Fundos de participação adiam investimentos

 

De São Paulo
04/11/2008

A partir de hoje, executivos do mercado imobiliário de diferentes países e segmentos estarão reunidos em São Paulo para um evento de dois dias. A pauta, inevitavelmente, será uma só: os impactos da crise no mercado imobiliário da América Latina e, até que ponto, a crise pode ser uma alavanca de boas oportunidades.

Os fundos de private equity especializados no mercado imobiliário latino-americano estão com um discurso muito similar: o da cautela e do conservadorismo. Aliás, as novas palavras de ordem do mercado - seja entre investidores, seja entre incorporadores.

O Brasil continua sendo destaque da América Latina, ao lado do México. Ainda que momentos de crise como o atual costumem abrir janelas de oportunidades, boa parte das decisões estão sendo postergadas. Eduardo Machado, diretor-geral do fundo Carlyle do Brasil, diz que o fundo não tem pressa de investir. "Postergamos os investimentos por alguns meses até que haja normalização do crédito", diz. Além do capital próprio, esses fundos financiam parte da operação para otimizar os ganhos.

O Carlyle já investiu US$ 150 milhões na América Latina. E entre os próximos 18 a 24 meses prevê mais cerca de US$ 400 milhões. No Brasil, está aplicando em um imóvel de escritórios no Rio e na loteadora Scopel. O fundo entra como sócio em projetos e não diretamente em empresas. Dentre os segmentos considerados atrativos estão shoppings em cidades médias e residências para média e baixa renda.

A Peninsula Investments, fundo para o mercado residencial da América Latina, também está revendo novos projetos, inclusive no Brasil, onde estava perto de fechar dois projetos residenciais no interior de São Paulo. "Além da falta de crédito, o câmbio não está mais a nosso favor", afirma Mauricio Levitin, diretor-geral da Peninsula, que tem negócios na Argentina, Chile, Uruguai e México e será um dos palestrantes do Cityscape, evento do setor imobiliário focado em países emergentes. (DD)