Louisiana-Pacific inicia produção no País

 

CURITIBA, 4 de novembro de 2008 - Se a estratégia de introdução da técnica de construção a seco que deu certo no Chile e na Costa Rica se repetir no Brasil, dentro de no máximo três anos a Louisiana-Pacific (LP), maior fabricante de chapas de OSB (Oriented Strand Board) e um dos maiores fabricantes mundiais de materiais de construção a seco, terá de instalar uma nova unidade industrial. A empresa, que hoje conta com 21 fábricas nos EUA, Canadá e Chile, começou a operar ontem no País a partir da fabricação da LP OSB em Ponta Grossa (PR), na linha de produção cujo controle adquiriu da Masisa Brasil em janeiro deste ano por US$ 75 milhões. A operação começou com 70% da capacidade da linha de produção - estimada em 300 mil metros cúbicos/ano.

Cerca de 77% dos painéis de LP OSB devem ser destinados ao mercado interno, e o restante exportado para Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela. Neste primeiro momento, 55% da produção vai para o mercado de construção civil tradicional que utiliza o painel para substituir o compensado.

"O nosso foco de construção a seco inicialmente está em São Paulo e no Sul do País e no nosso plano de marketing para 2009 está o treinamento de 3,6 mil pessoas entre arquitetos, engenheiros e montadores em todo o País com investimento de R$ 1,6 milhão. Mas só poderemos considerar que este mercado existe de fato quando, além de toda a rede de revendedores - hoje já são 800 cidades atendidas e 4 mil fornecedores - houver pessoal preparado para a utilização dos painéis", explica Carlos Maroni, diretor comercial da Louisiana-Pacific Brasil. "Vamos trabalhar para até o fim de 2009 aumentar em 50% esse número", afirma.

A construção a seco é a principal técnica construtiva utilizada nos Estados Unidos e consiste na utilização de perfis de aço na estrutura, do gesso no acabamento interno e de chapas de madeira no acabamento externo. Feita para enfrentar terremotos, furacões e tanto altas como baixas temperaturas, ela permite erguer uma residência de 400 metros quadrados em até 70 dias conforme Maroni, mas pode ser utilizada também em construções populares ou mansões, com garantia de 30 anos. " Hoje já não precisamos importar nenhum componente para iniciar este processo", acrescenta o diretor. De qualquer maneira, segundo ele, pelo comportamento do mercado, os 300 mil metros cúbicos de capacidade atuais deverão estar tomados até o final de 2009 e daí em diante será necessário pensar em uma segunda linha de produção. Em 2007, a Louisiana-Pacific acumulou mais de US$ 1,7 bilhões em vendas mundiais e fechou o ano com ativos avaliados em US$ 3,2 bilhões. No Brasil, a empresa ainda não fala sobre perspectivas de faturamento, mas a linha de OSB representava pouco mais de US$ 50 milhões no faturamento da Masisa no País. O objetivo agora é mais do que dobrar isso em dois anos.

Para a Louisiana-Pacific, os países da América do Sul representam um importante mercado para o OSB e para outros produtos de madeira para a construção civil a partir da retração que marcou o mercado norte americano nos últimos anos. Além da fábrica no Brasil, a empresa conta também com duas fábricas no Chile, aonde ingressou em 1999 e destina 85% da produção de 16 mil metros cúbicos mensais para a construção a seco. Em 2007, abriu um escritório comercial no Peru. Em 2007, o uso do OSB na construção civil nos EUA respondeu por 62% do total, ganhando mercado frente a produtos mais tradicionais, como o compensado.

Segundo Carlos Maroni, os painéis de OSB são hoje usados principalmente na construção civil tradicional e na fabricação de móveis estofados e camas box, pallets e outros tipos de embalagem, mas é na construção a seco, que reside o maior potencial de consumo do produto Com um déficit habitacional estimado em 8 milhões de moradias, o Brasil é visto como um mercado com alto potencial para absorver o sistema de construção a seco. Além de OSB, a empresa fabrica também painéis estruturais para fechamento externo e painéis decorativos para fechamento interno de obras e produtos de madeira para a construção civil; molduras e outros produtos para acabamento. (Norberto Staviski - Gazeta Mercantil)