecê-lo como solução a alguns de seus clientes: 

- Conquistar a classe média ainda é um desafio, mas o concurso, com casas inteiramente diferentes, mostra que é possível fazer projetos personalizados. Mas muitos arquitetos ainda não dominam a técnica - avalia de, destacando ainda o menor casto como outra vantagem do PVC. 

É que, como as peças são pré-fabricadas e encaixadas, a técnica possibilita que o canteiro de obras seja transformado numa verdadeira linha de produção, acelerando a construção e diminuindo a necessidade de mão de obra, um dos maiores custos numa construção. Uma equipe de quatro pessoas, por exemplo, pode erguer duas coisas num único dia. Com isso, a casa feita de concreto e PVC não precisa de vigas ou fundação, o que gera uma quantidade muito menor de resíduos. Assim, o material, que também é reciclável, é considerado sustentável, mesmo levando petróleo em sua composição. 
Concurso teve 44 inscritos

- O PVC é a industrialização da construção civil. Sem falar que tem uma inércia térmica bastante elevada. A temperatura do ambiente interno se mantém estável independentemente se está multo quente ou frio do lado de fora - explica Antonio Rodolfo, gerente de engenharia de aplicação e desenvolvimento de mercado da Braskem. 

Realizado no més passado, o concurso promovido pela Braskem teve 44 inscritos e destacou ainda outros dois projetos de arquitetos paulistas: João Paulo Meirelles, que ficou com a segunda colocação, e Paulo Victor Almeida, o terceiro colocado.  
Meirelles propôs uma casa mais simples em que o sombreamento seria feito por uma laje de PVC um pouco mais alta no telhado. Já Almeida desenhou uma (adiada com grandes aberturas e uma cobertura elevada que possibilitaria a maior captação da luz solar e de circulação interna do ar.

Fonte: O Globo