Indústria da construção inicia cortes de pessoal

 

Daniela D3Ambrosio, de São Paulo
11/11/2008

Depois de atingir as construtoras, a crise chegou às imobiliárias, que decidiram cortar pessoal. Por conta do recuo das vendas e, principalmente, pela decisão das incorporadoras de cancelar boa parte dos lançamentos previstos para o segundo semestre, as empresas que comercializam imóveis estão demitindo funcionários da área administrativa. Na Lopes, os cortes somam cerca de 150 pessoas. Na BR Brokers, fala-se em 20% do quadro administrativo e a Elite, imobiliária que acaba de ser criada, ainda não conseguiu deslanchar.

As empresas estão demitindo, principalmente, funcionários das áreas administrativas. Embora os corretores sejam autônomos, também estão sendo dispensados, simplesmente porque não há trabalho e, de certa forma, representam custo fixo, como o gasto com telefone.

Os cortes também já chegam aos braços de vendas das construtoras, que, no auge do segmento, criaram divisões específicas para negociar exclusivamente seus imóveis. A Seller, empresa que vende os imóveis da Cyrela, enxugou o seu quadro. Segundo assessoria de imprensa da companhia, deixaram de atuar no quadro da Seller os corretores que trabalhariam na venda dos produtos da Agra, mas com a rescisão do contrato, acabaram saindo.

A Lopes não comenta as demissões. Como divulga resultado hoje depois do fechamento do mercado, dará mais detalhes sobre os cortes. A Elite, criada por Mauricio Eugenio - o fundador da Eugenio Marketing Imobiliário, maior agência especializada no setor - está perdendo parte de seus corretores, inclusive gerentes de vendas. Como a empresa é nova, não tem estoque de imóveis para vender, o que estaria levando os corretores a procurar outras bandeiras.

Por meio da assessoria de imprensa, a Elite disse que está do tamanho necessário para as suas atuais atividades e clientes. "Trata-se de uma empresa nova, planejada para crescer de forma orgânica; sua equipe, entre as áreas administrativa e de vendas, soma cerca de 400 pessoas."

Entre as construtoras, as duas com situação mais delicada, Abyara e Inpar, já começaram a reduzir pessoal. Na Inpar, conforme a assessoria de imprensa, os cortes estão concentrados na área de novos negócios e prospecção de terrenos. Mais de 50 pessoas que trabalham nessa área em várias regiões do país foram demitidas. O diretor financeiro e de relações com investidores, Gustavo Felizzolla, pediu demissão na semana passada, após sete meses na companhia.

A Abyara, empresa mais endividada do setor, publicou comunicado ao mercado anunciando demissões. Segundo o Valor apurou, foram demitidas 90 pessoas.