BC aumenta Selic e taxa deve voltar a dois dígitos

 

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou, ontem, a taxa básica de juros de 9,0% para 9,5% ao ano e reproduziu, em seu comunicado, exatamente o mesmo texto que divulgou ao fim das três reuniões anteriores. O que pode ser interpretado como uma indicação de que pretende manter o mesmo ritmo de aperto monetário no último encontro do ano, dia 27 de novembro, elevando os juros de volta a dois dígitos.

"Dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,50% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", diz o comunicado.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mantém a determinação de chegar a 2014 com o problema "inflação" resolvido, fora do primeiro plano do debate econômico e político. E para isso, conforme deixou claro o diretor de política econômica do Banco Central, Carlos Hamilton, ainda há muito trabalho a fazer. Isso não significa que a autoridade monetária levará a inflação medida pelo IPCA para a meta de 4,5% no último ano de governo Dilma Rousseff. O compromisso do BC, até o momento, é encerrar este ano com uma inflação inferior à de 2012 (5,84%) e 2014 com uma taxa menor do que a deste ano.

Pela primeira vez neste exercício, o IPCA acumulado em 12 meses até setembro caiu abaixo de 6%. Segundo dados divulgados ontem pelo IBGE, a inflação foi de 0,35% no mês passado, de 3,79% no ano e de 5,86% em 12 meses, em linha, portanto, com as projeções do BC.

Tombini considera que terá uma "janela" até abril, período em que as taxas mensais de inflação devem ser inferiores às dos mesmos meses anteriores. No governo, já não causa arrepios imaginar que os juros podem voltar à casa dos dois dígitos.

Fonte: Valor Econômico, 10/10/2013