Projetos devem migrar para fora da cidade de SP

 

SÃO PAULO, 17 de dezembro de 2008 - Nos últimos dois anos, o mercado imobiliário cresceu em ritmo alucinante, após quase duas décadas de expansão vegetativa. Com a crise, porém, as perspectivas mais otimistas têm sido de que o setor conseguirá manter, com sorte, um crescimento sustentável. Mas dados divulgados pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) mostram que 2009 pode não ser tão ruim como se espera.

A entidade prevê que o mercado imobiliário deverá reduzir seu ritmo de crescimento no próximo ano, mas não haverá retração em relação a anos anteriores. Aliás, o ano de 2009 deverá ser muito parecido com 2006 no que diz respeito aos lançamentos, quando foram colocados no mercado 34,7 mil novas habitações. "Não teremos um novo 2007, que foi um ano atípico", diz o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci. Naquele ano, só em São Paulo, foram lançados 39 mil unidades habitacionais. O ano de 2008, com o lançamento previsto de 35 mil unidades, também é reflexo da expansão iniciada anteriormente.

Na cidade de São Paulo, a redução no ritmo de lançamentos será acompanhada com o aumento da tendência de migração dos empreendimentos para fora dos domínios da capital. Segundo Petrucci, devido a fatores como o plano diretor "elitista" da capital e do alto custo dos terrenos, as empresas estão buscando boas oportunidades em regiões próximas. Em 2004, do total de 28,1 mil unidades lançadas na capital e região metropolitana, 80% estava concentrada na cidade de São Paulo. Em 2007, essa participação caiu para 62% na capital, chegando a 53,8% de lançamentos na cidade em 2008. A expectativa do Secovi-SP é que os lançamentos fiquem equilibrados entre capital e região metropolitana no próximo ano, com 50% de participação cada.

Pesquisa realizada pelo Secovi-SP, mostra que, de janeiro a outubro, foram lançadas só na cidade de São Paulo um total de 29 mil unidades. A média de comercialização é de 14,9% no período. E a previsão é de encerrar o ano com venda média de 13,6%.

"Comparativamente a 2007, nota-se uma redução em torno de 10% nos lançamentos e nas vendas - causada pela parada técnica", anunciou a entidade no Balanço Imobiliário 2008. No entanto, se comparados a 2006, os números mostram um aumento de 36% nos lançamentos e 17% no volume de comercialização. E se comparado a 2005, nota-se um crescimento de 40% nos lançamentos e 39% na comercialização.

Vários fatores puxaram esse crescimento, ressalta o economista. "Tivemos os IPOs (ofertas públicas de ações na sigla em inglês) das incorporadoras, empresas de médio e pequeno portes também aumentaram seus lançamentos, havia uma demanda reprimida, o poder de consumo das classes C e D aumentou, entre outros."

O único ano que teve uma performance semelhante foi 1997, quando foram lançados 39 mil unidades na capital paulista. "Mas naquele ano tivemos a expansão das cooperativas habitacionais." (Regiane de Oliveira - Gazeta Mercantil)