Lula adia anúncio de pacote para construção civil

 

Laryssa Borges
Direto de Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adiar, pelo menos por ora, o anúncio de um novo pacote de medidas para conter os efeitos da crise financeira mundial. A previsão era que o plano fosse anunciado nesta quarta-feira, em solenidade no Palácio do Planalto, e contemplasse principalmente o setor de construção civil.

Segundo auxiliares do presidente, Lula cobrou da equipe econômica mais garantia de que o Brasil possa colher mais rapidamente os efeitos dos anúncios. A avaliação é de que as propostas contra a crise apresentadas por Mantega, que incluiriam um programa de estímulo à construção da casa própria para população de baixa renda, ainda não estão "maduras" o suficiente para se tornarem públicas.

Na próxima semana, o presidente deve debater a possibilidade de anunciar novas medidas em uma reunião sobre reforma urbana e déficit habitacional com representantes da Central dos Movimentos Populares (CMP), da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), da União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e do Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU).

Apesar do adiamento das propostas, Guido Mantega relatou nesta segunda-feira ao presidente, durante a reunião semanal de Coordenação Política, os efeitos positivos do anúncio de capitalização de R$ 100 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), consolidado na semana passada, e da aprovação do plano de investimentos da Petrobras no valor de US$ 174 bilhões até 2013.

De acordo com interlocutores do governo, o efeito das medidas, se ainda não verificados na prática, já representa uma conseqüência "psicológica" favorável no combate à insegurança gerada pela crise mundial.