Rossi Residencial aposta em imóveis econômicos

 

SÃO PAULO, 11 de novembro de 2008 - A Rossi Residencial já determinou sua estratégia para manter as vendas aquecidas em 2009: investir em imóveis econômicos. A empresa vem aumentando paulatinamente a participação em seus lançamentos de projetos econômicos - entre R$ 120 mil e R$ 160 mil - , e neste semestre já chegou a um volume de R$ 231 milhões nesse segmento, o que representa 45% do total lançado. A meta é fechar o ano com uma participação de 30% nestes produtos e chegar a 2009 com 50% de seus lançamentos entre imóveis econômicos e supereconômicos (de R$ 60 mil).

"Nossa meta era de aumentar essa participação para 40%, mas dentro do novo planejamento os produtos econômicos adquiriram uma posição mais estratégica", explica Heitor Cantergiani, diretor-superintendente da Rossi. A empresa está contando com uma queda no ritmo das vendas de imóveis a partir de R$ 350 mil. "O público de classe média e alta está esperando para ver o que vai acontecer com a crise para voltar a comprar, o que não acorre no segmento econômico", afirma.

A Rossi desenvolveu um modelo de negócio para o segmento econômico baseado em escala de produção e padronização de projetos. E tudo sob a marca Rossi. Os primeiros lançamentos supereconômicos acontecem já no início de 2009, em todo o Brasil.

Os imóveis econômicos já apresentam sua marca no balanço do terceiro trimestre. Os preços médios dos produtos lançados, por metro quadrado, caíram 4%. No acumulado de janeiro a setembro, a queda foi de 6%. "Mas isso não influenciou em nossa margem", diz.

Para o executivo, os esforços de vendas são o principal destaque da empresa no terceiro trimestre. Em meio a um processo de crise, dobrou as vendas contratadas no período, que chegaram a R$ 702 milhões, frente a lançamentos com parceiros da ordem de R$ 720 milhões - sendo a parte da empresa em R$ 518 milhões. "Estamos trabalhando com uma política de manter estoques reduzidos."

Segundo Cantergiani, cerca de R$ 500 milhões ainda serão lançados no próximo trimestre - se tudo for favorável. A Rossi vem adotando uma postura conservadora para tentar se livrar dos ecos da crise que afeta o crédito e a saúde financeira de várias empresas. Na segunda quinzena de agosto, a Rossi contratou um financiamento junto ao Banco do Brasil no valor R$ 30 milhões, para reforço de capital de giro da empresa. Também contratou R$ 40 milhões junto ao Banco Votorantim. "Foi uma questão de oportunidade."

A empresa anunciou também um aumento de capital no valor de R$ 150 milhões, juntamente a revisão de seu plano de lançamentos para este ano e para 2009. "A injeção de recursos é uma demonstração de confiança dos acionistas", diz. Os lançamentos programados para 2008 foram reduzidos em 16% - de R$ 2,5 bilhões para R$ 2,15 bilhões - e os previstos para 2009 sofrerão uma redução em torno de 33% - de R$ 3 bilhões para R$ 2,25 bilhões.

"Temos hoje recursos da ordem de R$ 3 bilhões disponíveis para crédito à produção e devemos fechar o ano com um caixa de R$ 300 milhões", afirma. Nada disso parece animar o mercado financeiro: as ações da empresa fecharam ontem com queda de 9,12% em R$ 3,39. (Regiane de Oliveira - Gazeta Mercantil)