Permutas ajudam driblar crise

 

SÃO PAULO, 4 de novembro de 2008 - Com a redução do número de financiamento provocada pela crise econômica mundial, empresários de diversos setores redescobriram o escambo e apostam no sistema de troca como forma de driblar tal cenário para aumentar o fluxo de caixa e reduzir custos variáveis.

O sistema de permuta multilateral de produtos e serviços já é realidade no Brasil e, de acordo com Nádia Nunes, diretora da Permute - empresa especializada em transações e intermediações de trocas multilaterais -, trata-se de um mercado em franca expansão. Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, onde a modalidade existe há mais de 40 anos e já movimentou cerca de US$ 350 milhões em negócios.

A operação de permuta é uma operação como outra qualquer, diz a executiva, porém, o que diferencia é a forma de pagamento entre as empresas, que dispensa o uso do dinheiro. As vendas são baseadas em Unidades de Permuta (UPs). Cada UP tem a validade de um real, ou seja, créditos recebidos em troca de produtos ou serviços. As negociações são realizadas por meio de gerentes de contas.

"No Brasil, acredito que as permutas multilaterais vêm ocorrendo há cerca de sete anos, mas só agora, com o atual momento financeiro, a procura de empresas interessadas em filiar-se ao sistema aumentou 50% de outubro do ano passado para cá. Tanto que já projetamos um incremento de 30% no nosso faturamento, ante uma projeção de 25%", comemora a diretora, que administra uma rede de 600 empresas filiadas e um negócio que já movimentou mais de R$ 7 milhões só este ano, fora os R$ 28 milhões contabilizados desde sua criação, há cinco anos.

"Se uma empresa tem estocado algum tipo de produto, ela pode negociar dentro do sistema, preservando seu fluxo de caixa ao utilizar os créditos adquiridos comprando outros serviços e produtos que precisar", exemplifica Nádia, completando que as trocas multilaterais é muito vantajosa por promover ainda um intercâmbio organizado e dinâmico. (Ciça Ferraz - InvestNews)